A vida como a conhecemos

Acho fascinante e revolucionário o simples facto de nenhum ser humano, alguma vez, em qualquer ponto da história, ter experienciado algo que não apenas a sua própria consciência.

O que julgamos ser o aço da torre Eiffel é, na verdade, apenas uma inefável e insubstancial imagem na nossa mente, uma representação neuronal de uma suposta realidade exterior – suposta, na medida em que, dado que nunca experienciaremos essa realidade, podemos naturalmente questionar a sua existência. Nada há de sólido ou físico na nossa experiência, à semelhança de uma projecção holográfica.

 Não entrando em campos ontológicos(1), realço apenas o quão extraordinária esta simples reflexão pode ser. Mesmo que a materialidade exista, a complexa multiplicidade de seres, bem como um mundo exterior e objectivo, a verdade é que essas (aparentemente) sólidas “realidades” nunca são – ou poderão sequer alguma vez ser – experienciadas objectivamente. Experiência implica inevitavelmente consciência, que é sempre subjectiva e imaterial. Toda a experiência é de uma natureza intimista, inefável e quiçá onírica.

A nossa vivência está para sempre encarcerada numa cela de subjectividade e imaterialidade, habitante num casulo de luminosidade, de não-separação e universalidade. Na experiência mental – que é a única “realidade” disponível -, tudo é sempre apenas uma mesma substância, um mesmo campo aberto de percepção, uma sopa indiferenciada e unificada de existência-consciência. Uma possibilidade muito válida para a libertação da condição humana poderá estar apenas à distancia de um olhar mais atento.

Independentemente das fragilidades ontológicas que possam ser apontadas a esta perspectiva epistemológica(2), a vida como a conhecemos é sempre e apenas consciência. Tudo o que alguma vez encontraremos estará eternamente dentro do nosso crânio. Somos os deuses da nossa existência subjectiva, a realidade suprema e transcendente do nosso intra-cosmos.

          (1) Ontologia consiste numa parte da filosofia que estuda a natureza do ser, da existência e da realidade.

         (2) Epistemologia consiste numa parte da filosofia que estuda o conhecimento humano, a sua natureza e validade.

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