Para absorver…

“Nesta sociedade competitiva, a minha derrota é a minha vitória.” – Eduardo Marinho

http://observareabsorver.blogspot.com/

http://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms&feature=youtu.be

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Published in: on 14/04/2011 at 12:28  Deixe um Comentário  

A hora do Planeta

20H30, 28 de Março, 2009.

Sessenta minutos… de escuridão.
Desliga a luz, pela tua Mãe Terra.


Published in: on 16/03/2009 at 12:05  Deixe um Comentário  

Polícia


Ser polícia é ter a pior profissão da nação
É ter uma venda nos olhos e uma arma na mão
É incondicionalmente vestir um sistema
Que não conhece justiça, igualdade ou pena
É ter como princípios os valores dos cifrões
É jogar vidas fora como se fossem feijões

Dré




Violência policial na celebração da zona pedonal de Almada


"Ontem, 16 de Janeiro, decorreu uma celebração na praça do MFA, no centro
da zona pedonal de Almada, cujo objectivo era reclamar a zona pedonal para
os peões (visto que ela é todos os dias atravessada por centenas de
carros, autocarros, táxis, tornando-a, talvez, na "zona pedonal" menos
pedonal do mundo...). Uma iniciativa pacífica, de festa e celebração, com
jogos com crianças, lanche, distribuição de informação, música e sobretudo
muita festa.

Por volta das 18h, a banda Ritmos de Resistência estava já a tocar há
algum tempo, andando pela zona pedonal, incomodando (assim como os carros
incomodam as pessoas numa zona pedonal) mas não bloqueando o trânsito. Um
grupo de polícias veio a correr em nossa direcção, empurrando
violentamente várias pessoas da banda. Agarraram então uma rapariga que
estava com a sua filha bebé ao colo e empurraram-na bruscamente da frente
de um carro. Um dos polícias ameaçou a rapariga dizendo-lhe "se não sais
do meio da rua, bato no teu bebé".

Logo imediatamente a polícia reparou que havia uma pessoa com uma máquina
de filmar perto da rapariga (pessoa que tinha estado a filmar toda a
iniciativa desde o início da tarde) e foi-lhe tentar apreender a máquina,
ao que essa pessoa, pacificamente, se recusou pois não estava a perceber
para que os agentes queriam o filme. Perante isto pediram-lhe a
identificação ao que ele respondeu que o faria apenas depois de o polícia
também se identificar. A partir daí a actuação da polícia tornou-se mais
violenta. Respostas como "eu dou-te a minha identificação, o caralho", "se
me continuas a pedir a identificação levo-te detido" foram ouvidas da boca
de quase todos os agentes envolvidos. Várias pessoas foram mandadas ao
chão e a pessoa que estavam a tentar identificar foi imobilizada por 4 ou
5 agentes de uma forma completamente desproporcionada pois em momento
algum teve alguma atitude agressiva. Uma senhora que estava a tirar fotos
da agressão foi então agredida por um polícia que lhe tentou tirar a
máquina fotográfica, mandando-a ao chão, e que quase lhe partiu um dedo.

Outra pessoa, ao aproximar-se da situação, foi socada na barriga por um
agente. Ao mostrar a sua indignação foi ameaçado fisicamente: “dei-te uma
e volto-te a dar, filho da puta”. Ao que levou outro murro e o agente
ainda acrescentou “se eu não estivesse fardado já te tinha fodido todo”.
Essa pessoa caiu então por cima da que estava a ser detida e o grupo de
polícias começou a dar bastonadas de uma forma extremamente violenta na
pessoa que tinha caído e que não se conseguia levantar. Nesta confusão
outro jovem aproximou-se e levou uma bastonada na cabeça, ficando a jorrar
sangue. Uma senhora que se encontrava a ver, indignada, toda esta situação
inaceitável (juntamente com muitas outras pessoas que entretanto se tinham
juntado) foi também empurrada por um agente e caiu ao chão, tendo batido
com a cabeça. Um agente à paisana que entretanto tinha tirado o distintivo
aproximou-se de algumas pessoas da banda e disse para um dos seus
elementos “eu sou psp, voltas-te a meter com os meus colegas e eu faço-te
a folha, filho da puta”.

Já na esquadra as agressões continuaram quando as pessoas tentaram saber
das pessoas que tinham sido detidas (inclusive ao advogado). E só aí, e
com a presença do advogado, é que foi possível obter a identificação de
alguns dos agentes envolvidos. O balanço desta festa/celebração foi: muita
animação, convívio e festa mais três feridos e dois detidos.

Consideramos toda a acção da polícia completamente desproporcionada e
desnecessariamente violenta. Foi chocante o clima de impunidade em que
vive a polícia. Quando se informaram os agentes de que seria apresentada
queixa contra o seu comportamento as respostas foram risos e gozo. Era uma
festa, a população de Almada estava a gostar, recebemos muitas palavras de
incentivo, estava tudo a correr bem. Pelo contrário, a polícia recebeu a
indignação geral da população.

Para lutar contra a violência policial e para continuar a exigir uma
verdadeira zona pedonal no centro de Almada, no próximo dia 24 de Janeiro,
às 16h, lá estaremos, de novo, a defender um espaço que deve ser de todos
os cidadãos..."


Published in: on 18/01/2009 at 22:06  Comments (1)  

Testamento



À minha mãe, eu deixo um quarto mais arrumado,
meias limpas e um lugar vazio à mesa.
Ao meu avô eu deixo o nosso clube com menos um adepto,
e ao meu pai, menos uma chance de vir a ser avô.
Ao meu irmão eu deixo um abraço, para quando ele se formar
e for o médico que eu não consegui ser.
À minha irmã eu deixo um diário com algumas páginas em branco.
Aos meus inimigos, eu deixo a oportunidade
de me terem conhecido melhor.
Ao meus amigos eu deixo menos um amigo.
À minha namorada, eu deixo um pedido de desculpas.
E a si, eu deixo um conselho: use preservativo.

Published in: on 16/01/2009 at 2:13  Comments (2)  

Rússia e o vegetarianismo

 
     Fui ontem jantar ao Terra – Restaurante Natural e vi lá uma coisa interessante. Dizia num artigo de revista: "Há quem diga que o ‘peixe não puxa carroças’, mas na Rússia há um ditado popular que diz, ‘Não é o cavalo que puxa a carroça, é a aveia que ele come’."
 
     E toma lá que já almoçaste! Viva a Rússia e os seus profundos provérbios populares. Este eu escuso-me de comentar. É um ditado verdadeiramente iluminado! =)
 
Dré
 
 
Published in: on 25/07/2008 at 19:15  Comments (1)  

Um mestre Zen no corredor da morte

 
Deixo aqui um link para um artigo interessante sobre Shodo Harada Roshi (Roshi em Japonês significa "mestre") que foi visitar alguns condenados à morte numa prisão dos EUA.
 
Curiosamente, esse mestre Zen é o responsável pelo mosteiro Sogenji em Okayama, no Japão (www.onedropzendo.org), onde terei o prazer e a honra de praticar por tempo indeterminado já a partir de Outubro.=)
 
 
..dré
Published in: on 18/08/2006 at 11:56  Deixe um Comentário  

A pobreza não é destino de ninguém!

As seguintes estatísticas foram retiradas da revista Cais, de Outubro de 2005. Dá-me vontade de chorar… Será possível que uma humanidade "civilizada" possa apresentar um mundo tão abjectamente bárbaro? Que mundo estamos nós a deixar para os nossos descendentes? E como podemos nós continuar a viver, normalmente, "de casa para o trabalho e do trabalho para o bar" (Xutos e Pontapés) como se nada se passasse? Como podemos continuar com as nossas vidas vazias de sentido e conteúdo, lutando por salários maiores, carros mais velozes, casas mais confortáveis e viagens cada vez mais exóticas? Como podemos, sequer, queixarmo-nos do que quer que seja, quando do "outro" lado do mundo seres humanos morrem à nossa custa, pagando com a vida ou a dignidade a factura deste nosso modo de vida capitalista, ignorante e assassino?

 ________

 

A pobreza não é destino de ninguém

 

Em cada hora mais de 1200 crianças morrem longe do olhar dos meios de comunicação. É o equivalente a três tsunamis por mês, todos os meses a atingir os cidadãos mais vulneráveis do mundo – as crianças. As causas da morte não serão sempre as mesmas, mas a esmagadora maioria pode ser atribuída a uma única patologia: pobreza. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

10.7 milhões de crianças por ano não vivem para ver o seu quinto aniversário e mais de mil milhões de pessoas sobrevivem numa pobreza abjecta, com menos de 1 dólar por dia. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

Um quinto da humanidade vive em países onde muitas pessoas nem pensam antes de gastar 2 dólares por dia num cappucino. Outro quinto da humanidade sobrevive com menos de 1 dólar por dia e vive em países onde crianças morrem por falta de uma simples rede mosquiteira. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

Os 500 indivíduos mais ricos do mundo têm um rendimento maior do que o rendimento das 416 milhões de pessoas mais pobres. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

A pandemia de VIH/SIDA infligiu a maior inversão simples de sempre ao desenvolvimento humano. Em 2003, a pandemia custou 3 milhões de vidas e deixou outros 5 milhões de pessoas infectadas. Milhões de crianças ficaram órfãs. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

Os 2.5 mil milhões de pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia – 40% da população mundial – representam 5% do rendimento mundial. Os 10% mais ricos, que vivem quase todos em países de rendimento elevado, representam 54%. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

A desigualdade de rendimento está a aumentar em países que representam mais de 80% da população mundial. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

As desigualdades extremas estão enraizadas em estruturas de poder que privam as pessoas pobres das oportunidades de mercado, limitam o seu acesso aos serviços e – de forma crucial – lhes negam uma voz política. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

Nascer numa família pobre diminui as possibilidades de vida, nalguns casos em sentido literal. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

Os 7 milhões de dólares necessários anualmente durante a próxima década para promover o acesso a água limpa a 2.6 mil milhões de pessoas são menos do que os Europeus gastam em perfume e menos do que os americanos gastam em cirurgias plásticas. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

Só o aumento das despesas militares desde 2000, se tivesse sido gasto na ajuda, teria sido suficiente para atingir a velha meta da ONU de gastar 0.7% do rendimento nacional bruto (RNB) em ajuda. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

No seu conjunto, os países ricos gastam actualmente 0.25% do seu rendimento nacional bruto (RNB) em ajuda. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

A casa é um direito de cada um. Mas, no mundo, as pessoas sem-abrigo ou a viver em bairros de lata são cerca de 100 milhões e o número tende a aumentar para 700 milhões. Segundo a UN-Habitat, seriam necessários 294 biliões de dólares americanos para garantir uma casa aos 100 milhões que hoje não a têm. – International Alliance of Inhabitants

A despesa actual com o VIH/SIDA, uma doença que custa 3 milhões de vidas por ano, representa o valor de três dias de despesas militares. – In Resumo Relatório do Desenvolvimento Humano 2005

 

Published in: on 28/07/2006 at 8:46  Deixe um Comentário  

A mente no laboratório

Retirado do blog: http://chumani.blogspot.com/

__________

Aqui há uns tempos, falou-se muito das experiências feitas com praticantes budistas em estados de meditação, mas só agora estou a ler mais detalhadamente sobre o tema e sobre os testes realizados.

Na sequência dos diálogos que se têm vindo a realizar anualmente em Dharamsala entre um pequeno grupo de cientistas ocidentais e o Dalai Lama, tornou-se cada vez mais evidente que se poderia ir mais longe do que simplesmente dialogar. A ciência ocidental tem ajudado a lidar com as emoções destrutivas através essencialmente da medicação. No Budismo, considera-se que o treino da mente, sobretudo através da prática da meditação, é o antídoto por excelência, o método que permite trabalhar a vulnerabilidade da mente às tais emoções destrutivas ou perturbadoras (que podem ser definidas muito simplesmente como as emoções que causam sofrimento, a nós e aos outros).

Nas primeiras experiências, um monge budista foi testado nos vários tipos de meditação integradas no sistema do budismo tibetano:

– a concentração unidireccional, a meditação com um objecto de suporte (o método usado por todas as escolas budistas com todos os principiantes – geralmente usa-se a respiração, uma imagem, uma luz, neste caso o monge escolheu uma pequena porca do aparelho de IRM que estava por cima dele)
– meditação sobre a devoção e a compaixão, em que a bondade dos mestres serve de modelo
– a meditação sobre a audácia, que envolve "trazer à mente uma certeza destemida, uma confiança profunda que nada consegue perturbar, decidida e firme, sem hesitações, na qual não nos opomos a nada e entramos num estado em que sentimos que, independentemente de tudo o que possa acontecer, não temos nada a ganhar nem a perder"
– a presença aberta, ou "estado aberto", um estado de atenção ou vigília livre de qualquer pensamento, no qual a mente fica "aberta, vasta e consciente, sem qualquer actividade intencional. A mente não está concentrada em nada, mas está totalmente presente, não de uma forma focalizada, mas simplesmente muito aberta e sem quaisquer distracções. Os pensamentos podem começar a aparecer com pouca força, mas não se encadeiam em pensamentos mais demorados, acabando simplesmente por se desvanecer".

A primeira constatação, é que o monge submetido ao teste conseguia regular voluntariamente a sua actividade mental, o que contrasta evidentemente com a maior parte dos sujeitos sem treino a quem é dada uma tarefa mental – o comum dos mortais não consegue concentrar-se exclusivamente numa tarefa, logo, os resultados apresentam muito "ruído" misturado com os sinais que demonstram as tarefas mentais voluntárias. Através das estratégias de meditação que usava, o monge conseguia alterar as grandes redes do cérebro de forma demonstrável. Alterações tão nítidas da actividade cerebral entre diferentes estados de espírito são uma excepção.

A segunda constatação é que, em estados meditativos sobre a compaixão, por exemplo, a actividade do lado esquerdo do cérebro associada às emoções agradáveis e positivas era aumentada (pessoas tristes ou depressivas, por exemplo, têm um nível de actividade mental mais elevada na zona pré-frontal direita). Aparentemente, a preocupação pelo bem-estar dos outros cria um estado de bem-estar mais elevado na própria pessoa, o que vem de encontro à ideia budista de que somos os primeiros beneficiados com a nossa generosidade e altruísmo. É de registar que estas experiências têm um carácter pioneiro a nível da investigação ocidental, pois frequentemente o método científico tem sido usado para analisar as emoções negativas, a depressão, a ansiedade, etc., e não se tem concentrado em tentar "perceber" o lado positivo da mente humana.

Outra componente interessante destes testes relacionava-se com a identificação de emoções: o desafio aqui é identificar emoções universais (identificadas por qualquer indivíduo, independentemente da cultura) em rostos que permanecem num ecrã durante um quinto de segundo. A capacidade de identificar emoções como o desprezo, a ira ou o medo, reflecte a nossa capacidade de empatia. Através de experiências realizadas em milhares de pessoas, tinha-se chegado à conclusão de que as pessoas que melhor reconhecem estas expressões (que passam muito rapidamente, decorrendo fora do campo da nossa consciência), estão mais abertas a novas experiências e mostram-se mais interessadas e curiosas sobre as coisas em geral. Também são consideradas pessoa fiáveis, conscienciosas, eficientes. Os "nossos monges" obtiveram resultados acima da média, acima mesmo de "especialistas" como polícias, advogados, psiquiatras e agentes de serviços secretos (considerados até ali os melhores).

Finalmente, os resultados de uma outra experiência foram considerados realmente espantosos. Há um reflexo que ninguém consegue "disfarçar", o reflexo do susto. Quando ouvimos repentinamente um barulho ensurdecedor, ninguém consegue controlar intencionalmente os sinais físicos correspondentes à surpresa ou ao susto. Por outro lado, a intensidade do reflexo do susto indica a magnitude das emoções negativas, como o medo, a raiva, a repugnância. Em testes de laboratório, ninguém conseguira reprimir esse reflexo. Usaram o disparo de uma arma para a experiência, um barulho que assusta qualquer um, mesmo atiradores da polícia bem treinados. O monge praticou dois tipos de meditação durante o teste, a concentração unidireccional e o estado aberto. Segundo ele, durante o estado aberto, o som explosivo pareceu-lhe ser mais suave, como se estivesse distanciado das sensações, a ouvir o som muito ao longe. Durante esse estado, não houve um mínimo reflexo facial, embora as medições a nível fisiológico demonstrassem algumas alterações ligeiras. Durante a concentração unidireccional, em vez do salto usual, houve uma diminuição da frequência cardíaca, da tensão arterial e das outras medições… Por outro lado, os músculos do rosto reflectiram algumas das modificações típicas do reflexo do susto, embora muito ténues. Dado que quanto mais uma pessoa se assusta, maior tendência tem para sentir emoções perturbadoras, estes resultados são considerados realmente espantosos, pois sugerem "um nível de serenidade emocional impressionante".

Outra experiência interessante, foi "confrontar" o monge budista com duas pessoas de ideias muito diferentes, embora essas duas pessoas fossem de caracteres opostos entre si. Um deles era muito afável e tolerante, o outro era difícil e contundente. Nos dois casos, a fisiologia do monge conservou-se sem alterações, embora as suas expressões faciais fossem diferentes – o monge sorriu com mais frequência ao falar com a pessoa mais afável (evidentemente). Neste caso, os dois sorriam e entusiasmaram-se de tal forma com a discussão que não queriam parar. No segundo caso, a pessoa "difícil" mostrava um grande nível de excitação emocional. No entanto, essa excitação foi diminuindo e no final disse: "não consegui entrar em confronto. Deparei sempre com a voz da razão e com sorrisos; é impressionante. Senti algo semelhante a uma sombra ou uma aura, e não consegui ser agressivo". Ou seja, ao interagir com alguém que não reage à agressão, só há vantagens.

Estes resultados, considerados extraordinários, deram lugar a um novo projecto, que se concentraria sobre pessoas "extraordinárias": pessoas que emanam bondade e em que há uma transparência entre a vida pública e privada, pessoas altruístas e inspiradoras por não darem importância ao estatuto e à fama, pessoas com uma forte presença pessoal, que encoraja os outros. O objectivo destas pesquisas não é demonstrar que este monge, ou quaisquer outras pessoas que venham a ser alvo de testes, são "extraordinários" em si mesmos, mas sim alargar as suposições que esta área de estudos faz acerca das possibilidades humanas. Ou seja, procurar as razões da felicidade e não as do sofrimento. Um mundo aberto.

Livro consultado: Emoções Destrutivas, e como dominá-las, de Daniel Goleman, Temas e Debates

Published in: on 26/07/2006 at 9:15  Deixe um Comentário  

Vegetarianismo – Parte II

 

Há cerca de um ano atrás, escrevi neste blog umas palavras pessoais sobre o vegetarianismo. Agora coloco aqui um documento que considero mais sério e credível – embora desconheça o autor do texto – para todos aqueles que queiram saber um pouco mais sobre este assunto.

..Dré


Porquê o vegetarianismo?

O veganismo* e o vegetarianismo* têm como objectivo reduzir o impacto negativo que as nossas acções têm sobre o bem-estar animal, o ambiente e nós mesmos, alterando o que está ao alcance de cada um – a alimentação.

Uma vez que o sistema de produção intensiva de animais provoca dor e angústia nos animais criados, desrespeita o ambiente e aumenta os problemas de saúde em quem os consome, devemos evitar estes produtos e começar a conhecer e explorar outros recursos económica e eticamente mais sustentáveis.

Pelos animais

Os animais de criação intensiva são tratados como máquinas. Deles é retirada a maioria da carne que é consumida nos países desenvolvidos.

Nos primeiros dias de vida, por exemplo, os bicos das galinhas são cortados com uma lâmina quente e as bois e os porcos são castrados a sangue frio.

Estes animais passam as suas vidas sem condições para se moverem livremente, devido ao minúsculo tamanho das suas celas, sem se conseguirem virar sobre si mesmos, levantar uma asa e muito menos estabelecer laços sociais e familiares com outros animais da mesma espécie.

Muitos só respiram ar fresco e vêem a luz do Sol quando são transportados no camião que os leva para o matadouro, sempre sem comida, água ou qualquer cuidado sanitário, chegando muitas vezes ao destino feridos, doentes ou mortos.

Já no matadouro os animais são frequentemente anestesiados de uma forma incorrecta ou nem sequer o são. Depois a sua garganta é-lhes cortada automática ou manualmente com uma faca quando os animais ainda estão frequentemente conscientes, dando uns últimos momentos de vida cheios de agonia e sofrimento injustificado.

Pelo ambiente.

Para além de serem necessárias enormes quantidades de água e terreno para alimentar os animais em regime de criação intensiva, os excrementos criados levam à poluição da terra, água, e ar.

Esta intensificação provoca a degradação do ecossistema global através da desflorestação, desertificação, poluição dos oceanos, destruição de matas, erosão do solo e mudanças climáticas.
Em Portugal as suiniculturas, com uma criação nacional anual superior a 2 milhões de porcos, são o principal problema de poluição fluvial (Quercus).

Por outro lado e em relação aos recursos desperdiçados, a produção de carne é pouco eficiente comparada com a produção de vegetais. Em média, para cada refeição de carne produzida são usados os recursos que poderiam servir para produzir 10 refeições baseadas em vegetais.

Numa altura em que a fome no mundo e a aumento da rentabilidade dos recursos terrestres se tornam assuntos cada vez mais importantes, a alimentação vegetariana surje como uma forte ferramenta que contribui para a melhoria da situção actual.

Pela sua saúde.

Na comunidade portuguesa a carne está associada a uma imagem de abundância e vitalidade, existindo a ideia de que só através dela se pode obter a energia, as proteínas e o ferro necessários ao organismo. Mas esta é uma ideia incorrecta.

Inúmeros estudos científicos já comprovaram que os ocidentais seguem uma dieta onde existe excesso de proteína, açúcar, gordura saturada, colesterol, pesticidas e com poucas fibras.

Sabe-se também que os povos que consomem produtos animais são mais suscetíveis ao cancro da mama, próstata e cólon, ataques cardíacos, obesidade, osteoporose, artrite, diabetes, asma, pedra nos rins e impotência e que quanto mais restricta é a alimentação vegetariana (desde a simples redução do consumo de carne, passando pela alimentação ovo-lacto vegetariana até à alimentação estrictamente vegetariana – "vegana") menor é o risco de se ter estes problemas.

Para além disto, a carne contém acumulações de pesticidas e outros produtos químicos até 14 vezes mais concentrados do que em alimentos vegetais.

Um pormenorizado relatório sobre dieta vegetariana produzido recentemente pela Associação Dietética Americana e pelo grupo Nutricionistas do Canadá revela que não existem problemas de saúde associados a uma alimentação vegetariana equilibrada e que, pelo contrário, este regime alimentar reduz o risco de várias doenças.

Conclusão

Sendo o vegetarianismo uma alternativa mais ética, ecológica e saudável pedimos que cada pessoa reflicta sobre a possibilidade de a adoptar no seu dia-a-dia. Devemos fazer um pequeno esforço para criar hábitos mais positivos e responsáveis.


*De uma forma simplificada e despreocupada pode definir-se vegetarianismo e veganismo da seguinte forma:

Vegetarianismo – Regime alimentar onde é evitado o consumo de animais mortos – vacas, porcos, frangos e qualquer tipo de peixe, por exemplo.

Veganismo, também chamado vegetarianismo puro ou estrito – Regime alimentar onde é evitado o consumo de qualquer produto de origem animal – leite de vaca e ovos para além da carne e peixe, por exemplo.

 Perguntas frequentes….

Porque é que defendem o vegetarianismo?

Existindo uma alternativa saudável e saborosa, preferimos evitar o sofrimento, exploração e morte de animais que sentem e sofrem tal como os humanos, excluindo-os na nossa alimentação.

Os animais não sofrem!

Os humanos, que também são animais, rejeitam ser explorados ou mortos porque preferem viver uma vida sem sofrimento. São dotados da capacidade de sofrer porque possuem um sistema nervoso central, que lhes permite compreender que uma situação, como ser explorado ou morto, é indesejada. Só através do medo e violência se consegue obrigar um humano a fazer algo que este não deseja.

Os animais usados na alimentação possuem também a capacidade de sofrer porque possuem um sistema nervoso central, tal como os humanos. São capazes de criar laços afectivos, sentir alegria, ansiedade e dor. Os animais sentem mais do que possamos pensar inicialmente.

Como é que podemos ter a certeza que os animais sofrem?

O sofrimento é um estado de consciência e por isso nunca pode ser observado. Podemos apenas inferi-lo a partir de sinais exteriores. Quando vemos alguém a magoar-se, inferimos que essa pessoa se magoou pelas suas expressões faciais, movimentos corporais e por gemidos.

Quase todos os sinais exteriores de sofrimento, que nos levam a concluir que os outros humanos sofrem como nós, podem também ser observados noutras espécies, especialmente mamíferos e aves.

Estes sinais incluem contorção do corpo e da face, gemidos, uivos ou outras formas de chamamento, tentativas de evitar a fonte de dor, aparência de ter medo na possibilidade da sua repetição, entre outros. Para além disso quando um animal sente dor existe um aumento inicial da pressão sanguínea, dilatação das pupilas, perspiração, aumento do ritmo cardíaco e, se o estímulo se mantiver, uma redução da pressão sanguínea, tal e qual como nos humanos.

Embora os humanos possuam um córtex cerebral mais desenvolvido do que os outros animais, esta zona é responsável por funções como o raciocínio e não por impulsos básicos, emoções ou sentimentos. A zona responsável por estas funções mais primárias é o diencéfalo e este está bem desenvolvido em todos os mamíferos e aves.

Então também não comem peixes/moluscos/caracóis? Eles não sofrem tanto.

É difícil estabelecer uma fronteira exacta entre os animais que têm auto-consciência e desejo de não morrer e os animais que têm uma capacidade rudimentar e simples de percepção e resposta a estímulos. Desta forma, é difícil precisar, por exemplo, a partir de que altura é que uma pessoa é alta ou a partir de que idade uma pessoa é idosa.

Mesmo assim, sendo os peixes/moluscos/caracóis animais que apresentam uma maior simplicidade ao nível do sistema nervoso, não significa que estes possam ser explorados e mortos unicamente para servir a fome dos humanos, quando estes possuem formas alternativas de se alimentarem.

Vários
estudos científicos
provam que, por exemplo, os peixes são também capazes de sentir dor e apresentam uma complexa capacidade de reagir a ela, tal como os humanos.

Os animais são criados para os comermos!

O facto de um animal ser criado com um certo objectivo não altera a sua capacidade biológica de sentir sofrimento e de desejar não morrer. Este sentimento é igual nos humanos e faz com que qualquer pessoa não tenha o direito de explorar e matar outros humanos. Logo, o conceito de criar e matar animais para consumo humano é eticamente reprovável.

E as plantas… não sofrem?

Não, as plantas não sofrem nem possuem a capacidade de criar expectativas, nem de desejar não morrer. Elas não possuem qualquer centro de organização de informação (o cérebro) como os animais.

As plantas são capazes de responder a certos estímulos exteriores, que podem levar a alterações no seu desenvolvimento ou crescimento e possuem também um sistema hormonal complexo mas, até hoje, nunca foi encontrada qualquer prova cientificamente válida de que elas sofram.

Será que elas sentem e ninguém ainda o descobriu? É improvável mas talvez possível. Pelo menos, por enquanto, devemos pensar naquilo que já sabemos, e o que se sabe é que os animais que comemos sentem e sofrem como os humanos.

Se os animais comem outros animais, porque é que eu não hei-de comer? É a lei da Natureza.

Ao contrário dos outros animais, os humanos, por serem animais racionais, conseguem criar novas alternativas e são capazes de escolher uma mudança de hábitos. Para isso basta-lhe ter uma boa razão para a mudança de hábitos, e a ética e o respeito pelos outros seres que habitam connosco este planeta é uma óptima razão.

Um leão não consegue raciocinar sobre ética ou criar novas alternativas e por isso nunca chega a pôr a hipótese de poder alterar os seus hábitos.

Um animal irracional não tem direitos porque não tem deveres.

Mesmo que de um ponto de vista jurídico um animal não possua direitos, os humanos têm o dever moral de respeitar esse animal e de não explorar ou provocar sofrimento desnecessário, pois é um indivíduo que possui a capacidade de sentir dor e sofrimento, de criar laços afectivos e de ter o desejo de não morrer, tal como os humanos.

Os humanos são omnívoros e por isso têm de comer carne.

Os humanos de facto são omnívoros mas isso não nos obriga necessariamente a comer carne. Permite-nos, sim, escolher entre uma alimentação baseada em carne e peixe ou uma baseada maioritária ou exclusivamente em vegetais.

Apenas para que compreenda que não somos “fisiologicamente obrigados” a comer carne, note nas diferenças que nos levam a ser mais aptos para uma alimentação vegetariana do que para uma baseada em carne: os animais carnívoros possuem garras, dentes caninos longos e ausência de molares posteriores, acidez do suco estomacal muito elevado e digestão rápida dos alimentos; por outro lado, os humanos e herbívoros não possuem garras, os seus caninos são minúsculos (nos humanos, estando melhor preparados para trincar fruta do que para rasgar a carne de um animal) ou inexistentes (herbívoros), possuem molares posteriores, o ácido do estômago é 20 vezes menos concentrado do que nos carnívoros e a digestão dos alimentos é relativamente lenta.

Eu prefiro comer animais de criação extensiva. Esses não são maltratados.

De facto, o conceito de criação extensiva pressupõe um menor sofrimento durante a criação dos animais. No entanto, estes animais possuem, tal como os humanos, a capacidade de sentir sofrimento, dor e angústia e não desejam ser explorados nem mortos para servir as necessidades de outro animal. Assim, em qualquer tipo de criação animal, o respeito para com os animais que possuem estes sentimentos é violado.

Por outro lado, a criação extensiva também recorre aos mesmos métodos de transporte e morte no matadouro utilizados na criação intensiva, sendo os animais mortos em condições extremas, agonizando até ao seu último momento de vida. Em nenhum dos sistemas se pode dizer que o animal não sofre ou sofre pouco. Para que se coma o animal ele teve que morrer e para ele morrer teve de sofrer. Não existe um método indolor de matar animais. Mesmo que existisse, apesar de ser uma maneira mais "simpática", continuar-se-ia a explorar e a matar um animal com o único objectivo de saciar a sua fome, quando existem outras formas de o fazer sem causar sofrimento. A questão principal não deve ser: “como é que se pode diminuir o sofrimento?” mas sim “como é que se pode acabar com o sofrimento?”. A resposta está na vontade de cada um.

O que me preocupa é a fome/guerra/desemprego/trabalho infantil/abandono de animais de companhia/touradas/etc…. O vegetarianismo é pouco importante.

Estas questões são de facto muito importantes e cada pessoa deve fazer o máximo para que mudem. A grande diferença é que enquanto uma pessoa tem pouco ou nenhum poder para alterar a forma como certas coisas são feitas por outras pessoas, qualquer um de nós tem o poder de alterar o que está mais ao seu alcance – a sua alimentação.

O vegetarianismo não impede nem se sobrepõe a outras causas justas que defenda.

Não é pelo facto de eu me tornar vegetariano/a que vá fazer alguma diferença.

O poder dos consumidores é um dos maiores que existe. Ao se recusar em comprar produtos de origem animal, leva a uma redução dos lucros de uma indústria que os obtém através da exploração e morte animal. Ao consumir produtos vegetarianos permite que estes estejam mais acessíveis para futuras gerações. Foi com a empenho inicial de apenas alguns vegetarianos que se conseguiu hoje criar uma enorme rede de lojas e restaurantes vegetarianos, ao passo que o consumo de carne tem vindo a diminuir nos países desenvolvidos.

Comer carne não é contra natura.

Sim, mas também não é isso que tentamos dizer. O que dizemos é que se existe uma alternativa vegetariana à ingestão de carne que é mais saudável, saborosa, ecologicamente mais responsável e que, principalmente, rejeita a exploração dos animais, então cada um de nós deve reflectir sobre as vantagens que esta alimentação tem e se a consegue implementar no seu dia-a-dia. Se conseguir fazê-lo estará a fazer bem a si, ao planeta e aos animais.

Os humanos estão no topo da cadeia alimentar. São predadores. Se deixarmos de comer carne o ecossistema deixa de funcionar.

Há muito tempo que esta cadeia foi manipulada/subvertida pela indústria da carne, de forma a produzir enormes quantidades de carne para toda a população, afastando-se a passos largos do que se entende por uma cadeia alimentar equilibrada. Os humanos não têm necessidade de comer carne e podem facilmente substitui-la por alimentos de origem vegetal. Com a enorme quantidade de recursos gastos e poluição produzida pela indústria da produção animal é que se vai aumentando diariamente o desequilíbrio entre a Natureza e o Homem.

Se nós não comermos os animais eles ficavam à solta.

Isso só seria possível se a partir de amanhã todas as pessoas se tornassem vegetarianas. Como esta mensagem não chega a todas as pessoas ao mesmo tempo, há uma diminuição gradual desta indústria o que leva a que nunca exista a necessidade de libertar os animais, mas sim de deixar de os criar e explorar.

A criação de carne alimenta uma indústria que dá emprego a muita gente.

Isso é verdade mas não seria a primeira vez que novos hábitos sociais mudariam a economia e, portanto, o emprego dos trabalhadores. Os postos de trabalho não iriam diminuir, apenas iriam ser substituídos. Qualquer ser humano tem uma grande capacidade de adaptação e muitas tarefas desaparecem frequentemente para dar lugar a outras. Por exemplo, o aparecimento dos automóveis levou a que os postos de trabalho para construtores de coches e criadores de cavalos diminuíssem acentuadamente, mas novos postos de trabalho foram criados para a construção e manutenção de carros.

Se não comermos os animais, certas espécies extinguem-se.

E será eticamente correcto provocar sofrimento, explorar e matar animais de uma espécie com a justificação de evitar que a espécie se extinga?

É impossível sermos todos vegetarianos. Os esquimós, por exemplo, têm obrigatoriamente de se alimentar de animais.

O vegetarianismo parte do princípio de que se deve evitar, sempre que possível, a ingestão de animais. Se não for possível, tal como para os esquimós que não têm nenhuma outra fonte de nutrientes que não seja animal, então cada um, dentro das suas possibilidades, deve fazer o máximo para evitar o sofrimento animal. No entanto, cabe a cada um de nós a tarefa de criar as condições para que exista uma alternativa.

Uma alimentação vegetariana, como exclui a carne, tem menos diversidade do que uma alimentação com carne.

Pelo contrário. A alimentação vegetariana recorre a uma variedade de alimentos que não chegam a ser utilizados numa alimentação não-vegetariana. Se experimentar o vegetarianismo, vai reparar que existe uma variedade surpreendente de alimentos, que não conhecia ou não usava, e que podem ser cozinhados de mil e uma maneiras saborosas.

Se eu não comer carne não vou ingerir proteínas/ferro/calorias suficientes e posso ficar doente.

Se continuar a comer carne também pode ficar doente. Desde que faça uma alimentação equilibrada e diversificada não deverá ter problemas de carência de qualquer nutriente, pelo contrário, observará que a sua saúde melhora ou, no mínimo, mantém-se. Se continua com receio visite um nutricionista e diga-lhe que está a pensar tornar-se vegetariano/a. Assim não correrá nenhum risco.

Os vegetarianos não são pessoas pálidas e apáticas?

Não. Pessoas mal informadas e descuidadas na alimentação, por vezes movidas por motivos exclusivamente estéticos, optam pelo vegetarianismo, provocando-lhes problemas de saúde. Os vegetarianos são pessoas normais como você que simplesmente preferem ter uma alimentação livre de sofrimento e exploração. A sua saúde é o mais importante, mas não deve ser um obstáculo para que opte por uma alimentação livre de sofrimento, uma vez que se fizer uma transição gradual e informada, não deverá ter qualquer problema. Vários estudos imparciais já concluíram que o regime alimentar vegetariano é mais saudável do que um baseado no ingestão de carne.

Eu gosto de comer carne.

Já experimentou comer comida vegetariana? Se for bem preparada, consegue ser bem mais apetitosa e saciante que a carne, para além de não lhe deixar o peso na consciência por ter provocado morte e sofrimento num animal.

Mas o animal já está morto. Eu não matei nada, só comi.

Pode não ter morto, mas deu dinheiro para matar. Ao dar dinheiro por um animal ou parte dele está a criar um “efeito de prateleira”, ou seja, ao dar dinheiro pela carne está a retirar um produto e a deixar um lugar vago na prateleira. Com esse dinheiro o comerciante vai poder matar outro animal para substituir o que acabou de levar, preenchendo o lugar vazio.

De facto o animal que come já não sofre mais, mas ao alimentar esse negócio, está a fazer com que outros animais sofram em seguida.

É muito difícil deixar a carne.

Já experimentou? Não custa muito. Experimente durante algumas semanas fazendo receitas que ache que vai gostar e procurando novos alimentos. Se começar gradualmente a eliminar produtos de origem animal custa menos e, desta forma, dará tempo para que o seu corpo se habitue à sua nova alimentação. Peça ajuda a outros vegetarianos e/ou a um nutricionista.

A alimentação vegetariana não é mais cara?

Não. É claro que existem produtos congelados e prontos-a-comer que são obviamente caros porque implicam um elevado nível de processamento e ainda porque geralmente são importados. Mas uma alimentação vegetariana sem estes pequenos luxos consegue ser, sem dúvida, mais económica.

O que é que eu como se me tornar vegetariano?

Existem várias alternativas e cada dia aparecem mais. Os substitutos da carne mais comuns são o seitan, tofu, e diversas leguminosas, embora a oferta em supermercados e lojas de produtos dietéticos tenha vindo a aumentar muito nos últimos anos. Pergunte em lojas de produtos naturais ou a outros vegetarianos, procure receitas na Internet ou improvise.


Published in: on 06/07/2006 at 19:55  Deixe um Comentário  

Um dia em África sob a perspectiva de 100 fotógrafos!

Parece-me um site interessante, com fotografias excelentes. Vale a pena dar um saltinho…

 
 
 
Dré

Published in: on 22/08/2005 at 22:43  Deixe um Comentário  

O que é que respondem?

     «Nos últimos 3000 anos, Moisés, Gautama, Jesus, Dogen, Krishnamurti, Thich Nhat Hanh e muitos mestres e sábios nasceram neste planeta. (…) Não sentirão eles um profundo temor pelo que andamos a fazer agora? Eles realmente sabem e repetidamente avisaram-nos para voltarmos à paz profunda que existe numa vida humilde. Temos andado demasiado ocupados para os ouvir, demasiado ocupados a tentar atingir a riqueza nacional e segurança com o conceito de honra nacional e a desenvolver as mais avançadas tecnologias de morticínio e destruição em massa, por meio de guerras em grande escala, nas quais temos estado envolvidos! O que significa isto?

     Significa que nós – cada um de nós – não foi capaz de descobrir dentro de si mesmo a própria paz original.

     Consideremos agora que tipo ou qualidade de planeta é que estamos, na verdade, a deixar a todos os nossos netos e netas. Estamos a fazer-lhes um belo paraíso verde na terra, ou um perigoso inferno? Infelizmente, neste momento, só posso responder pelo último. E se daqui a quarenta ou cinquenta anos eles nos colocarem esta séria questão:

     "Por que permitiram um mundo cheio de poluição, venenos e forte radioactividade, cheio de doenças desconhecidas e sofrimento de morte? O que é que afinal vocês nos fizeram?"

      Se o vosso neto vos perguntar isto, o que é que respondem?»

 

Hôgen Yamahata, Folhas caem, um novo rebento

___________

      Eu tenho vergonha de ser co-responsável pelo mundo de sofrimento que tem vindo a ser criado; tenho vergonha de ser mais um que, não fazendo nada de extraordinário para destruir o mundo, não faço absolutamente nada para o salvar ou melhorar. Se isto continuar assim, não terei respostas para dar aos meus filhos e netos sem ser a minha silenciosa vergonha.

 

..dré

Published in: on 03/08/2005 at 9:41  Deixe um Comentário  

Tibete – Um país em extinção?



A invasão do Tibete e a progressiva dizimação de uma cultural milenar

Por Patrícia Sá

 

BREVE DESCRIÇÃO DA INVASÃO

Em 1950, quando Mao pede à China para dar o "grande salto em frente", o Exército de Libertação Chinês ocupa Lassa, a capital do Tibete. Perante o silêncio internacional, os chineses iniciaram um "programa" de dizimação da cultura e sociedade tibetanas, sob o pretexto de ajudar os tibetanos a regressarem à pátria-mãe chinesa e de os libertar do "jugo do feudalismo". Com o início dos confrontos armados em 1959, o Dalai-Lama foi obrigado a deixar o seu país e exilar-se na Índia, em Dharmsala. Actualmente Dharmsala é a sede do governo tibetano no exílio que, liderado pelo Dalai-Lama, se dedica à causa da libertação do Tibete, através da não-violência . Juntamente com seis milhões de Tibetanos espera que a comunidade internacional reaja à situação do seu país.

Em Maio de 1951 foi imposto ao governo tibetano o "Acordo dos 17 pontos para a libertação pacifica do Tibete", que entre outras coisas, dava soberania à China sobre o Tibete, mas reconhecendo a autonomia do governo tibetano no que respeitava aos assuntos internos. A China comprometia-se a não alterar o sistema político existente, a não interferir com o estatuto do Dalai Lama e do Panchen Lama e a respeitar a autonomia , religião e costumes dos Tibetanos – clausulas nunca cumpridas pela China.

Em 1959 o não cumprimento pela China da clausula da autonomia induz a um levantamento nacional, que culmina com o exílio do Dalai Lama na Índia. A sua partida desencadeou uma repressão muito dura e a artilharia chinesa acabou facilmente com a resistência tibetana. Depois disso, 85.000 tibetanos fugiram do seu pais.

A destruição da cultura do Tibete e a opressão do seu povo foi brutal nos anos seguintes ao levantamento nacional resultando na morte de 1.2 milhões de Tibetanos, ou seja, um quinto da população. Muitos outros foram presos ou deslocados para campos de trabalho. Foi levado a cabo um processo de destruição de mais de 6000 mosteiros, templos e outros edifícios históricos.

Em 1965, a China conferiu ao Tibete o estatuto de região autónoma. Tentou demonstrar à comunidade internacional os benefícios da ocupação chinesa através da construção de hospitais, centrais eléctricas, estradas e escolas. No entanto, este progresso material em nada beneficiou os tibetanos (que são já uma minoria no seu próprio país), antes pelo contrário, somente aproveitou ao crescente número de emigrantes chineses que, encorajados pelo governo, continuam a usurpar todos os sectores político – económicos do Tibete.

 

RECUPERAR A AUTONOMIA PELA NÃO VIOLÊNCIA

Apesar do estatuto de região autónoma, o Tibete enfrenta todas estas situações que, na realidade, o reduzem a um território não autónomo. O capítulo XI da Carta das Nações Unidas designado "Declaração relativa aos territórios não autónomos" dispõe nos termos do seu artigo 73º que os membros das N. U. se comprometem a assegurar, nesses territórios, o respeito pela cultura, a sua protecção contra abusos, a capacidade de governo próprio, o desenvolvimento científico e económico, a construção da paz. Numa palavra, promover a sua autonomia. No entanto esse dispositivo faz escassas referências à fiscalização efectiva, pelos órgãos das Nações Unidas. Por isso, e apesar das condenações das organizações humanitárias, no Tibete os activistas pró – independência foram alvo de prisões arbitrárias e muitos foram torturados. Detidos por empunharem a bandeira tibetana, por distribuir panfletos ou por possuir material sobre o Dalai-Lama. De acordo com os relatórios da Amnistia Internacional, entre 1987 e 1989, centenas de manifestantes tibetanos foram vítimas do abuso de poder das autoridades chinesas. A tortura ainda é largamente utilizada como método de interrogatório e castigo, sobretudo nos prisioneiros políticos.

O décimo quarto Dalai-Lama recebeu em 1989 o prémio Nobel da Paz em reconhecimento pela sua dedicação à causa da libertação do seu país por meios não violentos. O líder espiritual fala, com tristeza, da devastação dos mosteiros, da destruição das obras de arte, do desrespeito pela religião e pelo modo de vida pacífico dos tibetanos. Não procura culpar ninguém da situação no seu país e percebe a complexa teia política que impede a comunidade internacional de tomar uma posição mais dura face a um país como a China. O que impede então a comunidade internacional de actuar de forma veemente à luz dos seus valores face à violação chinesa dos Direitos Humanos ? Não há diálogo entre a República Popular da China e as organizações internacionais dos Direitos Humanos oficiais e não oficiais. O governo chinês e os seus líderes recusam-se sistematicamente a reunir com a Amnistia Internacional para debater assuntos relacionados com os Direitos Humanos. As autoridades chinesas consideram estas reuniões uma intromissão nos assuntos internos do seu país.

Os Tibetanos mantêm intacto o orgulho que sentem pela sua cultura e continuam a lutar pacificamente pela sua autodeterminação, seguindo o seu líder, Tenzin Gyatso (Dalai-Lama). Apesar da inflexibilidade chinesa em abandonar o território, apesar da repressão de que são alvo, o povo do Himalaia vai continuar a difundir a sua mensagem de amor e harmonia entre as nações, que só poderá concretizar-se com muito esforço e perseverança!

Published in: on 17/06/2005 at 8:32  Comments (1)