Amelie Poulain


Hhhmmm, a vida da voltas, parece uma bobine a girar numa sala escura de
cinema. Só a luz do filme flutua no negro da sala. Acabei de ver o
Amélie, um dos meus filmes preferidos. Já o tinha visto duas vezes, mas
hoje realmente assimilei de forma tocante o aroma profundo do filme, as emoções e cores que preenchem a tela, um tecido suave de linhas humanas
que me preenchem os poros da pele, sentimentos que se transpiram para
dentro de mim.

E sabes quem é que me fez lembrar a (na altura) jovem Amélie? Com a
sua magia, a sua ternura, uma criança em ponto grande, um coração a
bater enorme dentro do peito, uma compaixão de alma terna e um sorriso
que apenas faz lembrar uma fatia de lua numa noite com poucas estrelas.
Sim, exactamente. Fez-me pensar em ti.

Senti uma alegria um pouco triste ao ver o filme, uma dor um tanto
ao quanto serena. Como que a paz de saber que o que sinto por ti parece
ser árvore que não tem as raízes neste mundo, mas tem uma folhagem que
ondula na mesma brisa que faz dançar os teus cabelos. Senti como que a
dor de saber que para sempre parecemos estar descompassados,
dessincronizados, próximos, mas eternamente separados, como uma musica
que sempre acaba antes de uma outra começar, uma corrida de estafetas,
algo é transmitido entre os seres, mas quem corta a meta é sempre
aquele que recebeu, não quem deu. Nesta corrida contigo, sinto que não
consigo chegar ao destino do meu esforço.

Só de ouvir a banda sonora do filme fico com arrepios, como se
fossem os teus dedos a tocar nas teclas do piano da minha pele, como se
o acordeão que se ouve fosse o meu peito que se expande e contrai ao
sabor da tua respiração tranquila. Foi o teu cheiro o que senti nas
esquinas de Paris naquele ecrã de televisão, os teus olhos fitaram-me,
durante segundos, naquele mesmo ecrã.

Porque é que sou sempre eu a escrever-te estas palavras…? Gostava
de receber um dia um pedaço daquilo que te envio, uma mera galáxia,
sistema solar ou mesmo uma singela estrela do universo que circula no
meu peito por ti. Enfim, aguardo a tua carta, todos os dias a procuro
nas cartas que aqui chegam a casa. Ainda não a encontrei. Todos os
dias, sem excepção, leio as palavras que não me escreveste.

Este é apenas um desapertar de coração, um colocar de artérias e ventrículos em forma de palavras e cantá-las nos ouvidos da tua alma.
Estou em paz, não há ressentimento, apenas uma partilha de coração.

Fica aqui um clip do filme que já conheces, uma musica que também já conheces, enviada por alguém que talvez conheças.

http://www.youtube.com/watch?v=O8ACZ6IyyqM

Dre’

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Published in: on 28/04/2009 at 19:13  Deixe um Comentário  

The California Diaries VI


     Março, 18, com hora e meia de atraso arranco para São Francisco, a
viagem evapora-se depressa, o pior esta ainda por vir, as 26 horas para
Vancouver, chego as 19H10 ao centro da cidade, caminho 24 quarteirões,
passo por ruas sujas, muitos sem-abrigo e indigentes, sul-americanos e
asiáticos, depois de uma longa caminhada, mochila as costas e mochila
ao peito, chego ao 2987 da Mission St, recebe-me uma jovem chamada
Sarah, no dia seguinte apercebo-me que tem ar de Irlandesa, pele muito
branca, olhos muito azuis, cabelo muito loiro, recebe-me com a natural
simpatia e timidez, instalo-me, conversamos, mais tarde chega a Sonia,
depois a Mara, são as três habitantes da casa.
     Quinta-feira, eu e a Sarah caminhamos durante algumas horas,
passamos varias ruas, subimos e descemos uma colina e entramos no
Golden Gate Park, um jardim bastante grande, com isto desembocamos na
Ocean Beach, uma praia extensa, aqui nos separamos, ela segue o seu
caminho, eu avanço junto a costa por uns trilhos engraçados, passo pela
Beverly Hills de São Francisco, o Presidio, é onde estão as grandes
mansões e respectivos veículos de luxo, chego à Golden Gate, desta
feita a ponte, caminho nela um pouco, volto a "terra", dirijo-me a
baixa de São Francisco, estou estafadissimo, as 17H chego à estacao do
BART do Embarcadero, espero pelo Ian, passados alguns minutos passamos
um pelo outro, continuamos, olhamos para trás, la nos reconhecemos,
sentamo-nos na esquina da Market com a Front, um chá verde e uns
biscoitos no Starbucks, ele está a pensar em ir ate Sogenji, o templo
no Japão onde estive, foi assim que nos conhecemos, através de um
comentário que deixei num vídeo no youtube, foi uma conversa bastante
agradável, a namorada dele vem-nos buscar e deixa-me na Fillmore com a
Geary, ando um bocado às aranhas, mas la descubro o Fillmore, compro o
bilhete para o dia seguinte, Angus & Julia Stone fazem a primeira
parte do concerto de Brett Dennen, compro uma pizza deliciosa e rumo a
casa, mais uma longa caminhada, colina acima, colina abaixo, hoje
caminhei mais de 25 km.


San Francisco


     Sexta-feira acordo um pouco mais tarde, deve ser o cansaço do dia
anterior, hoje arranco sozinho, vou ate à Church St para tirar uma foto
a uma rua particularmente inclinada, volto para trás, vou de BART ate
ao centro, trinco mais umas fatias da pizza do dia anterior sentado em
frente a uma igreja, as 12H15 começa a missa, assisto à cerimonia,
passeio mais um pouco junto à baía, passo pelo interessante Museu de
Ciência, Arte e Percepção Humana e rumo ao Fillmore. A primeira parte
do concerto é muito suave, são dois irmãos, tem os dois uma voz muito
doce, foi uma abertura muito boa, chega o Brett, começa o concerto como
é habitual terminar-se, com uma musica muito longa e intensa, musica
que no álbum é muito calma, "Ain’t gonna lose you", ao vivo ela é tocada
de forma completamente diferente, a intensidade de sentimento é
impressionante, num momento de clímax musical uma jovem a minha frente
parece ter um orgasmo de uma qualquer espécie, eu tenho o corpo a beira
das lágrimas, é um começo de 100 estrelas, depois prossegue, vai
descaindo para umas 4,5 estrelas, o Brett fala pelo meio sobre alguns
projectos sociais, fala de como São Francisco é a melhor cidade do
mundo, no meio falta a luz e ele põe o Fillmore a cantar o "Three
little birds" a cappela, serve de introdução para uma das suas musicas
mais bonitas, "Desert sunrise".


Brett Dennen


     
Sábado é arrumar tralhas e sair, entretem-se algum tempo na baixa, as
quatro arranca o Greyhound de São Francisco, deve ser a estacao mais
desagradável do mundo, cheia de personagens de rua, o destino é
Vancouver, as fracas condicoes destes autocarros vão ser as minhas
companheiras durante 25 horas, digo assim adeus ao sol da Califórnia,
em Oregon, Washington e British Columbia espera-me chuva e neve.
     Ate Portland vou ao lado de uma jovem a quem cedo o lugar que ela tanto
queria junto a janela, dezoito aninhos, conversamos sobre
existencialismo e busca espiritual, não nos entendemos muito bem
ideologicamente, ela pergunta-me se aos 26 anos, a viver com os pais e
com um curso universitário que não pratico, se sinto que estou a falhar
na vida, eu sorrio, "not at all", respondo, devia ter respondido "achas
que estas a falhar na vida quando com 18 anos fazes perguntas dessas?",
acabo por saltar para o banco de trás, temos mais espaço para dormir,
chegamos a Portland por volta das 8 da manha, por esta altura já um
homem apalpou um seio a uma rapariga e levou uma cuspidela da mesma,
vim a saber mais tarde através de um Canadiano que veio comigo desde
São Francisco ate ao Canada, horas mais tarde, ao longe, vêem-se já as
montanhas geladas que rodeiam Vancouver, esta um tempo frio, caminho
dezenas (literalmente) de quarteirões, tal como em Frisco, chego ao
6063 da Main St, la dentro não esta ninguém, aguardo um pouco, chega o
Kevin, o colega de quarto da Patty, a jovem com quem falei do
couchsurfing, conversamos, ele coloca o "Dogma" na televisão, um filme
bem cómico, jogamos um xadrez, ele ganha 2-1, depois põe-me a ver
aquela que se tornaria na minha serie de televisão preferida, os
hilariantes "Trailer Park Boys".


Science World, Vancouver


     Marco 23, parabéns a quem de direito, 9 da manha e estou junto ao
Science World, a Carlinha encontra-se comigo, passeamos pela baixa de
Vancouver, começa a chover, metemo-nos para dentro do Roundhouse
Community Center, mais tarde acabamos na universidade da Carla, faço
umas copias de uns cd’s e vou para casa, uma partidinha de matrecos,
alguém ganha 2-1 novamente, mas não me lembro quem.


Vancouver, com o Stanley Park a direita


     Segundo dia em Vancouver e vamos para um longo passeio junto a agua,
damos quase uma volta ao Stanley park e entramos pelas "traseiras" do
mesmo, saímos e damos um giro ate a Comercial Drive, muitas lojas e
afins.

Eu e a Carla, Stanley Park, Vancouver

     Terceiro dia, subimos (ou melhor, apanhamos o autocarro que sobe) ate a
Grouse Mountain, patinamos um pouco no gelo durante um bom bocado,
algumas quedas a mistura, umas mais agradáveis do que outras, passeamos
um pouco, neva um pouquinho e ala marujo que se faz tarde, deixo a
Carlinha no 135, adeus ate a próxima em Portugal, caminho ate a Cardero
com a Robson, são quase 19H, tenho um "encontro" com uma amiga de um
amigo Canadiano que conheci no Japão, chama-se Emily, embora o nome
Coreano seja de menos fácil pronunciação, um dos empregados diz "you
are beautiful", sim, tem cara de boneca, 2 horas de conversa e já é
noite, rumo a casa, entretenho-me com os últimos episódios dos Trailer
Park Boys, tinha que acabar de ver aquilo, nem que fizesse directa, são
2 da manha e conheço finalmente a Patty, chega agora do trabalho,
conversamos um pouco e ate amanha.

Grouse Mountain, Vancouver


Eu e a Emily, Vancouver


     
Ergo-me do sofá onde dormi quatro noites, são 10H20 e o Greyhound
desliza rumo a fronteira, o Canada deixa saudades em mim, 3 da tarde e
chego a terra dos Pearl Jam, Nirvana e Soundgarden, Alice in Chain,
Presidents of the United States of America e Jimmi Hendrix, a terra da
Boeing e do Starbucks Coffe, no centro de Seattle erguem-se os
arranha-céus do costume, na estacao aguarda-me a Kathy, vamos ate casa,
uma habitação pequena mas confortável (e limpa, para variar), compramos
uma pizza (que cozinhamos em casa) e aluga-se o "The boy with the
stripped pajama", xixi, cama.
     Sexta-feira, caminho ate a baixa da cidade, vejo a vista do 73 andar do
Columbia Center, vou ate ao aparentemente famoso Public Market na Pike
St, caminho ate ao Space Needle, engonho uma serie de horas, são 22H20
quando chego ao 2608 da S. Washington St.


Seattle, com o Space Needle em primeiro plano



Columbia Center, Seattle


     Sábado vou ate ao Experience Music Project e o Science Fiction Museum,
passo la varias horas, toco dez minutos de bateria, leio um bocado
sobre o Jimmi Hendrix e o Kurt Cobain, é um museu dedicado a musica, e
um outro dedicado a Ficção Cientifica, dali arranco para comer uma
pizza, volto ao mercado, há la uma loja de musica, entretenho-me com um
xilofone, fico maravilhado com o som, um casal ouve-me a tocar e
aplaude-me no fim, fiquei com vontade de comprar um brinquedo daqueles,
mais umas voltas e vou para casa, jantamos e vemos outro filme,
"Medecine Man".


Experience Music Project, Seattle


     Domingo acordo cedinho, vou com a Kathy ate ao trabalho dela, um café
simpático, tomo la o pequeno, encontro uma igreja grande e bonita,
sento-me la um pouco, mais tarde começa a missa e acabo por assistir,
são 14H15 quando embarco rumo a Portland, chego 3 horas depois, tal
como aconteceu em SF e em Vancouver, a casa onde vou ficar esta
praticamente na mesma rua da estacao, ainda que a mais de 20
quarteirões de distancia, são sempre gigantescas as avenidas nestas
cidades, caminho ate la, bato a porta, quem a abre é um jovem chamado
Ash, a casa esta bastante desarrumada e suja, em maior grau ainda que
as casas onde fiquei em SF e Vancouver, converso com o rapaz, há la
duas guitarras e 2 djembes, parece-me bem, mais tarde chega a Izzy, com
quem falei no couchsurfing, vem também o namorado, o Nate, fuma-se
muita erva naquela casa, em bongos, cachimbos e cigarros, mais tarde
vou com a Izzy e o Nate alugar um DVD e comprar 20 dólares de marijuana
a uma casa com 4 rapazes, uma casa também suja e desarrumada, fico com
uma sensação de degradação, de seres desperdiçados, lembro-me de uma
musica dos Smashing Pumpkins, "youth is wasted on the young", é um
mundo que se abre diante mim, uma geração de putos queimados e
agarrados, voltamos para casa, curiosamente alugou-se o "Alice no pais
das maravilhas", fica parado a meio quando nos vamos deitar.
     Segunda-feira saio com o Ash rumo a baixa, levamos guitarras e djembes,
encontramo-nos com o Nate e um outro amigo a meio caminho, vamos tocar
para a rua, junto a Pionner Square, mais tarde mudamos de sitio e
juntamo-nos a um outro "artista de rua" com muitas rastas e boa vibe,
são 2 ou 3 horas que nos rendem 15 dólares, paga-nos o jantar, tacos
com feijões e outros que tais, fuma-se mais umas coisas, joga-se um
"James Bond" a 4 jogadores, au revoir, a demain.


Portland


    Terça-feira vou dar um giro a cidade, preciso de espairecer do ambiente da
casa e já agora conhecer um pouco de Portland, caminho junto ao rio, a
chuva cai, ouvi dizer que usar chapéu-de-chuva em Portland é só para
velhotes e totos, realmente não se vêem muitos, vou a Powell Bookstore,
uma livraria que ocupa um quarteirão inteiro, mas não tem o livro que
procuro, caminho ate ao Washington Park, pelo caminho compro uma pizza
vegan, só depois me lembro que uma pizza vegan não tem queijo,
paciência, mas esta saborosa, chego ao Rose Garden, vejo também o
Japanese Garden, supostamente o maior fora do Japão, é bonito, mas
sensivelmente do tamanho da Estufa Fria em Lisboa, regresso lentamente
a casa, uso o pc, vejo tv, estico-me no sofá, pés de fora, não que eu
seja muito grande, é o sofá que é pequeno.


Japanese Garden, Portland


Dr
é

Published in: on 27/04/2009 at 14:12  Comments (1)  

Nothing ever happens


"To me nothing ever happens. There is something changeless, motionless, immovable, rock-like, unassailable; a solid mass of pure being-consciousness-bliss. I am never out of it. Nothing can take me out of it, no torture, no calamity.
"

Sri Nisargadatta Maharaj

Published in: on 18/04/2009 at 16:49  Deixe um Comentário  

The True Self

"The world is so unhappy because it is ignorant of the true Self. Man’s
real nature is happiness. Happiness is inborn in the true Self. Man’s
search for happiness is an unconscious search for his true Self. The
true Self is imperishable; therefore, when a man finds it, he finds a
happiness which does not come to an end."


Sri Ramana Maharshi


Published in: on 18/04/2009 at 16:33  Deixe um Comentário  

Another Mooji DVD



Mooji


Another Mooji DVD; another moment of clarity.

It is
seen that consciousness appears; it is seen that it disappears. I
remain. Whatever appears in consciousness, it is what it is. Where is
it coming from? That’s itself just a question appearing in
consciousness; an "object" in consciousness, as any other.
Ultimately, the only answer would be, "it’s coming from the
presence beyond consciousness, the presence that I am".


In consciousness a body
is seen. Thoughts manifest as well. The idea of a separate person
appears – all appearing in consciousness, appearing in me. Whatever
happens in consciousness is of no relevance to the presence prior to
it. I am that.


Whether or not beliefs say I am some-thing
inside consciousness, that is of no relevance. All things are seen in
consciousness. I am not in consciousness; consciousness is in me. Only
one "person" exists in consciousness. There is only one existence. When
that existence rests in sleep, I remain.


Death can only
be as going to sleep, for is consciousness shutting down. Death is the end of consciousness, not necessarily the end of the body. Consciousness fades at night. One day it won’t
resurface from unconsciousness and that is all. The presence prior to it is
unconcerned. Every night a kind of death happens to consciousness. There is no
proof that it won’t be permanent. And if tomorrow a different set of memories
was to appear in consciousness, nothing real would change. There would be just different perceptions floating in consciousness. And there would be just
consciousness floating in presence. This presence is… unfathomable.


Clarity
may fade, it may appear and disappear. Of what relevance can it be? At
night, consciousness sleeps, but presence is ever awake. Clarity is not present nor absent. The very concept of clarity does not apply. The spiritual
search is rooted in consciousness, where no final answer can be found. On the other hand, outside of consciousness there are no questions, no doubts,
no-thing whatsoever. But there I am.


The need for
answers is an illusion of consciousness, and so is the search for peace
or truth. Whatever manifests in consciousness, it will eventually
disappear, for consciousness is transient, or is it not? That’s my
experience. Inside consciousness all things seem
also to be transient.
So, whatever truth or peace is found in the transience of
consciousness, they will too eventually fade, for consciousness is bound to
fade.


Who
am I? This is a question appearing in consciousness. In consciousness
nothing real is to be found. The answer to “who am I?” lies in the
presence “outside” of consciousness. In there there are no questions.
In here there are no answers.
In presence nothing is ever sought for. So nothing is ever lost.

The idea of a separate
person still persists. But separate from what? Only one sense of
existence is ever present – and even that comes and goes. All other
persons are assumed in the mind. In truth, only perceptions can be
seen. In direct evidence, I alone exist.


But the
complete absence of the person has to be seen. Otherwise, identity will
forever lie trapped inside the walls of consciousness. Presence, in
itself, seems pretty unconcerned about anything happening in
consciousness. Therefore, whatever is experienced in consciousness will
have the flavor of truth or reality. Experientially, there is no other reality
than consciousness, no other truth, because beyond it there are no
experiences, just presence.


Suffering manifests when it
is believed that I am something appearing IN consciousness, when in
fact, consciousness is something appearing IN me. Whether this idea is
deconstructed or not, nothing real is affected. Nonetheless, the
experience in consciousness is.
Here lies the seed of the spiritual search.

Dre

Published in: on 14/04/2009 at 13:15  Deixe um Comentário  

Excertos de um pedaco de dor…


Terminaste a nossa relação e… por muito que me esforce, não consigo
lembrar-me do mais pequeno traço de tristeza em ti. Estavas
absolutamente segura do que estavas a fazer e isso magoa-me… Senti-me
mais que um obstáculo na tua vida. Senti-me irrelevante… Dentro de
mim algo (orgulho talvez…) não consegue aceitar a forma como me
retiraste da tua vida, como um pedaço de mobília que se manda fora.
Parecias em plena paz para alguém que termina uma relação… Há uma
magoa que permanece em mim em relação a isso e pareço não a conseguir
transformar.

Não sei…. Tenho sentido esta tristeza a aumentar nas ultimas semanas,
e aliada a ela surge sempre a tua imagem. Gostava de apagar algumas
partes da minha vida e saber que tudo estava bem entre n
ós… Não sei,
há bastante confusão dentro de mim, bastante frustração, magoa,
desilusão, um certo desejo de inexistência onde nada disto pudesse ser
sentido.

Sinto vontade de chorar e apenas desejava que alguém pudesse estar aqui
para enxugar essas lágrimas. Queria que estivesses aqui e me pudesses
abraçar, que pudesses conversar comigo um pouco. Quem me dera conseguir
olhar para dentro de ti e saber o que te ia no coração naqueles dias.
Olhar para ti e saber o que vai dentro de ti hoje…

Sinto saudade de nós, sinto uma tristeza, um desejo de refazer o que se
desfez, uma vontade de te abraçar, beijar, dizer que te amo, de te
tratar com um carinho que mais ninguém no mundo seria capaz de juntar,
caminhar ao teu lado com um braço sobre os teus ombros, com a certeza
do sentimento que nos une, a paz de quem sabe que encontrou algo de
eterno.

Não sei, não sei… Ficam aqui estas palavras de desassossego, é o que
sinto neste momento. Paz eterna é o que desejo para todos os seres
deste mundo. Que a encontres igualmente. E eu também…

Um abraço, um beijo, um sorriso e um toque no teu rosto, um afagar de
cabelo, uma vontade de chorar e ser eternamente feliz contigo…

Dré

Published in: on 04/04/2009 at 4:39  Comments (3)