Tudo o resto é sombra

Deus é grande,
I m e n s o,
VASTO
para além de qualquer esforço do pensamento!

No coração Dele mergulho,
no meu mergulha Ele.
Neste mergulhar
surge a compreensão de que
o
coração que mergulha
é o coração mergulhado.

Apenas Um
é.
E apenas isto é Paz.
   Apenas isto é Luz.
Tudo o resto será
sempre e eternamente
sombra e poeira
e lama sob uns pés que não vêem.
Tudo o resto ser
á
sempre
um tormento sem fim,
um firmamento
eternamente sem estrelas.

          Entrar em casa
          sereno e feliz,
          verdadeiramente sereno e feliz,
é o único céu onde pouso o olhar
e pelo qual anseio.
Por isso vim até aqui.
Por isso caminharei enquanto caminhar.

É esse o sonho
por detrás
de todo
e qualquer passo
      dado neste canto
      deste mundo.

Dré

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Published in: on 27/06/2009 at 11:15  Deixe um Comentário  

In the forest

16 Jun

Listening to Mooji on my mp3
player in the redwoods forest, he asks, "Can the observer be observed?
That which sees, can that be seen? You see everything, can you be
seen?" I pause the player and try to find an answer. Mooji said, "use
all you have to answer me, if you can". I try… Can the seer be seen?
Can the space in which everything happens, can that be seen? My mind is
running fast in search for an answer. I see the movement of the mind,
but the space is forever unseen, the seer cannot be seen, the eye
cannot see itself.

Then comes the recognition that I am indeed
that space where all is seen and there is no need to see it, the seer
has no need to see itself. There is this huge presence, huge
beyond any idea of hugeness, infinite and absolute beyond anything
imaginable. It is huge not because it is too big, but because it stands outside of space. Space appears in It, It does not appear in space. It lies where space and time are no more, so the mind is forever bound to not touch it. I am that space where all appears. Body and mind and world
appear in it, but the space is completely beyond them and not connected
with what is seen. This body-mind has absolutely nothing to do with it.

There
is a clear knowing that this presence is God, it is the Ultimate. A
deep reverence dawns on me, I feel like prostrating myself to It.
There’s an energy flowing in this body, a bliss, it feels like an
Ayahuasca "high", but without the drugs. It may be a kundalini
awakening. Who cares?

It is seen that the True Understanding has
nothing to do with this body-mind, it comes from beyond it – way, way
beyond. Beyond words, beyond description, beyond imagination or the
wildest dreams. This Void is unfathomable, it is untouchable. The world
is nothing but a dream – images and perceptions always seen from This,
always perceived by the space where they float in. All ideas of ever
having been inside a body or a world, of ever having "incarnated" make
absolutely no sense whatsoever. This Space was never in the world; the world itself is a tiny something in this Space.

There was a sense of
familiarity, of "home", in all this, like I had this experience many
times in my life – but I haven’t. There was also a fear, like something
was afraid to die or disappear.

Whatever is done in the
appearance, inside the dream, it is always just appearance, always
dream activity. The dreamer, the Void, the Ultimate Space, the
Unfathomable Emptiness is always beyond any activity.

The true
nature of reality is extraordinary beyond comprehension. It is simply
amazing and amazingly simple – when it is seen clearly.

Dre’

Published in: on 20/06/2009 at 0:23  Deixe um Comentário  

O estranho



na ausência
de auto-conhecimento
vives
vinte e quatro horas
por dia
com um estranho

e o estranho
és tu próprio

dré

Published in: on 19/06/2009 at 10:35  Deixe um Comentário  

Ramblings about IT


It is not about practice as I see it.
Practice happens in the dream world

to dream characters.
But
indeed it seems to be helpful to ponder about this things.
Pondering
deeply,
direct looking,
sincere seeking,
a thirsty heart for truth

It just happens that all that is seen is not IT.
  IT does the seeing.
  What is IT?
  IT
is the space embracing everything.
All experiences
and perceptions
appear in IT.
Where do we stand in relation to IT?
Are we IT?
The bodies and minds are just appearances,
as any other.
IT is completely unrelated to them.
IT is closer than that,
more intimate.
                         
                        Dré

Published in: on 18/06/2009 at 10:15  Deixe um Comentário  

Desenhos na água


As palavras
são como riscos
desenhados no mar

Incapazes
na tentativa de descrever
a própria água
onde são escritas

Dré

Published in: on 18/06/2009 at 3:47  Deixe um Comentário  

IN FI NI TO


Tenho o infinito
na menina dos
olhos

Para onde quer
que olhe vejo
tudo sem
fim

Dré

Retirado e adaptado d’ O Gé
nio

Published in: on 13/06/2009 at 4:40  Deixe um Comentário  

The California Diaries VII

Bem, já há bastante
que não actualizo este diário, tenho andado com uma preguiça gigante,
nunca mais escrevi no caderno, por isso vou fazer aqui um apanhado
geral do que se passou desde que vim da viagem do norte em inícios de
Abril.

Pouco tempo depois foi-me dado um
passe de sete dias para um ginásio aqui em Santa Cruz, durante uma semana usufrui das
instalacoes abertas durante 24 horas na Soquel Ave, foi bastante
divertido, voltei a nadar, algo que não fazia há já vários anos, se
excluir os tropecoes dados na banheira de quando em vez, passeei-me
pela sauna e a sala de vapor (steaming room), tambem por uma espécie de jacuzzi
(digo espécie porque eles chamam-lhe whirlpool e não jacuzzi, não
sei se há alguma diferença), corri nos tapetes rolantes, coisa que
nunca tinha feito, se excluir também as aventuras nas escadas rolantes
dos centros comerciais, andei cinco minutos de bicicleta, sem sair do
lugar, claro, mas desisti logo, farto de andar de bicicleta estou eu,
experimentei uma outra maquina, enfim, foi a loucura.

Nessa altura também fiz algum jogging por aqui, mas a vontade passou-me depressa. Porém, foram dias interessantes.

Praia de Santa Cruz – ja comeca a parecer-se com isto!


Depois fui, com mais quatro
companheiros, visitar um cavalheiro que vive em Sonoma, uns quilómetros
razoáveis acima de São Francisco, eh um homem indiano, pintor de
elevadissimo talento e "mestre" espiritual de calibre incalculável, uma
dádiva em carne e osso, um Buda em plena Califórnia, das suas palavras
brota uma frescura, uma agua cristalina que provem certamente do calor
abrasador que emana do sol que tem no peito, uma pérola em forma
humana. Estivemos os cinco a conversa durante quatro horas, depois
fomos ver alguns dos quadros dele, pinturas de teor abstracto e
espiritual, mais parecem portais entre o manifesto e o
não-manifesto, entre o Vazio e a Forma, menos do que aquilo e seria uma
tela em branco, mais do que aquilo seria apenas mais um quadro.

Dia vinte e sete de Junho arranco para Sonoma, onde estarei com o Prasanna durante cerca de duas semanas.


Entretanto descobri um dos locais
mais bonitos e especiais para mim, chama-se Henry Cowell Redwoods State
Park, uma catrefada de hectares repletos de pequenas jóias da Terra
Mãe, locais repletos de densas florestas e árvores altíssimas, algumas
com mais de mil anos, outros locais mais arenosos, vegetação rasteira e
cenários quase desérticos, riachos a serpentear pelo meio das árvores,
trilhos sem fim para ser explorados. Tenho acampado por la varias
vezes, já la dormi nove noites, sem tenda, apenas eu, o saco-cama e cem
mil árvores!

Henry Cowell



Henry Cowell



Mais tarde voltei a barra do
tribunal, a primeira audição foi dia 5 de Marco, a qual pendeu para o
meu lado, depois o outro cavalheiro apelou, voltamo-nos a encontrar dia
5 de Maio, mas uns encontrões logísticos no tribunal empurraram a
audição para nova data, dia 2 de Junho, la voltamos a confrontarmo-nos,
o juiz era outro e com ele veio menos paciência e vontade de aturar as
nossas argumentacoes, a decisão voltou a pender para o meu lado,
questão judicialmente encerrada, falta ver se ou quando vira o dinheiro
chegar as minhas mãos.

E, em termos muito gerais, tem sido isto!

Dre’

Published in: on 13/06/2009 at 3:31  Deixe um Comentário  

No bater do meu coração


Apetecia-me abraçar-te
agora,
e que,
no bater
do meu coração,
sentisse
o bater do teu.

Apetecia-me mergulhar
agora
no muito mar
que tens nos olhos.
Para onde quer
que olhes,
tudo é profundo,
tudo cheira
a sal
e a horizonte.

Dré

Published in: on 08/06/2009 at 22:39  Deixe um Comentário  

Elogio d o S i lêncio



Um silêncio que tudo abarca, não há limites para isto, tudo é possível
nos braços deste silêncio, nas páginas em branco tudo se escreve, tudo
se apaga, nada vale mais que nada, tudo vale apenas nada, e este nada
vale mais do que tudo o que algum homem nesta terra poderá alguma vez
imaginar, os tesouros mais grandiosos da humanidade, do universo, não
chegam a ser sombras deste silêncio, são dedos de espuma a ondular na
maré do silêncio, um oceano que respira suave e eternamente, um oceano
que tudo é sem o saber, sem precisar de o saber, apenas ele existe,
tudo o resto apenas passa.

O mundo desliza e canta e dança, e
tudo é bom, todas as danças são o mesmo movimento, todos os cânticos
provêm da mesma voz, uma voz que não canta, uma voz que nunca proferiu
uma palavra sequer, em mil milénios nunca um som se ouviu, e as danças
flutuam e rodopiam também, giram em redor de si mesmas, mas Ele nunca
se move com elas, Ele apenas olha, e sabe que tudo o que é olhado é
também Ele, sem um único movimento este silêncio é tudo quanto se mexe
no mundo, porque depois de todas as danças e depois de todos os
cânticos, depois de tudo ter passado e fugido, depois disso tudo apenas
o silêncio se ouve, e Ele canta, e Ele dança, sem ninguém o ver.

Dré

Retirado de um Diário de um Condenado à Morte

Published in: on 08/06/2009 at 3:53  Comments (1)