The California Diaries V


     Vinte e cinco marca do segundo mês, passa pouco das 13, na Metro
Station de Santa Cruz encontro-me com o Amaro, regressamos a casa, umas
fotos pelo caminho, arrumamos as malas nos respectivos aposentos,
pegamos nas bicicletas e damos um giro pela west cliff drive,
uma espécie de passadiço onde as pessoas andam de bicicleta, correm,
passeiam e vêem os surfistas nas suas manobras, o tempo está um pouco
nublado, hoje encontram-se menos pessoas na rua, passamos pelo Farmers’
Market, damos uma volta, compramos umas chamuças um tanto ao quanto
diferentes das que temos em Portugal, passeamos um pouco pela "baixa"
de Santa Cruz (basicamente a Pacific Ave) e acabamos a virar uma pizza
na Engfer. No dia seguinte arrancamos rumo ao Henry Cowel Redwoods
State Park, caminhamos por entre árvores mil, umas muito altas, é um
local muito bonito, vemos uma "tira" de um tronco de uma árvore que,
quando Jesus nasceu, já tinha quase 200 anos, acabando por cair em
1934. De volta a Santa Cruz, deixo o Amaro no Wharf a tirar umas fotos
e vou ao encontro com o John, onde ele estreia uma canção nova
intitulada "Who Are You?"

Dois macacos em Santa Cruz


O "activismo" de Santa Cruz

Um jardinzito em Santa Cruz

     Sexta-feira, com muita pressa à mistura, tropecoes e um pequeno-almoço
engolido num trago no caso do Amaro, chegamos à estacão de autocarro,
passa pouco das 9h30 quando a viatura desliza rumo a Los Angeles, faz
paragem em Watsonville e Salinas, em Santa Maria e Santa Barbara, em
Hollywood e em Los Angeles, é aqui que tento, sem sucesso, telefonar ao
Ben, não vejo a jovem que nos vem buscar, esperamos um pouco à saída da
estacão da Greyhound e é assim que vemos um carro escuro encostar num
lugar vazio, à pendura vem uma menina loira chamada Megan, ao volante
uma menina negra chamada Amber, foi com esta última que comuniquei por
mail, recebem-nos com muita simpatia e com dois beijinhos cada uma,
coisa nem sempre habitual por cá, são duas das quatro habitantes da
casa onde vamos ficar, duas loiras, duas morenas, todas estudantes
universitárias, 21 anos cada uma, e assim nos instalamos na Anaheim,
Long Beach. Passado pouco tempo rumamos adiante e acabamos por passar
por dois bares, bebemos umas coisas, eu ainda consigo meter Smashing
Pumpkins na jukebox e pôr o Redroom a ouvir a Tonight, Tonight, dali
seguimos para casa com a Amber e a Berkeley, a Megan ficou no segundo
bar com a outra menina cujo nome desconheço.

Amber, Berkeley e um dos macacos de Santa Cruz


     No dia seguinte passeamos por Long Beach, caminhamos muito pela praia e
depois pela baixa da cidade, metemo-nos no metro em direcção a Los
Angeles, supostamente vamos para Hollywood, mas ao trocarmos de linha
ficamos mesmo por ali, estamos na baixa de LA e damos por ali umas
voltas, passeios por entre os arranha-céus, muitas fotos, depois
regressamos a Long Beach, caminhamos imenso de volta a casa e
encontramos por acaso a Megan e uma outra pequena no Ralphs (um
supermercado), é com elas que regressamos a casa.
Hoje encontramo-nos com o meu amigo Ben, já não o via há quase três
anos, ele leva-nos ao Getty Center, uma espécie de museu com muitos
quadros e esculturas dos séculos XV a XVIII, com quadros de Renoir e
Rembrandt, Van Gogh e Monet, também tem um jardim muito bonito e uma
vista espectacular sobre LA, ali passamos umas horas, arrancamos
posteriormente ao longo de uma auto-estrada com cinco faixas para cada
lado, quase apinhada num domingo à tarde, em direcção a Santa Monica.
Estacionamos o carro no quinto andar de um parque de estacionamento,
seguimos pela 3rd Street Promenade, é uma zona pedonal, muita gente na
rua, está um sol forte neste primeiro de Março, uma jovem canta na rua
e promove o seu EP, tem uma voz encantadora, acabo por largar $5 e
compro o álbum dela, na capa lê-se Chelsea Williams, Decoration Aisle,
e dali avançamos para a praia, um maralhal no pontão, muitas atraccoes
e personagens pela rua, parecem as Ramblas catalãs, depois caminhamos
durante bastante tempo ate chegarmos à zona hippie de Venice beach,
muitas tendas e barracas e lojas em todo o lado, dali regressamos para
o carro, não sem antes pararmos num pequeno "coffeeshop". Voltamos a
casa, arrumamos as tralhas, despedidas feitas e vamos para a casa de
outra "couchsurfer", uma mulher com muitas rastas chamada Sheila, a
casa é consideravelmente mais pequena, ali ficamos e ali cai a noite
sobre nós, na companhia de três gatos miadores.

Eu e o gigante Ben no Getty Center


O jardim do Getty Center


Venice Beach


     No dia seguinte, segunda-feira, vamos à Universal City, uma espécie de
parque de diversões dedicado ao cinema e aos filmes da Universal
Studios, é um dia giro, vamos numa montanha russa virtual com os
Simpsons, numa espécie de comboio-jangada no Parque Jurássico,
alinhamos também numa montanha russa às escuras na Múmia e assistimos a
um pequeno filme do Shrek a quatro dimensões, entre outras coisas.
Acabamos o dia a jantar em casa do Ben, com a El, a Marla e a Lily, um
serão sereno e agradável, dois amigos deles juntam-se a nós mais tarde,
eu dou um toquezinho na guitarra, mato um pouco a saudade…

Prontissimos para ver o Shrek 4!


     Terça arrancamos para Hollywodd, caminhamos pisando vagarosamente as
estrelas com os nomes dos famosos, bastante gente na rua, alguns
mascarados de Elvis e Marylin e Batman e afins, não há nada de
particularmente interessante numa das zonas mais famosas do mundo, la
nos convencem a largar $20 para um tour por Beverly Hills e Hollywood,
passamos pelas casas de vários famosos, a da menina Aguilera, a do
Keanu Reeves que fica ao lado da do DiCaprio, dizemos adeus à mansao da
Playboy, enfim, vale a pena pelas voltas que damos pela zona, não pelo
fascínio de papparazzi em mirar garagens e portões fechados que nos é
incutido pelo guia da viagem. Ainda passamos pela Universal City
novamente, compramos uma coisas e zarpamos para casa, e é aqui que o
Amaro despacha uma pizza, eu emborco uns cereais com leite e estou
despachado, caminho quarenta e cinco minutos pelas ruas tranquilas de
Long Beach, chego à Loma e devolvo o mapa que a Amber nos havia
emprestado, regresso a casa, mais quarenta e cinco minutos e estou de
volta à 4th.

Long Beach


A mirar as babes em Long Beach


     
Dia 4, aniversario do Ben, às 6h30 encontramo-nos à frente do Red Room,
ele leva o Amaro ao LAX (o aeroporto), ali nos despedimos, arrancamos
para o centro de Los Angeles, não chego a tempo do meu autocarro, mas
parece que a viagem foi adiada cinco horas, acabo por regressar ao
centro envidraçado de LA e passeio por la um pouco, no regresso
atravesso algumas ruas menos turísticas, numa esquina esta um homem a
dormir no chão, está numa posição ligeiramente peculiar, nem tem
aspecto de sem abrigo, está mais vestido à "rapper", um indigente que
caminha atrás de mim chega-se a ele e toca-lhe no corpo, vira-se depois
para um outro que ali passa e diz-lhe algo, o outro responde com um
gesto de mão, com alguma apreensão apercebo-me que o homem deitado no
chão não está a dormir… Na Cidade dos Anjos nem todas as ruas vão dar
ao Paraíso.

A baixa de Los Angeles


     Enfio-me no autocarro por volta das 13h, desembarco trinta minutos
antes das 23h, a viagem passou-se mais depressa, vou dormitando pelo
caminho, oiço Michael Franti e penso algo que ficou em Los Angeles, é
bom ouvir o motorista dizer que chegámos a Santa Cruz, viver aqui é uma
dádiva e cinco dias em LA ajuda a perceber melhor isso mesmo, ainda
antes de dormir tenho que ir dar o ultimo retoque no que vou dizer
amanha no tribunal, é amanha o dia em que me vou "defrontar" com o
Rusty e saber qual o preferido da lei californiana e a quem pertencem
os $600 com que ele ficou desde o meu primeiro dia por estas bandas.
Deito-me relativamente tarde, acordo relativamente cedo, dirijo-me com
a Elizabeth, entramos numa sala onde estão todas as pessoas que vão a
tribunal naquele dia, são nos explicados alguns pormenores, falam-nos
da mediação, uma forma de evitar ir a tribunal e resolver as coisas a
bem, quando chega a minha vez com o mediador digo que estou disposto a
tentar a mediação, embora considere que o dinheiro pertença apenas a um
de nós – não há muito a negociar. O Rusty por sua vez demonstra-se
desinteressado na mediação e quer ir a tribunal, eu fico contente, por
um lado, pois também eu prefiro resolver as coisas com uma só
machadada, por outro lado, sinto que ele deve estar bastante confiante
em relação ao seu caso. Seguimos para a sala do "julgamento", a juíza
pergunta-me se eu sou fulano tal, eu respondo "yeah", ela olha-me com
um ar interrogativo, eu corrijo para "yes", ela olha mais um pouco,
esperando certamente um "yes, your honour", leio o meu texto com a
minha versão dos factos, ele responde com a dele e com algumas leis e
alíneas, eu volto a intervir, ele faz o mesmo, a juíza dá o veredicto e
diz que os $600 pertencem ao "Mr. País", o Rusty não gosta muito do
desfecho do caso, tenta argumentar ainda com a juíza, ela acaba por
virar costas e sair da sala, eu faço o mesmo, juntamente com a
Elizabeth.

Santa Cruz by night


     Volto a casa e, depois de uma longa conversa com a mãe e o mano, saio
para o Pacific Cultural Center para ouvir mais umas coisinhas sobre
não-dualidade. Depois do encontro, eu e o John vamos dar uma volta a
pé, temos uma conversa muito interessante, não se fala de
espiritualidade ou Advaita, fala-se apenas de musica, de composição, de
técnicas vocais, de programas de gravação, microfones, percussão,
compassos irregulares e dos Beatles,no fim dou-lhe uma pancadinha nas
costas, como quem diz "és o maior", e vou para casa que o sono já se
faz sentir.

Dré

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Published in: on 16/03/2009 at 15:09  Comments (3)  

A hora do Planeta

20H30, 28 de Março, 2009.

Sessenta minutos… de escuridão.
Desliga a luz, pela tua Mãe Terra.


Published in: on 16/03/2009 at 12:05  Deixe um Comentário  

Estou grávida (provavelmente o melhor parágrafo alguma vez escrito)


Ficam a olhar as pessoas que passam, muitos carros, nota-se
imediatamente que esta é uma cidade muito grande, do mesmo tamanho ou
maior do que a cidade natal deles, há camionetas a passar, estafetas a
largar as viaturas em segunda fila, as luzes intermitentes avisam que a
paragem não será demorada, trata-se de assunto de trabalho, umas
quantas bicicletas movem-se arriscadamente entre os automóveis, há
multidões que se escoam vagarosamente junto às paredes dos edifícios,
muitos toldos e lojas, bancas nos passeios, sinais luminosos a gerir a
fluência do trânsito, movimento em todos os cantos, não há uma só
molécula de mundo que esteja parada, é o eterno devir das coisas, dos
corpos, das ideias, dos corações, os seres que nascem para morrer, os
seres que morrem para nascer, o movimento dos que vivem sem nunca ter
nascido, a quietude dos que morrem sem nunca perecer, dentro da
rapariga vai surgindo uma palavra que ela não conhece ainda, lentamente
quer materializar-se na sua consciência, devagar como um prego
empurrado de dentro da terra cá para fora, lentamente a pontinha do
sentimento começa a assomar à percepção, e é ele que une luz e
escuridão dentro desta jovem mulher, são mundos que se chocam, são
fronteiras que se misturam, é a dor com a saudade, o prazer com a
tristeza, é a segurança que se mistura com as lágrimas presas num
tanque de betão que quer rebentar pela fenda aberta no peito, toda
aquela agitação exterior espeta-se-lhe na alma, porquê, porquê, porquê,
para onde vais tu, ó merceeiro que estendes a tua barraca, para onde
vais tu, ó velho esfarrapado que te estendes na calçada junto à
estação, para onde vais tu, ó condutor acelerado que quase esmagas dois
homens na estrada, para onde vais tu, e tu aí, para onde vais, para
onde vamos, para onde vais tu, para onde vou eu, para onde, meu Deus,
eu, eu, eu, para onde vou eu, Génio, que sabes tu da vida, pergunta a
loira como um tiro ao rapaz, este não estava de todo à espera da
questão, O que é que julgas que há para saber sobre ela, Porque pensas
que não há nada para saber, A vida é o que é, saber algo sobre isso
seria acrescentar uma luz à luz, seria chuva sobre mar, não traria nada
de novo, Achas que não se pode viver nada novo, a vida é eterna morte
para ti, Não, muito pelo contrário, a vida é eterno nascimento, é por
isso que nada novo pode ser trazido até ela, ela é a novidade
sempiterna, é a juventude perpétua, Não achas que algo pode ser
acrescentado à tua vida, Não existe isso a que chamas a minha vida,
existe a vida que é tua e minha ao mesmo tempo, não há linha que divida
a tua da minha, tudo é igual, um mesmo ser que se transpira de uns para
os outros, sendo sempre o mesmo e eternamente se moldando à
multiplicidade que cria em si, Acreditas no amor, pergunta ela, Que tem
o amor a ver com a vida, pergunta ele, Tem tudo, Tem nada, Como nada,
pergunta ela, Porque dizes tu que tem tudo, a vida existe com ou sem
amor, nunca ninguém conseguirá sequer provar a existência do amor,
quando foi alguma vez um acto de amor visto, Quando não foi ele visto,
julgas que é necessário provar-se o amor, é como provar-se a vida,
precisarás de a provar para saber que estás vivo, tudo é um acto de
amor, tudo está provado pelo amor que é, o amor é a prova de que tudo
é, A vida é, o amor imagina-se, não existe amor nas árvores, nem nas
pessoas, nem nas pedras, charcos, todo o amor é uma ilusão do
pensamento do homem, sem o pensamento não existe amor, só a vida,
despida de todos os trapos que lhe colocam por cima as superstições dos
povos, Não acreditarias então se te dissesse que te amo, o rapaz deixa
cair o livro que traz na mão, solta-se o pequeno marcador de lá de
dentro e ele nem repara, Acreditaria que imaginas um amor na tua cabeça
por alguém que vês apenas na tua cabeça, nunca uma só vez estiveste
comigo, porque nem uma única vez estiveste tu dentro de mim, dentro da
minha mente, a minha mente é quem eu sou e a essa nunca lhe ouviste a
voz, imaginas um amor que não existe por um ser que imaginas existir, o
que vês não passa de um desenho que os teus neurónios fazem de um
pedaço de carne que vês à tua frente, jamais me amarás porque jamais me
conhecerás porque jamais entrarás dentro de quem eu sou que é a vida
que habita na minha cabeça, Mas a vida disseste que era só uma, por
isso a vida que te ilumina a cabeça é a mesma que me brilha no coração,
no meu peito e na tua cabeça somos já um só, esse Um Só de que falo é o
amor que tu falas que é a vida, tu és vida, eu sou amor, são os dois
lados de uma mesma folha de papel, é o molhado e o húmido, o brilhante
e o luminescente, o acordado e o desperto, o mesmo e o si próprio, o tu
e o eu que é teu e que é meu, somos nós, aqui, neste momento, Somos a
mesma folha de papel, mas a tua página está em branco, porque nela o
amor não escreverá palavras que não foram ainda criadas para falar do
que ainda não existe, do meu lado da folha está o mundo todo escrito, o
universo, as estrelas, o cosmos, a vida sem início, sem fim, Estás
errado, diz a loira, és demasiado novo, és demasiado inteligente para o
compreenderes, a inteligência serve para perceber o mundo e as suas
leis, não aquilo que o cria e sustenta, enquanto não transcenderes a
tua própria inteligência e regressares à simplicidade que a precede,
que a permite e que a gera, nunca compreenderás o que significa o que
tenho para te dizer, que é que o amor tocou-me hoje pela primeira vez
nos meus dezoito anos de vida, são poucos, bem sei, mas chegam para
saber que o que senti antes foi paixão, foi ardor, foi desejo, foram
fantasias que me cruzaram o peito como uma flecha, mas que saíram do
outro lado, furaram-me o ser, levaram pedaços da minha carne mas não
permaneceram, agora percebo que o amor não é aquilo, não é aquilo
porque é isto que sinto agora, e só agora que o sinto só agora o
conheço, és inteligente demais para perceber o que significa estar eu
aqui a dizer que te amo, a palavra sai-lhe da boca no momento em que já
se vê um corpo largo a curvar por entre a multidão, vem vestido de
negro, é alto e maciço, demonstra em cada passo uma segurança e
autoridade imponentes, esse corpo chega-se até eles, troca meia dúzia
de palavras com o génio, este oferece
apenas uma à loira, Adeus, apanha
o livro que tinha ficado esquecido na calçada, vira costas e nem vê as
lágrimas que por ele se atiram ao chão, e foi antes daquela figura
escura ter surgido por entre a multidão que a rapariga pronunciou pela
primeira vez na sua vida a palavra amor, é nesse mesmo instante que, a
nove mil trezentos e cinquenta e seis quilómetros de distância, uma mão
procura outra, um olhar tropeça noutro, uma música suave passeia-se
pelo ar de uma sala de jantar, é no preciso momento em que a loira diz
Amo-te que uma morena diz, também pela primeira vez na sua vida, Estou
grávida.

Dr
é

Retirado d’ O Génio

Published in: on 15/03/2009 at 18:50  Comments (1)  

Diz-me o que vês

Enches o teu dia com as coisas que te afastam de ti, mas que imaginas
levarem-te ao que procuras. Empilhas na tua vida carros e casas, roupas
e objectos, carreira e família; ergues no teu peito amor e amizade e
sonhos e projectos.


Em busca do mundo perdes-te do teu próprio
coração. Mas não é o mundo que queres. É pelo teu ser verdadeiro que
anseias quando te procuras no mundo.


Enches o teu dia de coisas
que apenas passam, mas à noite, quando fechas os olhos, na escuridão
que agora vês, apenas duas coisas estão presentes: tu e tu próprio.


Podes
fugir para onde quiseres enquanto o sol brilha alto, mas, quando a
penumbra cai sobre as tuas pálpebras, és sempre presa de ti mesmo. Nao
há fuga possível quando é contigo que te encontras.


Quando
fechas os olhos e tudo aquilo que construíste durante o dia desaparece,
quem és tu? Neste preciso momento, diz-me o que vês.


Dré

A escrever o "Diz-me o que vês" @ Long Beach, CA

Published in: on 15/03/2009 at 16:48  Comments (1)  

A morte da tua vida

Se soubesses
que a tua morte
estava três quarteirões
à tua frente

pararias
ou continuarias a fluir?
__

Olhas a morte e
páras.

Ainda que vivo,
estás morto.

Dré

Published in: on 15/03/2009 at 16:41  Deixe um Comentário  

[Espaço e Silêncio] [Procura-te]




crias formas
crias objectos
mas aguardo o momento
em que sairás das normas
e criarás espaços vazios
e silêncios desertos

continuamente olhas os objectos
enfeitiças-te com as formas
mas sempre impões máscaras e afectos
ao silêncio que com sons adornas

ninguém cria o silêncio
mas ele manifesta-se sempre
ninguém inventa o espaço
mas eternamente o vês presente

jamais alguém destruirá
aquilo que nunca foi criado

em todos os momentos da tua vida
encontrarás um silêncio esvaziado

e é sobre ele que as vidas se erguem

se algum dia parares para o olhar
verás que os teus medos apenas temem
aquilo que o vazio tem para te mostrar

__

Espaço e silêncio. Estão sempre presentes, mas quem é que repara neles? O que significa a sua presença na nossa existência?

Será
possível que nós próprios sejamos nada mais que espaço e silêncio?
Alguma vez encontraste dentro de ti algo que pudesses considerar ser
quem tu realmente és? Não era isso apenas espaço vazio e silêncio sem
forma?


Quem és tu senão este mesmo silêncio? Este espaço?
Procura-te e diz-me o que encontras. Não vêm sempre as mãos vazias
quando é o teu próprio ser que agarras?


Procura por ti e diz-me
o que vês. Esta é a única questão verdadeiramente importante na tua
vida. Tudo o resto são bonecos desenhados na areia, são traços pintados
na água.


Poemas de amor, de amizade, de tristeza e solidão,
palavras de esperança e paixão, tudo isso é como nuvens no céu,
varridas como folhas ao sabor do vento quando te debruças sobre a única
pergunta que interessa: quem sou eu?


Procura-te e diz-me o que
encontras. Esta é a única missão que poderás algum dia ter na Terra. É
a única resposta que poderá alguma vez saciar o teu desespero e desejo
e fome de amor, calor, afecto e paixão, carinho e reconhecimento,
inclusão, ternura, altruísmo e compaixão. Tudo isto, pelo qual anseias,
são meros bonecos de neve. Quando encontras o sol que tens no peito,
tudo se derrete na água mais pura para saciar a sede do teu coração.


Procura-te.
Tudo o resto é ilusão. São brincadeiras que pensas levarem-te a algum
lado. São quimeras, castelos construídos no ar, palácios que nunca
poderás habitar.


Procura-te.

Dré

Published in: on 13/03/2009 at 13:11  Comments (1)  

o n e i d e a

hundreds of religions

hundreds of spiritual paths

hundreds of esoteric practices

hundreds of good-deed doers

all fools

all full of beside-the-pointness

all fueled by one single idea

one idea

and a whole world is built upon it

millions of beings striving under one idea

thousands of wars

waged in the name of one idea

billions of dreams, fears,intentions, endeavours

all nurtured in the minds of all beings everywhere

all embraced by one single idea

the mother-idea

the mother-idea of chaos

the mother-idea of birth and death

the mother-idea of confusion

of delusion, illusion and dream

the mother-idea of all twoness

of all apparent duality

the mother-idea

of all apparent strife to overcome it

one idea

and hell breaks loose in all beings’ hearts

everywhere everytime

this one idea is the idea of one

of being one

only one

one amongst innumerable others

a person in the crowd

the individual in the multitude

just another brother or sister

in the congregation

the idea of being one against the many

the part against the whole

the particular opposing the universal

this one idea settles in

and the vulnerable one is born

the desperate one is born

the naked one gets exposed

pain and suffering emerge

longing and seeking materialize

meaninglessness becomes the truth

shouted in the heart

just one single idea

where did it come from?

who is that one amongst the many?

solve this question

and you will find the only answer

everyone everywhere everytime

has ever sought for

everyone everywhere everytime

under whatever disguise

only really wanted to know the Truth

find the one looking for the Truth

and you will find that the Truth

is the one who is

looking



teo jasmin

Published in: on 09/03/2009 at 1:20  Deixe um Comentário