Os meus verdadeiros corpo e alma

Observo, analiso e compreendo que a experiência imediata é vazia de separação entre sujeito e objecto, que a distinção entre interior e exterior é ilusória. Tudo é interior, tudo é íntimo, tudo é Eu, a mesma Presença-Existência contínua.

Dessa forma, a ter um corpo, o único possível é a totalidade da experiência, e nunca uma mera parte da mesma. Tudo o que é visível ou experienciável é a manifestação do que sou. O meu corpo é todo o universo visível. Onde existirem características discerníveis, aí estarei Eu.

Quanto à minha alma, ela é o espaço invisível, inqualificável, indiscernível que é a origem de toda a experiência, de toda a realidade perceptível. Todas as características pertencem ao mundo do observável – ao meu Corpo. A minha Alma, estando para além de qualquer característica ou traço definidor, é inconcebível, imperceptível e indescritível.

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Desse modo, ainda que inseparável do universo observável, nem dentro nem fora dele a Luminosidade fundamental pode ser encontrada. É o misterio inultrapassável, o paradoxo indecifrável. É absolutamente invisível, ao ponto da não-existencia, pois nenhuma característica lhe pode ser atribuída; é absolutamente inegável, ao ponto da certeza gritante, dado que sem esta Claridade primordial nenhuma característica experiencial seria discernível – tudo seria uma escuridão intransponível, uma incontornável não-existencia total.

Este pequeno texto é a manifestação natural e simultaneamente a prova fundamental da presença do supremo mistério da existência – a Invisibilidade última que permite todo o visível. A alma do universo, a raiz e fruto de todo o Cosmos, origem e destino de todas as coisas, a profunda Identidade de todos nós, nada mais é que a Perceptividade imaculada que lê estas palavras, a Luminosidade observadora que diariamente testemunha o mundo, o Sujeito invisível que é o verdadeiro Eu de todos os seres.

Published in: on 21/06/2015 at 16:31  Comments (2)  
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