Desgarrada poética via Messenger


Santos Almeida:
"Numa casa sem tecto os sonhos vão mais longe"
Dré:
"Quem sonha voa alto, quem não sonha perdeu as asas"
Santos Almeida:
"Quem sonhou muito alto amanhã perde as asas"
Dré:
"Quem sonha nunca vive o amanhã, é eternamente hoje"
Santos Almeida:
"Quem nunca sonha vive eternamente no passado"
Dré:
"Todo o ser humano sonha, estar vivo é sonhar, porque sonhar é ter asas, viver é voar"
Santos Almeida:
"Em todo o sonho o nada se distingue"
Dré:
"O nada não se distingue, porque tudo é o nada"
Santos Almeida:
"Nem tudo sonha e o nada não tem asas"
Dré:
"As asas do sonho são feitas do nada, este não voa porque é o próprio voar
Santos Almeida:
"Separa-se o nada do sonho, fica a vontade"
Dré:
"A vontade de sonhar nunca morre, porque nunca nasceu"
Santos Almeida:
"O sonhar é uma constante. também o são as vontades"
Dré:
"Constante é a vida, que é vontade, vontade de sonhar"
Santos Almeida:
"Constantemente se ouvem as vontades"
Dré
"Ouve-se constantemente o sonho da vontade de sonhar"
Santos Almeida:
"Os sonhos só se ouvem acordados"
Dré:
"Os que sonhos que não ouvimos acordados despertam apenas quando morremos"
Santos Almeida:
"Quando se morre a vontade despede-se"
Dré:
"Não há despedidas, o que morre nasceu, a vontade nunca foi dada à luz, ela é o sol que ilumina a noite"
Santos Almeida:
"Belas palavras, sem efeito no corpo"
Dré:
"O corpo nasceu, morrerá, que tens tu a ver com isso?"
Santos Almeida:
"O meu corpo tem tudo a ver"
Dré:
"Tem tudo a ver, mas o que se vê não é o que o vê nem o que é visto"
Santos Almeida:
"O ser visto não vê a sua própria vontade"
Dré:
"Vontades, vontades, para quê esse lixo se és já o destino de toda e qualquer vontade?"
Santos Almeida:
"Nem todas as vontades são descobertas e destinadas a um ver"
Dré:
"Vontade de quê?, ver o quê?, és o todo que vê, o todo que anseia pelo nada que é já"
Santos Almeida:
"Destinadas a um ver que somos todos nós, esse ver é cego"
Dré:
"Cegueira é só a daquele que imagina ver pelos dois olhos que tem por debaixo da testa"
Santos Almeida:
"A cegueira é produto da realidade não tocada"
Dré:
"Se tu és a realidade, que poderá ser deixado intocado?"
Santos Almeida:
"Eu sou a realidade mais cega"
Dré:
"Existe uma apenas, não existem mais nem menos, a que tu és, sou eu"
Santos Almeida:
"A mesma realidade, vividas diferentemente"
Dré:
"A diferença é sonhada, acordados somos todos iguais"
Santos Almeida:
"Acordados somos todos cegos"
Dré:
"Acordados somos todos cegos para a diferença do sonho"
Santos Almeida:
"Nos sonhos, todos os cegos acordam"
Dré:
"Nos sonhos acordar ou não é indiferente"
Santos Almeida:
"Nos sonhos nada existe"
Dré:
"Esse nada existe também quando estamos acordados"
Santos Almeida:
"Um nada Desperto para os outros, não para si mesmo"
Dré:
"Ele é tudo, como poderia despertar para si?"
Santos Almeida:
"As possibilidades são infinitas, basta sonhar"


Published in: on 28/12/2008 at 22:21  Deixe um Comentário  

Poemas


Recebido de uma poetisa, através do messenger, a 16 de Dezembro de 2008.

A grande Santos Almeida.


*

escava
cuidado com as pedras
da calçada,
pisada
que hoje toda a gente escava
em direcção ao céu
porque eu
não encontro
um ponto
um começo

*

uma nota que soa
a mil léguas daqui
faz.se ao mar
como a terra se faz a mim!

*

vidas
passadas ou presentes
ainda sentem
o que em nós foi esquecido
talvez
mas agora não
agora elas vivem!

*

a vida
o que é?
pergunta o menino
sozinho
à beira da morte

*

escrita
nada é
que palavras, articuladas
pelas leis do Homem
que nem as sente
quando as dita
e por isso
elas
caem no esquecimento
que escritor
não é escultor

*

máquina menino
trabalha
mas não sabe ler nem escrever

*

o homem
criação, criador, criado
escravo dele mesmo
mas não passa
de uma obra de arte!

*

a brisa
leva-me a mim
até onde eu
te vou encontrar

*

o sal
a lua
o verde
a intenção voa
aterrando na brasa
deste dia

*

ser poeta
é: cantar uma voz
perdida, ou por achar
e todas elas vão dar
aos caminhos
escolhidos, ou por escolher

*

um canto
e nele se faz ninho

*

vi
ouvi
algo, que eu não reconheci
e por isso
não existem palavras para o que foi visto!

*

quão longe se está
e perto se torna!

*

oscila este poema
que ele não quer estar
no papel

*

sopra o vento
ela faz o mesmo

*

a matéria
quando deixa ela de o ser?
em que se torna?
quando morre?

*

o verde pé
diz que é verde
quem és tu para o desmentir?

*

a mão aponta
para uma direcção
oposta
ao que o corpo aponta
mas se a mão é uma parte de nós
de quem é o corpo?

*

sente-se agora
e sinta-se amanhã
que quem sabe se ontem também não o foi sentido?

*

um piano
conta histórias sobre
ele mesmo, mas na companhia
de quem mais ele ama

*

se o piano diz que ama
quem ama ele mesmo?

*

there was something
in need of discovery
who are u pirates?

*

come out
cause i will get soon
to where you are
but i need to see you

*

mãos que apontam
e os pés? para onde eles vão?
que caminhos pisam?
serão os caminhos que a mão apontou?

*

no topo
se olha para baixo
mas por que não aproveitar
esta aproximação ao céu

*

vês? então olha.

*

à vista desarmada tudo é belo
mas quando se erguem torres
o sol não entra
nem tu sais

*

o fado
destino incerto, mas
e quem não acredita no destino?

*

a gaiola
é um mundo
de nós saído
que quem lá entra
não de lá sai

*

quem sai ou entra?
sai o corpo
fica a mente
ou fazes um acordo
com os teus deuses
e tornas-te imortal

*

eternamente, disse o sol
mas a lua é imortal

*

o tempo
não disse ao tempo
coisa alguma
porque ele não tem espelho em casa

*

vidas, quanto tempo tens?

*

o tempo sabe
que o que sabe
é sabido
e a sabedoria é por ele
oferecida
mas ninguém o ouve

*

quem és tu
que aqui estás
mas quando sabes que não estarás
vais cá estar?

*

a todos os que sabem ler
e a quem não sabe
por favor reciclem

*

quem lê o tempo
perde a vida
e a morte não traz mais tempo

*

mais, mais, mais
disse eu
ao tempo
que parou
agora!

*

ó tempo, sabes que eu te conto?
mas quando não o faço
tu passas mais depressa
ou serei eu que me perdi?

*

entre caminhos
que não se cruzam
há quem os sobreponha
e leva escadotes!

*

escada leva para cima
que de baixo nada sobe, só desce!

*

leva a terra
que um dia ela te abraça
mas por pouco tempo
que a carne decompõe

*

ossos
ou espaço?

*

toca, que és tocado em retorno

*

sabes que existes?

*

a manhã
que é ela senão o fim de um dia?
porque o dia nasce quando eu e tu queres

*

porque choras
quando amanhã é um novo dia
e tu ainda cá estás

*

 nem a terra come os ossos

*

" moon, today beautiful
tomorrow gone
but you always come back
despite these lives
that look at you
and see more than themselves

*

o inimigo
afinal só o é porque tu o nomeaste

*

à roda andamos todos
e do e no vómito rodamos

*

o ciclo da estupidez é só isso
um ciclo

*

ciclo, triciclo
quatrocentos qualquer coisa

*

no numero 3 o que se lê?
uma superstição

*

os medos devem ser enfrentados
mas eu não possuo corpo

*

o saber não ocupa espaço, alguém o disse
mas o que ocupa, é nada mais que espaço infinito

*

as palavras são as nossas gaiolas,
e com pena

*

ó pena, tens mais pena que eu?
é que de penas vivem os pássaros nas suas gaiolas

*

no topo vive o deslumbramento
que não sabe que se vier cá abaixo
o mundo é grande

*

as gotas sobem
em quem faz o pino

*

o verde depressa ganha nova cor
mas tudo é branco

*

cava
esburaca essa parede
essa torre
esse nó que te aprisiona
e ilude-te
estás livre!

*

a tua ilusão
é a tua criação
se não a criasses
não te tinhas iludido

*

por piedade
puseram-se pontos principais
principiando pelo possível
porque pês

*

calma
cães comem cavalos
cujos cabelos caem cansados
casando-se com corpos calientes
cospe caroço!

*

cospe o que te prende,
esse caroço visceral transversal
ó mal

*

o ó do nó faz dódó
agora arrepende-te de o teres lido, tótó

*

ouvindo a mesma musica
escrevo, ou és tu que lês?

*

os escadotes não chegam ao céu
mas chegam se virares o mundo ao contrário

*

dorme o bebé
e eu vou mudar de música

*

mudada a musica
o bebé acorda,
e eu não sei quando ele volta a adormecer

*

que não pensem os poetas

*

e num monólogo fui deixada
mas agora estás aqui
já não estamos sós

*

a solidão acompanha todos nós
mas ela não é acompanhada de ninguém

*

podes pensar que estás só
mas esse é apenas um pensamento
que sabes tu da realidade
se não a viveres?

*

e, a solidão é um bom prato

*

ó força! calma, que a pedra é demais
não pegues em pedregulhos

*

num prato se come
com garfo e faca
que à mesa há que ter respeito
dizem os Grandes

*

vem com passos incertos
que eu cá estarei de braços abertos

*

e sem saber, sei
e APENAS o sei

*

quem lê a patrícia
se ela se fecha
e ninguém possui a pena?

*

 pobre daquele que pensa ser pobre
e o é

*

em que planeta se vive
quando se morre?

*

haverá espaço neste mundo para os vivos e os mortos
que o tempo e o espaço são infinitos

*

uma viagem
com estes seres
imaginários
consegues imaginar?
então join me

*

call me
call me
call me
i can hear

*

olha a insegurança com segurança

*

seres sábios são sábios
e quem é o homem dentro do sábio?

*

3:33 hora agora, agora mas espera 3 segundos, que o quarto está impaciente

*

meio quente
não é morno
é algo

*

mãos minhas queria eu que fossem autónomas
para ser livre
e isto não é ilusão
mas se foi pensado
o já é

*

então nada és que ilusão?
quem és tu?
quem é esta que o pergunta? a mão é escrava do pensamento

*

pois se pensas que existes
te iludes
que a ilusão é bem real

*

vem a ovelha ter com o pastor
olha-o
sabe que é alimento
porque não foge ela?
louca aquela que pensa que é louca

*

de três pontos se estabelece uma relação
e dessa acção
nasceram os quatros pontos

*

norte, este, sul e oeste
eu caminho é para o centro

*

a tristeza de um olhar
que te olha
te despe
e nele tu te perdes

*

bring the pirates
lets sail thru known seas
and there die

*

and the sea will then cry
happy tears
we made our destiny

*

para quem buscas algo? se para ti nada está nem é perdido

*

o pulsar do impulso é mais forte que a maré

*

espaço vazio
percorre caminhos
preenchidos pelo nosso espaço
mas ele não é de ninguém

*

oh ser má
nos teus olhos
nada é mais
que algo maléfico

*

frigorífico
lata nova
velha
meia usada
onde está a tua outra meia?

*

eu agora sou um vulcão em erupção, e faço pão quando tiver farinha na mão!

*

ai as marés vagas
levam-nos a todos

*

Published in: on 17/12/2008 at 1:38  Deixe um Comentário  

Devaneios de caneta na mão.


Acordei
na manhã seguinte, disposto a ver o mundo com uns olhos um pouco
diferentes. Sentia-me bem-humorado, como se as estrelas tivessem
despejado um pouco do seu brilho em mim. No entanto, não me levantei
de imediato, deixando-me estar naquela posição, de costas para os
panos que me mantinham quente de noite, que de dia os panos eram
outros, e dali podia ver o tecto em toda a sua extensão, aquela
paisagem rústica e pobre, recobrando forças de cada vez que o vento
amainava, indiferente a ser rústico e pobre, era assim e nunca lhe
passaria pela cabeça ser outra coisa que não rústica e pobre,
podia ser rica e abundante em quinquilharia, tapetes ou quadros,
grandes candeeiros que iluminassem todos os recantos da sua parede bem
pintada e resplandecente, se o fosse, mas não, era rústica e pobre, como as
pessoas que ali olhavam tectos e não só, tanto naquela casa como
em muitas outras.

As
casas da aldeia estendiam-se tristes e chorosas, pobres de feição e
rezingonas de espírito, e assim pareciam caminhar os rostos que
habitavam as casas pobres de feição e rezingonas de espírito,
rostos com poucos sorrisos, rindo apenas do pequeno e do triste, do
tacanho e do torcido, rindo das coisas e pessoas frágeis, soando o
menosprezo tal e qual o canto assobiado em frente a um espelho. A vida
aqui tornara-se algo adquirido, vazio de segredos, sem murmúrios a
escutar, uma vida que se tinha de viver, porque morrer não está,
nem estará, de certo, nas nossas mãos assim decidir, e assim
caminham, com os sapatos pesados que nem chumbo, devagar, dizendo,
Bom dia, para ali, Boa tarde, para acolá, Boa noite, sabe-se lá
para onde, se calhar para um travesseiro vazio ou para um recanto, se
não com tralha da casa, vazio, decerto. Um dia hão-de morrer e,
quando olharem o veludo escarlate que chama por eles do fundo caixão,
antes de sentirem a mão branca de morte tocar na fria madeira que se
há-de fechar por cima dos olhos, quem sabe abertos, quem saberá se
fechados, mas também não interessa que por eles a retina não irá
receber estímulo, vão pensar, se isso fosse possível, depois da
circulação sanguínea ter parado como um comboio que estaciona nas
entranhas do ferro-velho, irão aí perguntar-se, para os bicharocos
que já preparam festim, Mas que levo eu ao Criador de contar, que
levo desta vida de que me possa orgulhar verdadeiramente, existe algo
que me ilumine a alma e a faça sorrir, e então aí, se tivessem
língua articulada para falar, largariam tamanho palavrão que
haveria o caixão de corar de vergonha, veriam como é bom passar uma
vida adormecido, deixando os sonhos para os que têm a coragem de
viver acordados.

Acordado
estava eu, a olhar o tecto, rústico e pobre, perdendo aos poucos a
coragem de me levantar da cama, que o bom humor já se escapuliu de
mansinho por entre estes pensamentos vagos, mas os lençóis estão
já para baixo e o frio aperta, e com o balanço de os puxar para
cima saltei da cama, feito artista de circo, e aterrei em cima dos
chinelos, devagar, devagarinho fui à janela ver se o tempo estava
também ele bem disposto, como se da cama a janela não o visse, e vi
então que o tempo mal disposto havia acordado, logo hoje que eu
teria que dar no duro, sabendo mesmo assim que a terra estaria fofa,
no esforço contínuo de cultivar parte do sustento da família, que além do rebanho também tinha uma horta que, entre outras
coisas, se assemelhava com as outras pelo facto de não se semear
sozinha, nem mal acompanhada.

Caminhei
devagarinho, devagar entrei na cozinha, Bom dia mãe, Bom dia,
dormiste bem, pergunta ela, Dormi, atiro eu deste lado, e assim
ficaria a conversa se eu não perguntasse, O pequeno-almoço, Já to
faço, espera, e agora sim, morreu a conversa, que o dia começou há
minutos mas a alma já pesa mais que o corpo, e o cansaço já dá
picadas pelos braços e pernas, e a língua já morre antes de chegar
aos dentes.

Trinta
segundos é mais que suficiente para me fartar do assento onde me
encontro, levanto-me e vou mais uma vez espreitar a janela, agora a
da cozinha, as janelas para mim assemelham-se a uma qualquer fenda de
um qualquer castelo por onde se vigiam uns quaisquer inimigos
argutos, observando os seus passos e adivinhando-lhe as manobras, e
lá fora passa o Sr. Rinar, curvado com o peso de um balde cheio de
algo que nem tento adivinhar, sementes, talvez, terra, quem sabe, e
caminha ele com uma expressão no rosto de quem vai com uma vida de
sofrimento às costas, com trejeitos de herege que sente as primeiras
labaredas da punição tocar-lhe nos dedos, parece que a partir de
determinada idade qualquer mínimo de esforço exige que a face
corresponda com pesada careta, como se os braços dependessem disso
para poder exercer a sua força necessária. Sempre me ri dessas
expressões, surpreso e desagradado quando eu mesmo as fazia, mas há
que ter paciência, que os erros dos outros sempre nos tocam no ombro
quando deles nos esquecemos na nossa presunção, como que dizendo, Olha, agora é a tua
vez, bem entendido que fazer caretas ainda não é considerado
pecado, mas apenas porque aos homens ainda isso não lhes convém,
visto está que a noção de pecado, tal como todas as outras, varia,
irremediavelmente, com a vontade do ser humano, sendo o pecado uma
tradução mais laboriosamente criada para a palavra lei, segundo a
qual só se deve fazer aquilo que os outros maiores e mais importantes que nós querem
que façamos, quer seja matar bruxas, chutar nos pretos ou abrir a
mente a outras filosofias e deixar os preconceitos, não só raciais,
para trás, visto está que tudo depende da época em que se vive. O
mais engraçado está em observar como os valores fundamentais da
humanidade também dão à anca nesta dança do agora fazes isto,
amanhã pensas aqueloutro, rodopiando sem descanso neste rodar de
evoluir humano.

Dré

Published in: on 14/12/2008 at 3:35  Deixe um Comentário  

A ditadura dos sentidos


Aahh, a ditadura dos sentidos, a tirania das aparências, o fascismo dos contornos exteriores do corpo, os seus vários elementos, os olhos, o cabelo, agora as formas libidinosas dos seios, as coxas, as nádegas, as pernas delgadas que parecem estender-se até nós, convidando a por elas subir, a por elas subir e perder o sentido.

O déspota que é o sorriso, os tiranos dos jeitinhos de ombro, os opressores que são os pequenos tiques singelos do rosto que escravizam quem deles bebe, quem deles se torna servo, quem neles embarca na atribulada viagem pelas águas escuras da beleza, da sensualidade, os caminhos tortuosos que se escrevem nas linhas curvas da formosura, da elegância, da delicadeza corporal.

Aahh, que subserviência atroz a dos sentimentos que se regem pelas malfadadas atracções dos corpos, e não pelas sublimes e dóceis inclinações do espírito, as empatias amigáveis do coração. Infeliz troca de prioridades, como a do filho pródigo que regressa a casa volvidos anos de longas caminhadas, peregrinações, e antes de abraçar a mãe ansiosa, o pai que o olha emocionado, vai primeiro a correr aos lavabos a aliviar-se das persistências do baixo ventre.

Quem me dera que a beleza que carregas no coração, como se levasses ao peito uma criança de colo, como se nele se encaixassem todas as riquezas de todos os reinos, todos os recantos do mundo onde estacaram homens, embatocados com a deleitosa perfeição da Criação, quem me dera que essa beleza que abraças dentro a levasses também fora, nas linhas do teu rosto, no encanto do teu perfil, na maciez do teu cabelo. Amar-te-ia sem um segundo de hesitação, amar-te-ia sem que me atraiçoassem as fraquezas da razão, que escravas deveriam de ser da força da emoção pura do coração, mas não o são, não o são, repito, são elas quem na sua fraqueza comandam, são os tiques da vanidade, da vaidade, que sempre em busca do belo, do esbelto, dos contornos sedutores e apelativos ao apetite voraz dos sentidos, as fraquezas da razão que se perdem num mar de ossos e trapos, de bolor e bafio, elas as mesmas que deixaram os tesouros da seda e do mel para trás, os aromas dos perfumes, as reluzências dos cristais.

Ai, se os meus olhos fossem cegos, se não tos pudessem eles ver, e apenas pudesse o meu coração sentir o que sente quando o meu olhar se confunde no brilho que cintila no teu, pudesse isso assim ser, e jamais deixaria eu o teu colo, o teu centro, enrolar-me-ia em ti, juntinho à criança que levas no peito, a criança em forma de coração, o coração em forma de baú, baú em forma de cofre onde guardas todos os encantos do mundo, onde os reis do universo generosamente depositaram os tesouros que outrora lhes pertencera, um cofre que deixas aberto no peito, quem se chegar perto nem precisa de chave, a luz do teu ouro brilha desentravada e toca em quem tiver olhos verdadeiros para a ver.

Se soubesses como te acho bela pelo lado de dentro da alma, como vejo no teu coração uma paz e ternura que não as conhecem a maioria dos homens deste mundo, se isto soubesses abririas tu os portões do teu peito e espalharias pelas ruas e campos, pelas serras e mares, espalharias as cores e os sabores, as fragrâncias e as elegâncias que te enchem o corpo pela força que uma alma recheada faz nas paredes físicas que a cercam. Tens uma alma cheia como os têm os vales da Terra os declines onde se depositaram os oceanos, transbordas em todas as praias do coração vagas que lavam as areias escuras que lá habitam.

És grande, muito grande, descomedida na sumptuosidade dos sentimentos que trazes, és como um palácio que caminha entre as tendas, palhotas e barracas que se estendem na periferia do teu olhar, luminoso como sempre é o das rainhas e princesas dos reinos da alma.

Dré

Published in: on 12/12/2008 at 4:34  Deixe um Comentário  

E agora..? – O quadro pessoal de uma busca espiritual


Tacitamente a minha busca espiritual poderá ter começado em qualquer altura da minha vida, mas de forma mais evidente iniciou-se no verão de 2000, ano em que entrei na faculdade. Um livro perdido na minha sala, de seu título "As Valquírias", chamou a minha atenção para o autor brasileiro Paulo Coelho. Curiosamente, não foi com esse livro que conheci a sua escrita, mas com o "Alquimista", um romance que me apresentou à possibilidade de a Vida ser mais do que meros objectos que surgem e acontecem, pedras, árvores e coisas que estão presentes sem qualquer sentido ou significado – velado ou óbvio.

Com o "Alquimista" apercebi-me que a Vida deixa ou oferece Sinais que nos guiam na nossa jornada pessoal, em busca da nossa Lenda Pessoal – a nossa Missão na terra -, e que esses sinais são expressos na Linguagem do Universo, uma linguagem tecida sem palavras ou conceitos, mas mais com sentires e intuições, percepções subtis do coração, digamos.

Nesse verão engoli nove ou dez livros do mesmo autor e posteriormente a minha busca viria a solidificar-se com dois outros livros – a "Profecia Celestina" de James Redfield e o "Conversas com Deus" de Neale Donald Walsh. O primeiro mostrou-me que a vida, nos seus planos menos perceptíveis ao olho desprevenido, seria constituída de energia, energia esta à qual podemos aceder e transformar, bem como encontrar a sua nascente inesgotável.

O segundo livro colocou-me frente-a-frente, como que olhos-nos-olhos, mão-na-mão, com Deus, a fonte única da própria vida, bem como o seu regente e administrador, embora por vezes assumindo a posição de mero observador universal. Fiquei a saber que eu e Ele somos um só, que apenas um Deus existe e que todos somos Ele. Instruiu-me na missão de Ser quem realmente sou, ou seja, ser Deus na forma física. Porém, não me mostrou muito bem como o deveria fazer, nem por que razão há tantos seres diferentes, com a noção de serem todos separados e distintos uns dos outros, embora, na verdade, em essência, todos sejam o mesmo – o Divino. Disse-me que Deus significa "para além da dualidade" (GODGone Over Duality), mas não me apercebi claramente como poderia ir eu para além da dualidade onde sentia habitar.

Doravante estes três livros mudariam a minha vida. A minha visão do mundo semi-cristã e depois materialista para apenas voltar a semi-cristã novamente seriam abandonadas ou, quiçá, alargadas, empurrando os horizontes do meu ideal para incorporar mundos antes desconhecidos ou ignorados. Tinha mergulhado de cabeça, mesmo sem plena consciência do significado de tal imersão, no mundo do New-Age (Nova Era).

Outros livros se seguiram, dos mesmos e outros autores, como J. Krishnamurti, Osho, Deepak Chopra e Thich Nath Hanh. A internet foi ajudando a suprir as necessidades informativas que sobre tais pertinências foram naturalmente surgindo e acumulando-se e assim me fui, agora mais conscientemente, afundando na minha demanda interior, uma perseguição que se ia cerrando cada vez mais. A presa? Era eu próprio.

Mais tarde foi surgindo algum interesse pela meditação e pelo Budismo, o que me levou à União Budista para alguns cursos ou palestras. Continuei, todavia, submerso no mundo das infinitas possibilidades do New-Age, com todas as suas terapias e remédios, todas as suas experiências e transcendências, o seu misticismo e narcisismo espiritual. Encontrei-me com os chackras e as auras e meditei para os abrir, desenvolver, purificar. Cruzei-me com a projecção astral e concentrei-me nas respectivas técnicas de modo a conseguir lançar-me numa viagem pelos planos sublimes e escorregadios da quarta dimensão. Na primeira tentativa quase o conseguia, apenas o medo cancelou a operação. Nas seguintes, a eficácia intuída no primeiro ensaio foi-se evaporando e o ânimo e interesse acabaram também por escorrer pelo ralo do intelecto, embora a ideia me tenha ficado na retina e tenha acabado por me cruzar algumas vezes mais com a projecção astral, nomeadamente através da Academia Internacional de Conscienciologia (www.iacworld.org/Portuguese).

Foi então que, nas ruas de Lisboa e arredores, vi o meu caminho intersectado por cartazes do C.E.G. – Centro de Estudos de Antropologia Gnóstica. Desenrolava-se então o ano de 2002 quando me alistei nos batalhões gnósticos da guerra contra aquilo que lentamente se ia solidificando como inimigo-mor a abater: o ego, palavra de três letras apenas, mas de gigantesca envergadura na sua capacidade inefável de incorporar e dar abrigo a tudo o que de negativo e proibitivo existe no interior de cada um de nós. Assim me vinha sendo passado. O ego parecia ser, ainda que nunca explicitado de tal forma, a manifestação incorpórea do próprio Diabo!

Estive durante um ano na Gnose, onde aprendi sobre os vários corpos do ser humano – o físico, o astral, o causal e o etéreo -, as várias máscaras psico-emocionais do homem e sobre a importância da auto-observação, de modo a não incorrer nos desvios tornados naturais pela habituação e convivência com os aspectos mais egoicos e menos benevolentes e apurados da psique humana. Era um trabalho constante o de estar consciente do que estivesse a fazer, uma eterna testemunha de mim próprio, como que com um olho virado para fora e o outro para dentro, um estrabismo interior que o tempo e a insistência tornam violento. Uma luta constante pode, havendo um pendor desequilibrado de forças, transformar-se numa derrota permanente.

Foi durante este período que entrei no Reiki, uma técnica de cura tornada super-estrela da cena mística, best-seller no supermercado do materialismo espiritual. Tirei dois níveis, com a esperança de me vir a assemelhar com um dos heróis que habitava o meu subconsciente, Jesus Cristo. Sonhei e antecipei momentos de glória transcendente ao ver curadas feridas e golpes vários – físicos, espirituais e outros que tais. Nunca tal aconteceu, pois semelhantes feitos requeriam certamente ou alguma prática, coisa à qual nunca me abandonei, ou a crença em fábulas e historietas pseudo-religiosas que, por mais convicção que nelas seja investida, nunca dão o derradeiro salto para o real.

Foi nestes entretantos que, numa das intrincadas navegações cibernáuticas, esbarrei no que augurava ser a terra prometida da Nova Era, a cereja no topo de um bolo de tamanha complexidade culinária que começava a mostrar-se tarefa impossível discernir qualquer coerência gustativa. Ainda assim, essa cereja prometia trazer um sabor mais profundo e delirante do que aquele que podia ser encontrado em qualquer outro local. A cereja chamava-se Merkaba e consistia num campo energético que todos os seres humanos possuem, mas que se encontra inactivo na maioria dos casos. Quando activada, a Merkaba funciona como um veículo que leva o seu condutor, nada mais nada menos, numa viagem pelas várias dimensões de consciência – os vários planos nos quais se escalona o universo. Literalmente, o indivíduo desaparece da dimensão física. Comparada com este truque de magia, este prodígio do sobrenatural, esta enormidade do transcendente, qualquer outra abordagem espiritual cai na insignificância, pecando de uma banalidade ofensiva.

Acto contínuo vi-me em busca de uma forma de activar este campo energético. Organizei um workshop, veio a doce Shari Billger (www.sharibillger.com), uma facilitadora dos Estados Unidos, e aprendemos todos a activar a Merkaba, juntamente com factos e teorias sobre Geometria Sagrada e outros aspectos relacionados com a dinâmica da organização Flower of Life (www.floweroflife.org). Mais tarde fui ainda a Ibiza a um outro workshop da Shari, desta feita de Tantra. Passou quase um ano e os prodígios afiançados não se manifestaram. Voos só os para e de Ibiza. O interesse por mais esta cereja acabou também por esmorecer. Foi o fim da minha relação com uma Nova Era que me prometia tudo de novo, mas que se mostrava incapaz de me libertar do velho. A Nova Era era para mim um caminho que "já era".

Algures, local temporal não facilmente localizável devido à penumbra que se faz sentir nos corredores da memória, atafulhados com o passar dos dias e dos anos, acabei por ler algo que teria um impacto enorme em mim. Eckhart Tolle escreveu um livro intitulado "O Poder do Agora" que me mostrou que não eu precisaria de me evadir para uma montanha ou floresta e meditar horas a fim para encontrar aquilo que perseguia – o meu verdadeiro ser. Segundo o autor, também não precisava de grandes malabarismos esotéricos ou artimanhas metafísicas, bastava estar presente no aqui e agora. Aprendi que tudo existe agora, que passado e futuro já deixou de existir e está ainda por acontecer e que a mente pode pensar ou especular muita coisa – e efectivamente fá-lo -, mas o nosso Ser encontra-se para além dela, sempre imaculado e intocado. O esforço deverá passar por observar essa mente, eleita assim inequivocamente como o único obstáculo à iluminação, para podermos aceder directamente à essência.

Neste contexto, a mente assumiu o mesmo lugar que assumia o ego anteriormente, pela simples razão de ego e mente, sob esta perspectiva, significarem exactamente a mesma coisa. Terá sido esta revelação que ajudou a enterrar o último prego no caixão do New-Age e a dar à luz uma nova direcção na minha busca. Percebi que não era necessário aprender mil e uma técnicas, voar para mil e um destinos ou conhecer mil e uma dimensões do espírito. Aparentemente, havia uma só fonte de confusão e de escuridão a impedir que a única fonte de luz se manifestasse e essa fonte de confusão era o ego, a mente, que como uma parede colossal nos impede de cruzar o deserto até à terra prometida, um tecto que nos separa do sol que brilha eternamente, uma minúscula casca de noz que entrava as gotinhas de água no seu interior de se fundirem no imenso oceano onde flutua.

Olhei nos olhos o novo inimigo que, pela primeira vez, reconhecia claramente e entrei pela porta da frente do combate. Entrei no Zen. Dois mil e quatro marcaria o calendário se o materializássemos aqui. Foi o ano em que terminei a licenciatura, o ano em que larguei as roupagens de adolescente para me engolfar dentro de um fato, para enlaçar pescoço e alma numa gravata apertada. Durante 12 meses mantive a condição de escravo da aparência e da necessidade profissional, entremeando-a com fugas esporádicas a retiros espirituais – um de Zen, outro de Budismo de inspiração mais tibetana.

Cedo me apercebi que tinha batido à porta certa. Se há palavras de importância maior na tradição budista, e em particular no Zen, são as palavras ego e mente. Tão importantes são que muitas vezes o propósito é, literalmente assim expresso por diversos mestres reconhecidos, matá-los – não às palavras, claro, mas sim ao que elas apontam. Traguei inúmeros livros e, aquando da minha libertação da condição profissional opressora, peguei nas pernas em direcção a Santiago de Compostela, no Caminho sobre o qual tinha lido cinco anos antes nas palavras de Paulo Coelho. Estava nos quase finalmentes de 2005.

A ideia era criar o espaço interior suficiente para encontrar-me a mim
próprio. Encontrei muita coisa, nenhuma das quais eu próprio, parecia
que tinha aberto um baú velho escondido num sótão antigo cheio de coisas
que o tempo tentara esconder e o pó mascarar, mas por debaixo dos
disfarces que agora levantava estava o sofrimento que a poeira tão bem
maquilhava. Continuei a desempacotar o lixo que encontrava dentro da
caixa de mim próprio durante os dois meses em que vivi em Santa
Cruz, em retiro pessoal de meditação, introspecção e reflexão.

Se me encontrei comigo próprio nesta altura, o ruído interior não o
permitiu saber. No meio do pó e das teias deste baú, qualquer
objecto mais valioso, coberto também ele de lixo e sujidade, passaria facilmente
despercebido. Esquecidas que ficaram as duas ou três experiências mais profundas
que tivera na meditação destes dias, em inícios de 2006 segui caminho
rumo ao sul de França, para o mosteiro de Thich Nhat Hanh, a Aldeia da
Ameixa (Plum Village), onde
vivi onze semanas de puro paraíso, apenas perturbadas por alguns
demónios interiores, suaves na sua acção porém. O aqui e agora são
também rei e senhor do pensamento destes monges e monjas, a prática é
estar alicerçado no momento presente e jogar ping-pong nas horas vagas.
O cenário é um idílico sul de França, onde o verde parece de ouro, onde
a paz parece a de Deus.

Encontrei alguma serenidade, mas não a de me ter encontrado a mim próprio,
ou de ter despachado o ego, o que é a mesma coisa, pois um dia depois
de regressar a casa essa serenidade regressou também a donde tinha vindo, seja
isso onde for. Poucos meses volveram e arranquei para o Japão, para
um outro templo Zen. Subornado como ia da experiência maravilhosa no
mosteiro de sul de França, entrar em Sogenji foi como entrar no inferno
em cuecas. Desde os gritos do roshi  às bastonadas com o keisaku (o pau de despertar), da frieza de alguns dos praticantes à rigidez geral do treino, tudo foi diametralmente oposto ao que encontrei em França. Somado a algumas coisas que tinham ficado em suspenso na minha vida pessoal com a minha ida para o Japão, tudo isto contribuiu para tornar a minha experiência nipónica num autêntico pesadelo acordado, uma factura emocionalmente difícil de a-pagar.

Apesar de algumas experiências mais fortes e profundas durante a prática meditativa nos nove meses que passei em Sogenji, após o meu regresso o Zen passou apenas a memória de tempos idos, e longe de agradável. Gato escaldado, voltei a Portugal seriamente zangado com a espiritualidade em geral, com o Zen em particular. Regressei em Julho de 2007 e somente decorrido um ano viria a perdoar totalmente o caminho espiritual e a minha busca interior, deveras inglória até ao momento presente.

Durante esse ano de submersão na banalidade da vida rotineira apenas dois acontecimentos serão, nesta retrospecção da minha demanda, dignos de nota. Um foi o retiro de ano novo com a AnandaMarga (www.anandamarga.pt), seguido de dois cursos de yoga, o que serviu para reacender uma chama que viria a extinguir-se volvidos poucos meses. Na AnandaMarga aprendi a cantar louvores a Baba – o Guru Supremo – através de canções devocionais (kiirtans) e aprendi que o Amor é tudo o que existe, ainda que ninguém me tenha dito para que serve uma busca quando o Amor é já tudo o que existe. Aprendi algumas posturas de yoga, fui iniciado na meditação do Tantra Yoga e apercebi-me também de vários projectos interessantes na área social, mas o tempo voltou a pousar as suas asas no meu caminho e deixou cair do meu coração este novo olhar espiritual.

O segundo acontecimento foi a descoberta do Santo Daime, uma tradição espiritual de raízes Amazónicas onde se toma uma bebida – Ayahuasca – de modo a mergulhar numa espécie de transe/meditação onde se contacta com o Astral. Tomei a bebida cinco vezes, nas duas primeiras a experiência foi, indubitavelmente, fantástica e deixou-me sem fôlego. Porém, e embora tenha "contactado" com mundos e seres até agora desconhecidos para mim, habitantes até então apenas da minha imaginação, o meu interesse por este caminho também se desvaneceu, muito por causa também de uma Advaita que pouco depois conheceria.

Não muito tempo depois o interesse pelo Budismo reemergiu em mim, desta feita mais pela vertente tibetana e tântrica – não confundir com o Tantra Yoga da AnandaMarga ou do Hinduísmo em geral. Muito devido aos autores Lama Yeshe e Geshe Kelsang Gyatso, voltei a meditar e passei alguns dias nas areias da fabulosa Serra da Arrábida, num misto de retiro de meditação e férias na praia. Estava então a ponderar, ainda que de forma francamente débil, a tortuosa possibilidade de voltar a um mosteiro budista e, quem sabe, fazer o retiro de 3 anos e 3 meses da tradição tibetana quando, por acaso ou obra do divino espírito santo, e tendo a inclinar-me mais para a segunda hipótese, me deparei com uma abordagem espiritual que viria a r-evolucionar a minha vida: a Advaita.

A minha inclinação para a possibilidade de ter sido a intervenção celestial a responsável pelo meu encontro com a Advaita reside no facto de, de uma forma ou de outra, sentir que toda a minha vida estive à espera deste encontro, de conhecer um nome que se tornaria no maior depósito de fé e convicção na minha busca. Esse nome escreve-se em inglês, como em John Wheeler, e representa o passo mais sólido e final na minha empresa espiritual.

De repente, via a minha visão transformada e a minha esperança redobrada e multiplicada por mil. Afinal a busca espiritual não tinha que ser difícil nem durar trinta anos, não tinha que ser levada a cabo longe dos meus, em templos, mosteiros, montanhas, grutas ou florestas e não requeria vestes exóticas e excêntricas, nem incensos, velas, vénias ou palavras em línguas estranhas. Não requeria profunda e continuada meditação, eternas e saturantes práticas, infinitas e desgastantes purificações, desenvolvimentos, vislumbres ou epifanias. Não requeria sequer prestar atenção ao aqui e agora, o já de barbas rei da espiritualidade como eu a via, nem – imagine-se o escândalo – necessitava que o ego e a mente, que é como quem diz, o Diabo dentro de nós, fossem transcendidos, abatidos ou eliminados de forma alguma.

Uau! Foi como um balde de água fria em pleno verão alentejano, uma des-ilusão, um despir de tantas vestes que com o passar do tempo se tinham transformado em andrajos gastos e secos que mal disfarçavam uma nudez frágil. Foi um varrer para fora da porta de tantas ideias, preconceitos, técnicas e lixo espiritual que habitavam a minha cabeça. Precisamente na altura em que parecia querer enterrar-me novamente em mais práticas infindáveis, em mosteiros sabe-se lá onde, em buscas sabe-se lá pelo quê, via-me resgatado pela mão caridosa da Não-Dualidade, que prometia tudo sem pedir quase nada. Não, não tens de meditar mil anos, não, não tens de matar o ego, não, não tens de me pagar em dez cheques de quinhentos euros, não, nada disso. Tens apenas de olhar profundamente e ver o que é claro e o que é óbvio, ver o que és e o que sempre foste. Se quiseres, até te ajudo pessoalmente nisso, pois costuma ser mais eficaz dessa forma.

Foi isso que o John Wheeler (www.thenaturalstate.org) me disse, com toda a calma e todo o desinteresse de quem não quer ganhar nada com a minha procura. Não, não quero o teu dinheiro, as minhas palestras até são gratuitas, nem conduzo eu retiros que terias de pagar, que se transformariam em dvd’s que terias de adquirir, em audiobooks que terias de ler. Não, apenas falo contigo e esclareço as tuas dúvidas, como falei um dia com quem não tinha já dúvidas e teve a bondade de me limpar das minhas.

Este é o brilho da Advaita, a Não-Dualidade. Não há marketing que a envolva, publicidade que a leve aos ombros, não há espampanâncias, vistosidades ou gestos espalhafatosos inúteis, é tudo muito discreto, muito calmo, muito desinteressado. Queres terminar a busca espiritual?, nós damos-te umas dicas. Pouco mais do que isto será encontrado na Não-Dualidade mais honesta. Não é prometido nada de muito extraordinário, nenhum fogo-de-artifício, nada de grandes iluminações, levitações ou adivinhações, nada de raios e trovões a sair dos chackras. Não se prometem kundalinis a subir até ao topo do cosmos, nem reintegrações de vidas passadas onde fomos padeiros, ferreiros e guerreiros em terras sem fim. Não se verão auras luminosas a rodear a cabeça de quem finalmente, ao fim de incontáveis eras, compreendeu o segredo inestimável de Deus, da Vida e do Universo.

Se queres terminar a busca espiritual, se queres saber quem és, se queres clarificar a tua verdadeira natureza, se queres pôr um fim ao sofrimento e à dúvida, nós podemos ajudar-te sincera e honestamente, e nem precisas de trazer cartões de crédito, roupas esotéricas ou pintas de tinta dourada no terceiro olho. Traz apenas o teu ser, pois é isso que precisamos. O resto que possas querer vai aos supermercados da especialidade, que os há em abundância já.

Simplicidade suprema, profundidade modesta sem uma ostentação abusiva e uma claridade raras vezes encontrada por mim nos oito anos que foram aqui percorridos foi o que se me deparou ao ler John Wheeler, John Greven e outros que tais. Nada de guru mambo-jambo, de meditação para inglês ver, nada de devaneios e vanidades vulgares e hipócritas, nenhum dos tiques de artista

VIP de que sofrem tantos mestres e deuses encarnados no mundo do misticismo actual. Porra, até que enfim! Que alívio encontrar algo de genuíno, algo de concreto, algo real.

Vinte de Janeiro marca a minha partida para Santa Cruz, Califórnia, para me encontrar com o John Wheeler, esclarecer o que houver para ser esclarecido e colocar um ponto final fim de parágrafo nesta pesada busca por aquilo que parece nunca ter-se perdido: o meu próprio ser verdadeiro.

E agora?, diz o título desta entrada. Agora é esperar que volte a pôr os pés em solo português depois de os ter colocado em solo norte-americano e ver que respostas vêm a ser dadas às perguntas que puderem vir a ser feitas.

E agora? Aguardo, com alguma calma, não toda, o ansiado cair do pano.

Dré

Published in: on 08/12/2008 at 21:50  Deixe um Comentário  

Escavando um buraco para chegar ao céu


A maioria dos caminhos espirituais assemelha a busca interior a um acto de escavar. O aspirante necessita de escavar dentro de si próprio, profundamente, procurando o seu verdadeiro ser, a sua alma, Deus ou qualquer que seja o nome ou a fórmula. A ideia é que a ‘essência’ está situada num local profundo, quase inacessível, enterrada sob várias camadas que previnem o indivíduo de lhe aceder directa e espontaneamente.

A Não-Dualidade apresenta uma proposta alternativa. O ser verdadeiro ou Deus não se encontra profundamente escondido dentro de nós. Encontra-se bem visível, talvez demasiado visível para ser visto com clareza no imediato. Como disse Edward R. Murrow, o obscuro acabamos sempre por ver. O óbvio, assim parece, demora mais tempo. Segundo a Advaita, a ‘essência’ é como o céu: não é preciso escavar um buraco sem fim para chegar até ele, basta erguer a cabeça, mudar a perspectiva e olhar – profundamente, mas com simplicidade.

Por vezes é dito que o homem que busca a iluminação é como aquele procura os seus próprios óculos, tacteando todos os cantos da casa sem os conseguir encontrar. Mais tarde chega um amigo que, vendo o ridículo da situação, lhe diz – com a frontalidade e clareza de uma verdade absoluta e incontestável -, "Companheiro, os teus óculos estão na tua cabeça!" O outro, vendo o insólito e o cómico de uma busca desesperada por algo que nunca perdeu, solta uma sincera gargalhada, coloca os óculos no local apropriado para uma visão correcta e prossegue normalmente a sua vida.

Há algo de extraordinário nisto? Algo de transcendente? Algo de difícil sequer? Não me parece, e esta é a mensagem da Advaita. A busca espiritual pode parecer muito válida e relevante enquanto não somos informados de que, afinal, aquilo que procuramos está espetado na nossa cabeça. Depois de isto ser visto, a busca é esvaziada de toda a seriedade e sentido de urgência. Não é necessário escavar em busca de algo que se obliterou nas profundezas da nossa mente ou do nosso ser. O céu nunca se perdeu, basta levantar a cabeça. Quem tiver olhos que veja, diz-nos Jesus.

Se os óculos não se perderam, não há que os procurar – um simples ajustamento serve. O nosso ser não se perdeu – como nos poderíamos perder ou sequer afastar, por um segundo que fosse, daquilo que nós verdadeiramente somos? Eu sou quem sempre fui e sempre serei. "Eu" nunca poderei ser "não-eu". Qualquer busca implica algo que não está presente neste preciso momento, mas quando se trata de mim próprio, isso não faz qualquer sentido.

Não escaves um buraco até ao céu. Não busques os óculos que nunca sairam da tua cabeça. Aqui-Agora, tu és o teu verdadeiro ser, a tua ‘essência’, Deus, o absoluto. Se não Agora, então quando serás Tu próprio? Aqui-Agora a busca não precisa sequer de começar, pois antes do primeiro passo já és quem procuras. Deus é o todo e tu também. A vida habita tudo e tu também. A tua essência verdadeira já é tão verdadeira quanto poderá alguma vez ser. Ajusta os óculos e vê.

Agora mesmo, onde te encontras, não busques. Vê.

Dré

Published in: on 04/12/2008 at 23:17  Deixe um Comentário  

Futuristic theatres and the Self


Let’s ponder about a situation here. The following metaphor is borrowed
from a Michael A. Singer’s book entitled ”The Untethered Soul”, but I
believe it can be useful here.


You go to a futuristic theatre.
Contrary to contemporary ones, in this new theatres all of your senses
are called for experiencing the movie – not just sight and hearing. You
put a special helmet on and, all of a sudden, you are ”inside” the
movie. Let’s imagine you are seeing a James Bond film and you choose to
be James itself. Your thoughts stop. All of you thoughts now are James
Bond’s thoughts. All you hear, smell, taste and so on is what the
character in the movie is experiencing. Even thoughts and emotions are
not your own, but the ones approved in the script. There is no you
anymore, only Bond. You can’t even stop this device on your head,
because James Bond has no device on his head, so he wouldn’t ever
produce such a thought. You better set a timer or have someone else
pushing the ”Off” button – otherwise, you’re forever trapped inside
the movie.


What happened to ”your” self? Where is it now? Who
are you? Besides James Bond’s thoughts, feelings and perceptions, there
is absolutely nothing going on, not even the remembrance of someone
being sited in a theatre. Where is ”your” self? Where are your
problems, your dreams, your wishes, your name, your sense of being who
you are and so on?


Well, your beloved friend sitting right next
to you pushes the ”Off” button and there you are, back to your
senses, back to your ”self”. You ride back home fully aware, once
again, of being who you are. But where were ”you” just a few minutes
ago?


So we can see that maybe – just maybe – that which we call
our ”self” is just a set of footprints stored in memory about
experiences that took place somewhere in the past and that are
activated from time to time. If those were to be replaced by a
completely different set of footprints, nothing would change beside the
ideas inhabiting your head. Imagine, for instance, that you have an
amnesia attack. You forget your name, where you were born, your job,
your family, friends and all else. You just appeared in the world one
second ago! You exist, that’s always for sure. But is there a self
there when the mind just went full blank?


Forgetting about the
self for a moment, what happened to awareness during the movie at that
futuristic theatre? Did it go anywhere? Did it vanish? Or was it there
registering every thought, feeling and perception? It really doesn’t
matter whose thoughts are they – James Bond’s or yours. Awareness is
there registering everything – just like a loyal assistant typing
everything he’s told.


For awareness, it doesn’t matter what kind
of information is being pulled through your senses. It can be the sight
of your beloved in your living room or it can be a junkie in a dark
alley pointing a gun at you. It can be the birth of your child or the
end of the world. Awareness types it all, word by word, without missing
a beat. The mirror reflects it all – good or bad, nice or unpleasant.


You
are that awareness. Not the body, not the thoughts or feelings, not the
perceptions. You are there experiencing them, not being them. Those
belong to nobody. They could be replaced at any time without affecting
awareness. This awareness is what you are, untouched even by the end of
the world. Now, what does this says about your true nature? Unshakable,
fearless, painless, empty, open, clear, always present, always aware.
Beyond words, beyond concepts, labels or beliefs, beyond everything. No
reflection can scratch the mirror; no cloud, bird or plane can touch
the sky. No appearance can interfere, influence or change awareness in
any way. That is who we are. Here and now, this awareness is
registering this very words, the screen of your computer and all else.
The world exists in that awareness. Before everything else, awareness
is. Without it, nothing is.


It is here. It is now. Our own
intimate sense of existence is it. Our own sense of being is it. We are
it, always and in all ways. No separation exists – ever. We are one
with it. We are it and that is all.


Love.

Dré
Published in: on 02/12/2008 at 3:00  Deixe um Comentário  

A nudez original


As ideias são como roupas. Podemos vestir as que quisermos, mudá-las quando quisermos, podemos ter roupas elegantes e caras, baratas, sujas ou rotas, mas por debaixo estamos sempre nus. As roupas, por muito diferentes que sejam, escondem algo que é igual para todos: uma nudez que nos foi dada originalmente à nascença e que nunca é perdida, apenas camuflada.

Assim são as ideias. Podemos ter ideias fantásticas sobre a vida ou nós próprios. Podemos ter ideias muito avant-garde ou ideias muito retrógradas. Podemos nutrir ideias muito ou pouco ortodoxas, mais abertas ou mais fechadas, mas, por debaixo de todas elas, esconde-se um ser humano que não faz ideia do que é que isto se trata. "Isto" é a vida, é a essência de estar vivo, é o que nos faz existir e é o que nos faz morrer.

Debaixo de todas as capas, sobretudos, casacos e chapéus está um corpo nu, uma mente despida de todos os adornos que lhe foram acrescentados por razões sempre desconhecidas. Debaixo de cada peça de roupa – comunista, democrata, religioso, new-ager, libertário, anarquista, materialista, activista – esconde-se aquilo que nunca desaparece, por mais roupas que sejam adicionadas. Esconde-se um ser humano que nunca será mais ou menos do que isso – humano. Alguém que quando toma banho é igual a outros mil que tomam banho, que quando se alivia, se limpa como outros mil se limpam, que quando come, mastiga e engole como o fazem outros mil que mastigam da mesma maneira.

Por detrás de cada veste esconde-se alguém que vê em toda a peça de roupa uma oportunidade – a oportunidade – de transformar esta vida em algo um pouco mais tolerável, mais fácil de vestir. Cada roupa é um escudo, cada escudo uma máscara, cada máscara um grito de revolta. Cada grito de revolta é um pedido de socorro, um chamar pela paz, pelo silêncio que tudo leva, pelo oceano que tudo purga.

Cada ideia onde nos introduzimos é uma tentativa de vestir a nossa nudez original, a nossa fragilidade essencial, a nossa vulnerabilidade total. É uma muralha erguida para nos esconder da verdade que fingimos procurar, da verdade da qual fingimos fugir; a verdade que é quem nós somos e, referente à qual, buscas ou fugas fazem nenhum sentido.

Pessoas morrem e matam pelas roupas que vestem, pelas ideias que erguem. Nações inventam novas roupas, controlam povos por causa delas, mentem por causa delas, pisam e esmagam por causa delas. Todos esquecem que a roupa não é a pessoa, que a pessoa está e sempre esteve nua e que essa nudez, essa pessoa, é igual para todos, em todos. Ricos e pobres, inteligentes e broncos, bons e maldosos, todos estão tão nus como todos os outros. Ninguém está mais nu que ninguém. A nudez é como a verdade – não conhece níveis, estados ou relatividades. Existe em pleno absoluto.

Sou plenamente nu, plenamente verdadeiro, plenamente eu – as roupas não apagam o que sou, apenas disfarçam, como uma peneira ao sol. Por detrás de cada buraco brilha a luz, por detrás de cada olhar cintila o nu e cru que habita o coração de todos sem excepção. Os olhos não tapam o que a roupa intenta, não disfarça o que as palavras e discursos distorcem. O frio faz-se sentir na nudez da cada um, independentemente das roupas que nos tentam proteger do gelo que se ergue à nossa volta. Na nuvem de bafo quente que se forma ao abrirmos a boca pode escrever-se o que os nossos lábios têm medo de pronunciar, que esta nudez, esta fragilidade, esta vulnerabilidade é desconfortável, magoa profundamente, cria ansiedade e insegurança. Por detrás de cada armadura respira um corpo mole, tenro perante qualquer flecha, espada ou bala. Por detrás de cada peito erguido vive uma ferida interior que tentamos esconder no fundo do coração.

Quem não está confuso não compreende realmente a situação, disse Edward R Murrow. Eu diria que quem não está confuso ou já se despiu por completo e treme de frio, treme de verdade e real, ou tem demasiadas roupas a obscurecer, a entreter, a engodar a mente e a evitar que a nudez de si próprio e da vida se mostre absolutamente. Se mostre absolutamente. Absolutamente. Nua.

Dré 

Published in: on 02/12/2008 at 1:52  Deixe um Comentário  

Verdades nuas e cruas

Most truths are so naked that people feel sorry for them and cover them up, at least a little bit. – Edward R. Murrow

Esta frase faz-me pensar um pouco naquilo que sinto ser a claridade existente na Advaita (Não-Dualidade) comparativamente a outras abordagens espirituais.

Sinto que a Advaita é a única tradição espiritual – que eu conheça – que conseguiu não encobrir, mesmo que apenas um pouco, a verdade para a qual aponta. Realmente sinto que a maioria das escolas espirituais ou religiões, conscientemente ou não, não conseguiu evitar adicionar novos aspectos àquilo que era percepcionado como central. Não conseguiu não adicionar novas cores, novos sabores, novos nomes, novas fórmulas, novas direcções, novos caminhos, enfim, novas mentiras sobre uma verdade que parecia ser demasiado crua para ser digerida tal e qual estava, demasiado nua para ser vista pelo que simplesmente era.

A verdade é nua. Ainda que sendo apenas uma forma de expressão, esta aponta para um facto. A verdade é nua – não tem extras, não tem nada a esconder, não aponta para nada que não esteja plenamente visível, plenamente despido de artifícios, máscaras ou enfeites. As pessoas, por pudor inconsciente, não estão habituadas a semelhante nudez, mesmo quando se trata de algo tão importante como a verdade – algo que se deve comer sempre cru e ver sempre nu. Daí dizermos, "a verdade nua e crua".

Mas para as mentes religiosas e espirituais do nosso mundo, a verdade parece ter sido vista como estando nua demais, crua demais. Daí terem sido adicionadas novas roupagens, novos temperos. Na Advaita é difícil encontrar essas roupagens, esses devaneios culinários que apenas nos afastam do sabor natural da verdade sobre quem nós somos. E é por isso que a Advaita me fascina e toca tanto; é por isso que ela, para mim, traz o sabor da verdade, puro e duro; me traz o sabor da liberdade, da paz e do amor. Como a liberdade, a paz e o amor devem ser saboreados, não como as nossas mentes os pintam ou descrevem.

A maior parte das tradições espirituais tem um centro e uma periferia. Mas qual é o propósito de uma periferia? Para que serve a periferia em algo tão importante como a verdade? A Advaita – no seu sentido mais puro – conseguiu manter-se apenas com o centro. A periferia foi deixada para aquilo que não seria do seu interesse. Se pertence à Advaita então é central. Se é periférico, outros que se debrucem sobre isso.

Dré

Published in: on 02/12/2008 at 0:34  Deixe um Comentário