Não-Dualidade

 
     A Não-Dualidade é o termo geral que cobre diversas escolas de pensamento – na sua maioria orientais – que apontam para a fonte única que existe antes e para além de todas as experiências temporais e da aparente multiplicidade. Ao ler textos de sistemas não-duais, tais como Zen, Advaita, Taoísmo ou Dzogchen, irás descobrir que a Auto-realização não promete mais do que libertar-te da crença num "eu" ou ego independente. É isso. A queda da ilusão revela isto tal e qual é, muitas vezes resumido pela frase, "Antes da iluminação, cortar lenha e carregar água. Depois da iluminação, cortar lenha e carregar água".
[Tradução: Dré]

 

Non-duality is a general term that covers several  -mostly eastern –  schools of thought, which point to the single source before and beyond all temporal experiences and apparent diversity. While reading texts from non-dual systems such as Zen, Advaita, Taoism, or Dzogchen, you will find the affirmation that Self-realization has no promise other than to release you from your belief in a separate self or ego. That’s it. The dropping away of the illusion simply reveals this as it is, often summed up in the phrase "Before enlightenment chop wood and carry water. After enlightenment, chop wood and carry water."
 
Leo Hartong
 

Published in: on 30/07/2008 at 5:14  Comments (2)  

Consciência

 
     "Se tudo o que existe é Consciência, se só existe Consciência, então porquê ou pelo quê continuas tu em busca? Se apenas existe Consciência, então, agora mesmo, tu tens de ser Isso and tudo o resto que surge terá também de ser Isso, incluindo qualquer sensação de um "eu" separado. Qualquer manifestação mundana ou vulgar da existência não pode ser menos Consciência que qualquer manifestação de amor incondicional, plenitude, bem-aventurança, quietude, silêncio ou qualquer outra coisa. Haverá sequer alguma coisa para ser transcendida, encontrada ou libertada?"
 
[Tradução: Dré]
 
     "If all there is is Consciousness, if there is only Consciousness, then why or for what are you still seeking? If there is only Consciousness then right now you must be That and every thing else that appears in and as awareness must also be That, including any sense of separate self. Any appearance of mundane, ordinary existence can be no less of Consciousness than any appearance of unconditional love, wholeness, bliss, stillness, silence or anything else. Does anything really need to be transcended, found or let go of?"
 
Nathan Gill
 
 
Published in: on 30/07/2008 at 4:53  Deixe um Comentário  

Falling into the mystery

 
"There is no path,
there is no ‘ending of delusion’,

for the delusion never began,
which is to say that the miracle never ended.

For the Miracle is this… here…. now…

 
This isn’t about "understanding"
This is about falling into the mystery…"
 
Jeff Foster
 
 
Published in: on 30/07/2008 at 4:41  Deixe um Comentário  

Reincarnação?

 
     «Eu não proclamo ser especialista em doutrinas metafísicas tais como a reincarnação e afins. Dentro do reino das aparências, e enquanto alguém se vê em busca, existem teorias e doutrinas intermináveis. Em última análise, todas elas são produto do pensamento e da imaginação. Elas parecem irresistíveis àquele que busca porque fornecem razões para explicar a sua (aparente) existência separada.
     Ao nível da mente, existem intermináveis teorias para explicar os "porquês e portantos" da pessoa individual. São largamente especulativas e nunca servem nenhuma finalidade. Mas a tua verdadeira natureza alguma vez nasceu? Tens alguma prova de que morrerá? Vive ela dentro de um corpo? Na verdade, quando a tal pressionados, tanto Ramana Maharshi como Nisargadatta Maharaj, dois pontífices da espiritualidade indiana do último século, afirmaram que a reincarnação não existe. (…) …podes vir a descobrir que ao tentar deslindar mistérios metafísicos na mente tendes a negligenciar o facto óbvio que és já livre neste momento. A consciência é a presença imutável na qual o universo aparece.
     Num nível mais relativo, podemos descer ao reino do pensamento e das teorias metafísicas, mas, nesse ponto, qualquer teoria é tão boa como qualquer outra e são todas especulativas. Limita-te ao fundamental. A resposta não está na mente.
     Mesmo que tomemos a reincarnação a sério, o que é que reincarna? A investigação revela que não existe um "eu" separado*. No reino das aparências, tu (como entidade individual) não existes; o "eu" está ausente. Como pode a ausência de um "eu" reincarnar? Se os elementos físicos se reciclam, então seja. Se os pensamentos se reciclam, então seja. Mas tu mantens-te como és. A consciência clara** que tu és está eternamente presente tal como é. Seja de que perspectiva for, a reincarnação parece sempre insubstancial.
     Eu não estou a tentar negar as teorias e mecânicas da reincarnação, mas parece-me mais directo notar que existe apenas uma consciência e tudo é essa mesma consciência. Se ondas incarnam noutras ondas, então que seja. As ondas talvez estejam tremendamente fascinadas com saber de onde vieram, mas o oceano não está preocupado.  Do ponto de vista da água, tudo é feito de uma substância apenas. Com o teu enfoque na tua verdadeira natureza enquanto consciência, vês que todas as teorias são apenas movimentos da mente. A consciência é real; os pensamentos são sombras. O sonho da reincarnação é uma nuvem que passa em frente do sol abrasador da consciência, que é quem tu és agora.
     Na minha experiência, é mais libertador permanecer com factos sólidos, como o facto de existir e saber que existo, em vez de me envolver em debates metafísicos que são intermináveis. Em vez de nos perguntarmos o que fomos numa vida anterior ou seremos numa próxima vida, porque não investigar o que somos agora?»
 
John Wheeler, do livro Awakening to the Natural State
 
[Tradução: Dré] 
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* ver a recente entrada "Who am I?" deste blog.
** Space-like awareness, no original.
 
 
Published in: on 30/07/2008 at 3:30  Deixe um Comentário  

Pausas obrigatórias

 
     Hoje apercebi-me que o mundo seria um local bem melhor – e a mente-coração do Homem estaria bem mais sereno – se todos fôssemos "convidados" a parar por quinze minutos, todos os dias, no nascer e no pôr-do-sol. Observando a mudança no céu, sentindo a quietude do silêncio, o chilrear dos pássaros. Meia-hora acalmando a mente, conectando-nos novamente com a Mãe Terra, poderia mudar as nossas vidas para sempre…
 
     Que tal pararmos trinta minutos por dia, todos os dias, para sentir o renascer da vida?
 
Dré
 

Published in: on 30/07/2008 at 0:20  Deixe um Comentário  

Quem sou eu?

 

     Nós dizemos, "Eu não presto", "Eu não sou feliz", "Eu não gosto disto", etc. O "eu" nestas afirmações é o que eu chamo de eu separado. É uma construção verbal, uma imagem, uma ideia. Então, quando tu dizes "Eu não presto" ou outra coisa qualquer, a questão é: o que é esse "eu"?
     Esta é a investigação a ser sugerida… Estamos constantemente a dizer "eu", "a mim", etc. Então quem e o quê é este "eu"? Essa é a questão. És tu o corpo? És tu a mente? És tu um pensamento? És tu uma emoção? Pondera estas questões e responde. Se és um pensamento, qual deles? Se és um sentimento, qual deles? Se tu não és nenhuma dessas coisas, então quem és tu?
      O que descobres é que não consegues encontrar nenhuma coisa ou experiência particular que seja "eu". Não existe nada presente que seja o "eu" separado e limitado. É apenas uma noção, mas não existe de facto. Estamos a falar de um fantasma que não está presente. É uma asunção. Porém, nós indubitavelmente somos. Somos o quê verdadeiramente? Nós somos aquela presença-consciência que está sempre aqui. É clara, simples e livre de problemas.
      Esta observação dissolve a crença habitual que temos de nos tomarmos como sendo uma pessoa pequena, limitada e imperfeita. Essa assunção sobrevive porque nós agarramo-nos a essa crença. Olha para o que realmente és ou desfaz-te do que não és.

 
      We say, "I am no good", "I am not happy", "I do not like this", and so on. The "I" in those statements is what I’m calling the separate self. It is a verbal construction, an image, an idea. So, when you say "I am no good" or whatever, the question is: What is that "I"?
     This is the inquiry being suggested… We are constantly saying "I, "me", and so on. So who and what is this"I"? That is the question. Are you a body? Are you the mind? Are you a thought? Are you an emotion? Look at these questions and answer them. If you are a thought, which one? If you are a feeling, which one? If you are none of those things, then who are you?
     What you discover is that you cannot find any particular thing or experience that is "I". There is nothing present that is the limited, separate self. It is just a notion, but does not exist in fact. We are talking about a phantom that is not present. It is an assumption. Yet, we undoubtedly are. What are we truly? We are that undeniable presence-awareness that is always here. It is clear, simple and free of problems.
     This looking dissolves the habitual belief we have of taking ourselves to be a small, limited, defective person. That assumption survives because we hold to that belief. Look at what you truly are or discard what you are not.
 
 
John Wheeler, in his book Right Here, Right Now: Seeing Your True Nature as Present Awareness

Published in: on 28/07/2008 at 2:08  Deixe um Comentário  

Amazon Self Forum

 
Andre Pais says:

Phybrr, you said that "If there is a purpose in our lives it must include obtaining knowledge through experience and thought".

Do you mean knowledge or wisdom? Because knowledge can be useful concerning practical things, but quite dispensable concerning existencial or spiritual matters. Knowledge can even prevent you from accessing the higher dimensions of conciousness that allow you to realize the purpose of your life, as well as the nature of your own Self (or non-self) and, consequently, God’s Nature. To this realization, applied in everyday life, I would call wisdom.

I’m sorry for not answering in a very logical and intelectual fashion, but I’m not a bright person (no irony here). I function better with the heart. Furthermore, I do believe that God is far beyond our mind’s reach. The only times I felt a direct connecion with It was when my conceptual mind subsided for a moment, causing the fog to disperse and allowing me to see It standing in front of me. In such moments, all questions are answered: yes, It exists; yes, you can know it, by being It; and yes, Its nature is love, joy and peace.

Conceptualizing about God is like a dog chewing a fleshless bone. Rather entertaining, but tasteless and unsubstancial.

But keep on the good work. There are some rather interesting views being shared here. Honestly.

Love for you all.

 
Phybrr says:

To Andre: Are you not wiser as you accumulate more knowledge? Knowledge is truth and "the truth shall make you free (or wise." God is NOT far beyond our minds reach as we are part of God since God is all.
 
Andre Pais says:

To Phybrr: Well, I guess we reached the end of the road, because we seem to give the same names to different things. I do not believe we get wiser as we acumulate more knowledge. Having more technical knowledge about how to shoot a gun doesn’t make you necessarily wiser. Knowledge means "to know more things", not that we know what to do with that new information. That would be wisdom. Humanity has more knowledge today than in any other time before, but is that making us any wiser?

Knowledge is NOT truth, at least not Spiritual Truth. You can know the Bible or the Upanishads word by word, but does that make you free? Truth shall make you free, not just mere knowledge or information and, in my opinion, the way we access that Truth is not with the thinking mind – and I’m not just talking about some sentimental approach to spirituality. The mind is limited and concerned with the known. God is unlimited and the unknown – at least, unknown for the mind, not necessarily ourselves, as long as we don’t think we are that mind.

God is all, but that doesn’t mean that our minds (or our fingernails for that matter) are all as well. God includes the mind, but not the other way around. And being part doesn’t necessarily allows you to know the whole. The God is the container of all, so that which is contained will never understand fully that which contains it. We can never know God directly through an intelectual approach – for that to happen there must be an object – God – and a subject – ourselves -of our knowledge, and the limited subject (mind) that is contained by the unlimited object (God) cannot know It.

That leaves us with only one solution: Since we can’t know God, we will have to BE God. For me, that’s the only way…

Love

"Neo, sooner or later you’re going to realize just as I did that there’s a difference between knowing the path and walking the path" – Morpheus, Matrix

 
 
Published in: on 26/07/2008 at 23:37  Deixe um Comentário  

Amazon religion forum

 
Excerto de conversas num dos foruns sobre religião da Amazon…
_______
 
Thomas R. Vincent says:
Ah, there is no ‘Most High God’, but how much pot would a ‘god’ need to smoke to be ‘Most High’?

There is no ‘Christ’! It’s all a scam!

 
Andre Pais says:
Can you prove what you have said? Have you been "there" to prove it?

Love

 
Alice says:
To be honest, things are going fairly well for me right now. I don’t think it’s God’s doing, though, since I don’t believe in God.
 
 
 
Andre Pais says:
Andre Pais says: Your not believing in god doesn’t change the fact that he does believe in you, and provides the air you breathe, the food that nurtures you and the shelter that protects you.

I’m happy that things are going fairly well for you and I do hope that they get better everyday.

Love

 
You could say exactly the same thing about pink polka-dotted unicorns.

Believing in a god or gods do not make them exist.

I hope you learn the definition of a fact someday.

 
Been where?
 
Thomas R. Vincent says:
I will NEVER bow to your evil, corrupt religion. Your gods are imaginary, your threats hollow.

It has caused so much misery and bloodshed on this earth.

I look with hope to the day when Christianity is seen for what it is: An ugly, hateful hoax that caused so much genocide, rape, slavery, theft and cultural destruction.

What a truly awful religion. Learn to respect other people’s ways in peace.

 
Andre Pais says:

Replying to Thomas R. Vicent:

Tell me, what’s your definition of a fact? Is a fact something that we all agree that exists, or is it something that exists, whether people know about it or not? It’s a fact that the Earth spins around the sun, but for a long time people believed otherwise and other folks were burnt for saying the Truth.

That’s why I asked, when you said that "there is no Most High", if you have "been there" to prove what you said. Because it’s easy to say that God doesn’t exist, but what about proving it? Can anyone prove the inexistence of God? Of course, it’s not easy to prove its existence either, but maybe it’s because it is something too subtle for the ordinary senses to grasp, making it more difficult to understand. But if you’re gonna believe only in the things you can directly perceive, there’s a lot you’ll be neglecting in your life.

What I meant with "been there" is have you investigated through all possible means the existence of God? Many people deny its existence just out of intelectual amusement, without any logical base for it. I’m not worried with the fact that you don’t believe in God – it’s all part of the way things are -, I’m just worried with the unpreocupated manner people say some things without proper investigation, misleading other people with their convictions. Of course, we are all free beings, but we all should be held responsible for our use or mis-use of that freedom.

Anyway, in this forum there seems to be a lot of confusion, for people use the words "religion" and God" interchangeably, but they are far from meaning the same. Christianity is just a means humanity has found to try and find a deeper reality. God is the end, the goal of that means, that deeper reality that stands completely beyond our concepts or beliefs about it. Thinking religion can represent God itself is like thinking that an old and dusty photograph of a beautiful sunset can come any way near to represent what that sunset truly is.

Of course we all know that Christianity has made a lot of mistakes and incredibly cruel things, but we all make mistakes. I’m not forgeting or excusing what they did, I’m just forgiving them. And by the way, why should you blame God for things mortals did in his name? Don’t think I’m here to defend them, because I’m not even a Christian. I have no religion, for I don’t need one to find God, but if I had it would be Advaita or Buddhism. Buddhism doesn’t even believe in a God in the sense I think we are using the word here. So why all this talk? Because I think there is a deep lack of love and respect in this forum, a lot of ego fighting and back-fighting. This forum is just being a reflection of the confusion that’s going on in the world today. While people remain unaware of their true spiritual nature, that confusion will go on without end.

I do believe God is only known through direct experience and I was fortunate enough to have glimpsed it several times already. On the intelectual level, this kind of discussions is never endind and frustratingly inconclusive.

 
And I’m happy that you will never bow to an evil, corrupt religion. Neither will I. I don’t bow to religions, only to God.
Whatever your belief is, I hope you all are truly happy and at peace. That’s my definition of true religion: be yourself in the most loving and kind way possible. For your own welfare, as well as the welfare of all other living beings.

Love.

Published in: on 26/07/2008 at 19:29  Deixe um Comentário  

Rússia e o vegetarianismo

 
     Fui ontem jantar ao Terra – Restaurante Natural e vi lá uma coisa interessante. Dizia num artigo de revista: "Há quem diga que o ‘peixe não puxa carroças’, mas na Rússia há um ditado popular que diz, ‘Não é o cavalo que puxa a carroça, é a aveia que ele come’."
 
     E toma lá que já almoçaste! Viva a Rússia e os seus profundos provérbios populares. Este eu escuso-me de comentar. É um ditado verdadeiramente iluminado! =)
 
Dré
 
 
Published in: on 25/07/2008 at 19:15  Comments (1)  

Provérbios populares: Uma nova visão

 
     Os ditados populares são frequentemente reflexo da sabedoria – ou falta dela – do povo. Muitos reflectem perspectivas profundas sobre a vida, enquanto outros apenas os traços evidentes da mente condicionada que comanda a maioria de nós. Fica aqui uma visão diferente sobre alguns deles.
 
Tudo está bem quando acaba bem
     Este é um dos provérbios da velha consciência, pleno de desejo, apego e medo. O desejo que tudo acabe como se pretende – "esperemos que tudo acabe bem" -, o apego relativamente a esse final positivo – "serei feliz quando tudo acabar bem" – e o medo de que o desfecho da situação possa não ser o melhor – "o que será de mim se as coisas não correrem como eu quero?". É o provérbio de alguém que não iniciou ainda a caminhada espiritual, nem compreende o simples facto de que algo "acabar mal" pode muitas vezes ser uma grande dádiva.
     Entretanto, o ditado popular sofre uma transformação aquando do início do progresso espiritual, passando para "tudo está bem", já não importando se acaba ou não bem. O praticante espiritual sabe que a realidade suprema existe num estado de plena bem-aventurança e paz, pelo que os desfechos das ocorrências não são relevantes para a sua existência. Mesmo que muitas vezes o indivíduo não tenha ainda a capacidade de sentir essa invulnerabilidade transcendente do divino, ele acredita que assim é, aceitando como "falha temporária" sua a não realização completa desse facto. O universo passa a ser o jardim infantil onde todas as crianças de Deus brincam despreocupadamente, livre de todos os perigos. Tudo está bem.
     Mais tarde, aquando da transformação final da mente, o ditado muda novamente, desta feita de "tudo está bem" para simplesmente "tudo está". O indivíduo transcende totalmente toda a dualidade e os conceitos adjacentes e mergulha profundamente na unidade. Já não existe "bem", já não existe "mal". O mundo já não está bem ou mal, equilibrado ou desequilibrado, à beira do desastre ou em pleno progresso. O mundo pura e simplesmente está. A realidade passa a ter a "liberdade" de ser como é, sem julgamentos. Apenas a mente cola papelinhos a dizer "isto é bom", "isto é mau", "isto não sei se é bom ou mau". Sem uma mente viciada em post-its apreciativos, a realidade torna-se perfeita como é, e essa perfeição é percepcionada como estando para além do bem e do mal, do positivo ou negativo. Mais do que isso, a perfeição deixa de corresponder a uma acumulação infinita ou incomensurável de aspectos positivos ou agradáveis, mas sim à ausência de uma qualquer classificação dos fenómenos através da compreensão da sua realidade última.
     No entanto, há que admitir que este provérbio reflecte uma verdade incontornável: tudo está efectivamente bem quando acaba bem. Apenas se demonstra incompleto, na medida em que omite o facto de que tudo está bem mesmo quando acaba mal ou mesmo quando não acaba ou começa de todo.
 
A esperança é a última a morrer
     "Hope is the quintessential human delusion, simultaneously the source of your greatest strength, and your greatest weakness" – the architect, in Matrix Reloaded
 
     A esperança é a maior força humana e a maior fraqueza espiritual. É a maior força humana já que nos leva a suportar situações que, sem ela, nos seriam impossíveis de aguentar. É como o olhar pousado no horizonte que acredita que um dia melhor vai nascer e nos faz caminhar incansavelmente até ele; é o que nos faz buscar, esperando que a procura nos possa trazer algo de bom. É uma força, na medida em que nos faz sentir que o melhor, no final de contas, está ainda por vir, acabando por ser uma expectativa com carácter positivo.
     Por outro lado, a esperança é sempre o rosto que mira o futuro, menosprezando o presente, sendo uma considerável, embora subtil, fraqueza na nossa caminhada espiritual. Considerável em dimensão, porque ignora a única realidade na qual é possível iniciar qualquer transformação – o Aqui-Agora -, mantendo sempre a esperança que é no futuro que reside a nossa verdadeira felicidade; subtil porque, muitas vezes, ainda que já tenhamos eliminado os níveis mais grosseiros da expectativa futura, ainda a mantenhamos em dimensões mais discretas. Deixamos de acreditar, por exemplo, que será quando nos casarmos ou encontrarmos o emprego das nossas vidas que seremos felizes, para passar a acreditar que a felicidade já existe dentro de nós, Aqui-Agora, só faltando mesmo alcançar a iluminação ou realização espiritual para acedermos completamente a ela. Essa iluminação, claro, será alcançada no futuro. Troca-se uma expectativa humana por uma espiritual. Estes níveis mais subtis fazem da esperança ou expectativa um dos "adversários" mais difíceis de derrubar e daí ser, de todas as ilusões da mente humana, "a última a morrer".
    
     "Loosing all hope was freedom" – Fight Club
 
     Sendo dos últimos aspectos da consciência iludida a ser transcendido, ir para além dele significa encontrar a liberdade – a verdadeira e permanente libertação de todos os medos e expectativas futuras. O medo manifesta-se em relação ao futuro, tal como a culpa e o ressentimento o fazem relativamente ao passado. Eliminando a expectativa e o medo que a ela vem anexado automaticamente, o futuro perde a sua existência enquanto fardo na leveza natural do espírito.
     Esperança, no fundo, significa "algo bom vem a caminho, sinto-o!", o que quer dizer que esse algo bom não existe ainda no presente. Se estivermos a falar de prazeres passageiros, como bolos brigadeiros ou o último modelo da BMW, então a esperança poderá fazer algum sentido. Ainda não temos o bolo brigadeiro nas nossas mãos, mas temos a esperança de que possamos passar pela pastelaria da nossa rua ainda hoje ou num futuro próximo. Porém, relativamente aos aspectos fundamentais da existência do Homem – paz, liberdade, auto-conhecimento, etc. -, ter a esperança de vir a encontrá-los no futuro é negá-los no presente, o que não será sinónimo da sua real ausência ou inexistência, mas sim de uma falta de investigação profunda em relação à nossa verdadeira natureza, ao diamante que trazemos dentro do bolso e que permitiria comprar todos os bolos brigadeiro e BMW’s do mundo!
     Ter esperança é negar que somos completos neste preciso momento, profundamente realizados e num estado inabalável de paz interior e amor. No fundo, é apenas mais um pensamento do ego condicionado que esconde quem nós somos para além da mente. Ter esperança é apenas negar quem verdadeiramente somos Aqui-Agora.
 
Homem prevenido vale por dois 
     Primeiramente há que definir o que é um homem prevenido. Já que todos sabemos em termos gerais o que é um homem, resta-nos a segunda parte do definido. Prevenção significa acautelar ou precaver em relação a potenciais futuras ameaças interiores ou exteriores. Assim sendo, dir-se-ia que um homem prevenido é aquele que se acautela relativamente a eventuais perigos que anteveja no seu futuro. Alguém que prevê um dia de chuva, previne-se agarrando um chapéu-de-chuva. Alguém que prevê uma constipação, previne-se tomando um determinado medicamento.
     Porém, poder-se-ia dizer que o homem verdadeiramente prevenido é aquele que se acautela contra todos os tipos de perigo ou sofrimento. Não podendo dominar todas as potenciais causas externas de transtorno, previne-se dominando todas as causas internas. Assim sendo, o homem verdadeiramente prevenido é aquele que elimina todas as causas mentais de sofrimento, transcendendo assim o ego, a ilusão de uma existência individual separada do todo, para incorporar a sua verdadeira essência –  a unidade suprema. Deste modo, já que o homem prevenido abandona o ego e abraça a consciência cósmica, podemos concluir que esse homem prevenido não vale por dois, mas sim por zero, pois abandonou a sua noção individual de "eu". Não existindo sequer um, deixamos de lado a possibilidade de haver dois. Contudo, podemos mesmo dizer mais: Já não habitando ninguém dentro do indivíduo, tendo o ego individual sido dissolvido, deixa de existir sequer alguém que se previne, pelo que se pode afirmar que "homem prevenido já não existe".
 
O trabalho é fonte de todas as riquezas
     A fonte de todas as riquezas é a Verdade, a descoberta da nossa verdadeira natureza, quem realmente somos para além de todas as formas e todos os conceitos, para além do corpo e da mente. Esta é a fonte de, pelo menos, todas as verdadeiras riquezas: as que valem a pena porque são profundas, significativas e permanentes – tesouros que a traça não corrói; tesouros que os ladrões não conseguem usurpar.
     O trabalho pode, de facto, ser fonte de algumas riquezas, embora quase todas de carácter material. Normalmente, o trabalho é sinónimo de uma existência como a de um Judas: vender a alma diariamente por trinta moedas de prata ao fim do mês. Escoa-se uma vida num trabalho que não nos realiza, apenas para ganhar o dinheiro para pagar coisas que nem sempre precisamos ou queremos. Este é um ditado proveniente de uma sociedade que escraviza o indivíduo, colocando-o numa prisão que posteriormente pretende cobrir de ouro. Alguns de nós, mais tarde, focam-se tanto nesse ouro que acabam por esquecer que o seu único propósito é cobrir as grades da nossa própria cela.
     Claro que existem também frutos que o trabalho dá de carácter mais humano e não material, como o prazer de servir outrem ou trabalhar em benefício de uma causa nobre. Mas são recompensas que se situam no plano da mente, do condicionado. São tudo voos dados dentro das grades de uma gaiola. Por verdadeira riqueza eu interpreto um voo sem fim, sem limites de qualquer espécie – físicos ou imateriais. Este tipo de voo acontece apenas dentro de nós próprios, pois é o único local infinito e incondicionado, onde as paredes foram demolidas e o céu não tem fim.
 
O saber não ocupa lugar
     Ocupa um lugar que não se vê. O saber não ocupa lugar é o provérbio de quem apenas procura no exterior. É verdade que, à parte do espaço físico que os livros e afins instrumentos de aprendizagem ocupam, o saber não ocupa muito espaço. Ainda assim, pode dizer-se que ocupa um lugar, lugar esse que é fundamental para o ser humano: a mente.
     O saber representa um conjunto de conceitos, noções e paradigmas que moldam e estruturam o modo como vemos o mundo. Quando se torna necessário mudar essas mesmas estruturas, a nova perspectiva que se quer adoptar frequentemente entra em conflito com a precedente, pois ambas querem ocupar o mesmo espaço: a mente do indivíduo. Assim sendo, parece haver uma "ocupação" psico-emocional, tal como uma presença neurológica, que é preciso desmontar antes de se integrar completamente a nova abordagem.
     Tendo isto como base, quando é nossa intenção é levar a cabo uma transformação global dos conteúdos e estruturas mentais, a "bagagem" que transportamos interiormente pode revelar-se um considerável fardo a ultrapassar. Anos de ocupação e condicionamento cognitivo podem levar muito tempo a dissipar. Podemos ver o poder que a socialização e a culturalização têm na mente humana ao observar pessoas que pretendem mudar os seus comportamentos, mas vêem-se profundamente atoladas nos hábitos que alimentaram durante décadas. A ocupação psicológica é tão forte nesses casos que quase que se poderia dizer que aquela ganhou raízes nas dimensões mentais e emocionais do indivíduo.
     Felizmente, acredito que, para os poucos interessados numa completa revolução da consciência humana, uma mudança das estruturas e conteúdos da mente não será tão problemática, no sentido em que esta revolução é levada a cabo não através de uma transformação, mas sim de uma "transcendência". Se o processo de transformação correspondesse ao polir de um pedaço de carvão até este se tornar um diamante, o processo de transcendência significaria simplesmente deixar esse pedaço de carvão para trás. As estruturas/conteúdos da mente não são transformados, mas sim transcendidos. Não é a mente em si que queremos, pelo que nada há a transformar dentro dela. Ela é apenas como uma pedra dentro de um rio que nos ajuda a saltar para a outra margem. Ao saltarmos por cima dela, "aterramos" do outro lado, o lado da consciência pura, a dimensão do ser.
 
Dá Deus nozes a quem não tem dentes
     Quem te disse que Deus deu-te as nozes para comeres? E quem disse que não tens dentes de todo? Muitas perguntas podem surgir da reflexão sobre este ditado. Variadas vezes, se não nos tivessem dado nozes para comer, nunca teríamos deixado os nossos dentes crescer. As dificuldades que surgem no decorrer das nossas vidas frequentemente não têm como propósito parar a nossa caminhada, mas sim fazer-nos saltar para um patamar mais elevado, para aí continuarmos a nossa jornada.
     Por outro lado, surgem por vezes situações que julgamos ter de ultrapassar, quando talvez a lição a assimilar seja a da paciente aceitação. Certas pessoas gastam uma vida a lutar contra uma doença ou relação para se aperceberem mais tarde que a única solução é aceitar viver com ela. Só porque Deus nos deu uma noz, isso não significa que seja para nós comermos. As respostas mais importantes da nossa vida nem sempre são as mais óbvias.
     A quem foi dado nozes, sugere-se profunda reflexão sobre a situação. Talvez não sejam para comer. Se assim for, coloca-as num pedestal para te lembrares da dádiva que recebeste, ainda que não entendas completamente o porquê de a teres recebido. Tudo tem o seu timing. Se forem efectivamente para as mastigares, analisa demoradamente a questão. Talvez os teus dentes estejam a querer romper as tuas gengivas e não te tenhas apercebido. Talvez sim, talvez não. Se não for o caso, aceita as nozes que surgiram à tua mesa. Como disse "Sócrates" no filme O Guerreiro Pacífico, "tudo tem um propósito. Cabe-te a ti descobri-lo".
 
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és
     Este provérbio dá luz a um profundo preconceito: nós somos iguais às pessoas com quem convivemos. É um preconceito que ignora a natureza e a realidade de um indivíduo, fundindo-a e misturando-a com a dos que o acompanham. Neste sentido, se apenas me relaciono com mulheres, isso fará de mim o quê? Um chulo, um engatatão ou um estudante de psicologia? Ou talvez faça de mim uma mulher também! E se somente me relaciono com negros, budistas ou técnicos informáticos, que dirá isso sobre quem eu sou dentro de mim?
     Jesus Cristo era visto muitas vezes na companhia de leprosos e doentes, "pecadores" e pescadores, prostitutas e mulheres e homens adúlteros. Bem, que dizer de alguém que convive com um role tão alargado e duvidoso de pessoas? Jesus seria, de acordo com o provérbio, alguém de muito má índole, com um estranho fetiche por doenças incuráveis e uma paixão inconciliável pela pesca.
     Circunstâncias de vida levam-nos a partilhar os nossos dias com pessoas que nem sempre representam quem somos. Outras vezes, somos levados pela nossa própria motivação a entrar na vida de pessoas que são o nosso negativo. Tomemos o exemplo do milionário que decide fazer caridade junto dos pobres, o religioso que proclama a sua doutrina entre os ateus e agnósticos ou o indivíduo pacífico que leva a sua paz para os cenários de guerra ou para junto das pessoas que não conseguem encontrar o seu próprio equilíbrio interior.
     A convivência exclusiva com os "membros da nossa mesma espécie" levaria a um estagnar na evolução da sociedade e do próprio ser humano. Se os pobres fossem deixados à sua pobreza, talvez nunca deixassem de viver na miséria, tal como os mais abastados perderiam a oportunidade de aprender a ver o outro lado da vida em sociedade, desenvolvendo sentimentos como o altruísmo, a compaixão e a generosidade.
     Este provérbio segue em consonância com um outro que diz, Junta-te aos bons e serás como eles. Junta-te aos maus e serás pior do que eles. Aceito a primeira parte, pois acredito que devemos procurar o que existe de melhor e mais elevado para nós mesmos. Porém, isso não significa deixar para trás os bandidos, mentirosos e pulhas de toda a espécie! Mais uma vez, apenas a mistura dos opostos pode elevar ambos para além das suas limitações. Além disso, não podemos esperar que a doença se cure sem o medicamento, a guerra sem a paz de espírito ou a maldade sem a bondade do coração. Juntarmo-nos aos "maus" não deveria ser visto como algo de errado ou perigoso, mas encarado como a acção mais humana e compassiva de levar a cabo.
 
Cada cabeça sua sentença
     Todos temos personalidades, opiniões e gostos diferentes, pelo que manifestamos vontades muito distintas umas das outras. Isso observa-se claramente nos aspectos banais das nossas vidas – cada um gosta de cores, músicas ou entretenimentos diferentes. Por outro lado, por mais que sejamos diferentes à superfície, verdade seja dita que todos pertencemos à mesma família humana, partilhando no fundo de nós os mesmos objectivos – ter uma vida plena de felicidade e isenta de sofrimento tanto quanto possível.
     Se assim é, porque razão somos tão insensíveis aos desejos dos outros – que são, no fundo, iguais aos nossos – e por que procuramos modos tão diferentes de realizar os nossos propósitos? Talvez porque tenhamos sido ensinados a procurar as nossas respostas no local errado. Porque talvez busquemos as soluções nos mesmos sítios de onde os nossos problemas brotam.
     Cada cabeça dita a sua sentença até descobrir que na verdade partilha a mesma essência com todas as outras. Por mais ilusões que possam haver, existe apenas uma realidade. Essa realidade habita no fundo de cada ser humano e, enquanto viver encoberta por um monte de entulho cultural, permanecerá desconhecida para o homem. Haverão então mil e uma sentenças diferentes a nascer de mil e uma mentes diferentes. Reinará então a discórdia e a violência, porque numa só realidade não existe o espaço para mil e uma ilusões diferentes.
     Enquanto desconhecermos a verdade, continuaremos a lutar pela supremacia da nossa própria mentira sobre todas as outras. E quando essa verdade reinar no mundo, continuarão naturalmente a existir mil e uma diferenças nos gostos e opiniões de mil e uma mentes diferentes. Todavia, essas opiniões diferão apenas no supérfluo e estarão subordinadas a uma única vontade global no fundamental: permitir a felicidade e dignidade de todos os seres que habitam o planeta Terra.
 
Cada macaco no seu galho 
     Diz-se que o todo é mais que a mera soma das partes. Então o que acontecerá ao todo se nem sequer somarmos essas diferentes partes? Se cada um puxar a corda para o seu lado, chegaremos a algum lado sem ser o lodo onde nos encontramos presentemente? Este ditado popular é um dos "durões" da velha consciência! Um reflexo de puro preconceito, discriminação e indiferença.
     Por cada "macaco" deveremos ler "grupo" ou "espécie", englobando diferentes religiões, orientações políticas, sexuais ou artísticas, grupos étnicos e todo o tipo de diferença cultural e humana. Deixando cada um deles no seu próprio canto, perde-se uma quantidade incalculável de conhecimentos que poderiam surgir através da partilha de diferentes perspectivas, fruto de milénios de investigação por parte de cada "macaco" ou grupo de pessoas. O todo que se transcenderia através da soma das várias partes fica reduzido a um fragmento insignificante do que poderia vir a ser como produto da partilha e comunicação entre os diversos grupos.
     Mas, mais do que a perda de todos os benefícios da partilha comum, este tipo de pensamento tem levado à criação das mais profundas manifestações de indiferença e desdém e, quando levado ao extremo, de ódio e violência. Deixarmos cada "macaco" no seu "galho" implica deixarmos dois terços do mundo morrer de fome e de doenças curáveis, pela simples razão que tivemos a sorte de nascer no galho "certo". Significa deixarmos os pobres na miséria, porque até temos a felicidade de conseguirmos fazer o pão chegar à nossa mesa e o agasalho aos nossos corpos.
     Todavia, mais grave do que esta indiferença é o ódio que se manifesta por um "macaco" que é para nós realmente insuportável. Torna-se um ódio tão profundo que deixamos de aguentar partilhar a mesma árvore com ele. Desse modo, ainda que em galhos diferentes, lutamos para que a árvore fique livre daquele outro "macaco". Assim se criou o holocausto e todas as ridículas sequelas levadas a cabo por grupos revivalistas desse tipo de pensamento primata, bem como as cruzadas e guerras santas, outra "macacada" que trouxe inimaginável sofrimento a tantos seres.
    Novamente, à semelhança de casos anteriores, vários antídotos existem, embora apenas um funcione de forma plenamente eficaz: A constatação da verdade e da nossa unidade essencial. Mais uma vez, a raiz do mal situa-se na nossa mente e na sua insistência em lutar pelos seus interesses em detrimento de todos os restantes, bem como na sua intrínseca qualidade obscurecedora do nosso estado natural de ser. A ilusão da separação foi, é e continuará a ser a causa de todos os problemas do mundo, desde as discussões entre amigos até às guerras inter-continentais. Não é a separação a causa do problema, mas sim a nossa condescendência ao acreditar nela. Consequentemente, a solução não passa pela unidade, facto esse já manifesto na realidade intrínseca de todos os seres sensíveis, mas sim pela constatação da mesma.
 
Dré
 
 
Published in: on 25/07/2008 at 18:25  Comments (1)  

Smaller and smaller

 
"You are ripe for Enlightenment when you want nothing else. In order to be born as a baby you have to spend nine months getting bigger and bigger. For Enlightenment you have to get smaller and smaller until you disappear completely."
 
Papaji
 
 
Published in: on 24/07/2008 at 4:30  Deixe um Comentário  

Não existe uma vida vulgar

 
Não existe uma vida vulgar. A vida é uma grandiosa ostentação ou floração dentro da clara e vasta presença da inteligência divina. Cada folha ou grão de poeira está aconchegado numa vastidão de luz e presença. Essa presença-consciência que abarca todas as coisas é também e sempre a profunda presença de amor e paz. É o teu próprio ser verdadeiro. O universo revelado a cada momento arde com a presença de um amor prodigioso. Nisso, até a mais vulgar das coisas é uma expressão única e deslumbrante da unidade fundamental de tudo.
 
There is no ordinary life. Life is a grand display or flowering within the vast and clear presence of the divine intelligence. Every leaf and piece of dust is cradled in an expanse of light and presence. That presence-awareness that contains all things is also the deep presence of love and peace always. It is your own real being. The universe being revealed in each moment is aflame with the presence of exquisite love. In that, even the most ordinary thing is a unique and wonderful expression of the underlying oneness of all. 
 
John Wheeler, in his book Right Here, Right Now: Seeing your true nature as present awareness
 
 
Published in: on 24/07/2008 at 3:57  Deixe um Comentário  

O par perfeito

 
    Estava a escrever umas palavras no blogue – Velha consciência, Nova consciência – quando vi uma publicidade no topo do ecrã que dizia, "Encontra o teu par perfeito. O melhor site de relacionamentos de Portugal". Não pude deixar de pensar,
 
 
"O par perfeito é o meu Eu Interior."
 
 
 
A única fonte de verdadeira felicidade somos nós próprios.
 
Dré
 
Published in: on 22/07/2008 at 22:14  Deixe um Comentário  

Velha consciência – Nova consciência

 
A velha consciência é como a noite – um manto de escuridão, salpicado por breves ímpetos de claridade. A velha consciência é pequena e limitada, é a visão do "eu" contra o "outro". É o "para mim", o "porque sim", o "tem de ser assim". É a consciência das gerações passadas, embora também presente nas actuais e nem todos anteriormente a incorporassem. É um lago estagnado atraindo insectos, cheio de lodo, vendo as estações do ano passar. É a visão da terra, focada no material e no concreto, no medo e na incerteza. A velha consciência é presente e passado. Rasteja pela vida, enfurece-se com a morte, lutando contra a própria mudança.
 
 ***
 
A nova consciência é o nascer do dia, uma claridade total e omnipresente, mostrando tudo o que outrora vivia escondido. É o revelar do segredo, do mito, do sonho. A nova consciência é grandiosa e para além de todos os limites; é a visão penetrante que vê para além do "eu" e do "outro", que nasce da profunda sabedoria da união universal e vê conclusivamente que não existe "eu" ou "outro". É cósmica, aconchegante e inclusiva. É a consciência das novas gerações, embora também presente nas anteriores e nem todos a possuam hoje. É o rio que flui suave e silencioso, abandonando-se serenamente no oceano sem fim. É a visão do céu, focada na experiência interior dos seres; é subtil, mas ergue-se alicerçada no mais firme amor e na mais indestrutível certeza. A nova consciência é presente e futuro. Voa pela vida, transcende a morte, abraçando todas as transformações.
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Dré
 
Published in: on 22/07/2008 at 22:06  Deixe um Comentário  

Lutar por um mundo melhor: lá fora ou cá dentro?

 
Lá fora:
     Lutar por um mundo melhor lá fora significa estar empenhado em transformar as estruturas exteriores que moldam o mundo. Significa empunhar cartazes anti-guerra, anti-capitalismo, participar em marchas, manifestações e acções de rua que tentam desmistificar o glamour do sistema que actualmente rege o planeta, apontando os seus defeitos e contradições, hipocrisias e falsidades, oferecendo, ao mesmo tempo, modelos alternativos de organização das sociedades humanas nos seus vários aspectos – social, político, económico, ambiental, etc.
     Trata-se de um movimento activista e cívico que pretende mobilizar os cidadãos no sentido de adoptarem uma postura mais crítica, construtiva e interventiva relativamente ao mundo que as rodeia; um mundo que é também delas e que pertencerá, no futuro, às gerações vindouras dos seus descendentes.
     Esta batalha social poderá ser feita de forma mais radical ou superficial. Os "radicais" adoptam geralmente modos de vida que contribuem o mínimo possível para o sistema que procuram derrubar ou transformar, recusando-se de todo a consumir bens ou a apoiar organizações ou grupos que mantêm comportamentos incompatíveis com a sua moldura ideológica.
     Os que adoptam uma postura mais suave, alteram menos o seu modo de vida do que propriamente a estrutura mental com que vêem o mundo. Continuam a apoiar directa ou indirectamente aqueles que criticam, compactuando com as suas decisões ou adquirindo os seus produtos, embora esporadicamente possam contribuir concretamente para uma estruturação social ou política diferente.
 
Cá dentro:
     Lutar por um mundo melhor cá dentro significa acreditar que é no interior do ser humano que são lançados os alicerces das estruturas que posteriormente se materializam no exterior. Isto é, a causa de todos os efeitos está na mente do homem, tal como uma obra de arte ou de engenharia, por exemplo, que antes de se materializar no mundo, surge primeiro na mente de quem a cria. Assim, tal como a Guernica surgiu inicialmente na mente de Pablo Picasso ou a Gioconda na de Leonardo da Vinci, também a fome, a guerra e a desigualdade surgem como efeitos e manifestações de algo que surge primeiramente na cabeça de alguém ou nas mentes de um conjunto mais alargado de pessoas. Dir-se-á então que é a falta de paz na mente do homem que cria a guerra entre as nações; a falta de equanimidade no seu coração que cria a desigualdade; a ganância traz a fome e a pobreza; a ambição cria a competição e a luta desenfreada e não escrupulosa.
     Para estes "activistas da mente", a luta por um mundo melhor faz-se no interior. Procuram desenraizar das suas mentes todo o vestígio de violência, ódio ou ganância. Pretendem eliminar todos os aspectos negativos das suas personalidades e cultivar os positivos.
     Este tipo de activismo pode também ser abordado de uma forma mais profunda ou superficial. Os que optam pela vertente mais profunda, decidem dedicar-se a tempo inteiro ao treino mental, muitas vezes vivendo em mosteiros ou centros de prática espiritual. Os mais moderados optam por continuar as suas vidas convencionais, mantendo-se, ao mesmo tempo, atentos às oscilações e movimentos da mente. Poder-se-ia dizer que os mais radicais decidem virar os dois olhos para o seu interior. Os mais moderados, mantêm um olho na vida exterior, enquanto que o outro é direccionado para dentro das suas mentes.
 
Lutar:
     Lutar por um mundo melhor, como foi dito, pode ser feito de diferentes formas – exterior ou interiormente, radical ou moderadamente. Embora ideal nobre por natureza, esta luta vê-se frequentemente envolvida em situações menos claras e nobres. Muitas vezes, quando os activistas se encontram em confronto com as forças de segurança que representam o sistema vigente, no calor da disputa surgem actos de violência, resultando comummente em feridos ou mortos. Nessas situações, mesmo um observador externo independente teria dificuldade em ver tal disputa resultar num mundo melhor.
    Ainda que o objectivo visionado por todos os activistas seja puro, muitas vezes os meios utilizados em pouco ou nada contribuem para o ideal que defendem. Não é difícil encontrar imagens onde activistas que lutam pela paz lançam pedras ou cocktail molotovs em direcção ao "inimigo". Lutar desta forma pela paz é, na verdade, lutar contra a paz. Surge assim uma questão: Embora o propósito dos activistas e o das forças vigentes seja diferente, será que a qualidade das suas mentes difere do mesmo modo? Talvez uns lutem por um mundo mais justo e os outros apenas pelo seu interesse pessoal, mas se ambos utilizarem a violência como método, a diferença entre eles será mínima. Utilizam os mesmos meios, ainda que para fins diferentes.
     Pode dizer-se que é a intenção que caracteriza a essência da acção, tal como um assassino que usa uma faca para matar, enquanto que um médico usa uma faca para salvar uma vida. Porém, uma intenção pode ter vários níveis e subtilezas, como um assassino que mata por compaixão alguém que estava a sofrer profundamente, enquanto que um médico salva a vida a alguém que pretende explorar ou chantagear posteriormente. Igualmente o uso da violência na luta por um mundo melhor deixa em aberto algumas questões aquando de uma eventual mudança nas posições de poder. Se um grupo que derruba um regime violento consegue-o através do uso da própria violência, que garantia existe que não utilizará essa mesma violência como forma de proteger e assegurar o novo regime or si  implantado? Nenhum de nós pode proclamar estar em posse da verdade ou esclarecimento absolutos, ainda que possamos sentir que sim. Dessa forma, nenhum de nós pode considerar um determinado sistema como sendo perfeitamente correcto, de tal forma fundamentalista a ponto de usar a violência para o defender. O que aconteceria às nossas seguranças e certezas se estivéssemos a usar a violência e a colocar em risco a vida de outros por algo que poderia não estar absolutamente certo?
     Neste aspecto, os "activistas da mente" parecem ter um comportamento mais congruente. Geralmente, têm menos tendência para se envolver no confronto directo, preferindo transformar o mundo desde dentro, mudando a atitude mental face ao mesmo, acreditando que a revolução interior é a única com hipóteses de sucesso. Ainda assim, as "derrotas" ou incongruências entre teoria e prática estão também presentes, mesmo que, sendo a batalha de carácter interior, não sejam tão acessíveis à observação externa. Alguém que, por exemplo, pretende eliminar toda a raiva da sua mente, mas vê-se irritado por estar num engarrafamento quando tem um encontro urgente marcado, está claramente em desvantagem relativamente às forças que pretende destronar. Embora não tenha pegado num cocktail molotov, a intenção interior carrega o mesmo tipo de energia, incorrendo no mesmo "erro".
     Na minha opinião, o fundamental é, nas palavras de Gandhi, "ser a mudança que se quer ver no mundo". Tanto para os activistas sociais, como para os "espirituais", a utilização das mesmas armas que o "inimigo" usa será ponto fundamental a eliminar. A construção de um mundo diferente deve começar pelo lançar de alicerces de uma qualidade e tipo muito diferentes.
 
Um mundo melhor:
     Estando nós a lançar os alicerces para um mundo melhor, há que definir o que é o mundo. E poderá ele ser melhor? Na minha visão, o mundo divide-se entre mundo natural e mundo humano. O mundo natural acredito ser quase ou mesmo perfeito. Engenhosamente equilibrado e auto-regulado, sem a intervenção do homem parece ter a capacidade de regenerar-se e manter-se em pleno funcionamento. Um mundo perfeito não carece de qualquer mudança para melhor. O mundo humano, esse sim, parece estar mais necessitado de intervenção. Mas se é esse o mundo que pretendemos mudar, então não queremos mudar o mundo. Queremos mudar-nos a nós próprios.
     Se queremos mudar-nos a nós próprios, nesse sentido existem então duas vertentes a focar: vertente física e psicológica. Fisicamente, excluindo casos de deficiência, o organismo parece também ele funcionar na perfeição. Há um conjunto quase ilimitado de acções que o corpo humano, segundo a segundo, leva a cabo sem a nossa intervenção que deixaria o mais complexo dos computadores em situação embaraçosa. Psicologicamente, porém, a questão parece já não ser tão linear. Existem claros exemplos de áreas passíveis de aperfeiçoamento. Casos de falta de paciência ou elasticidade psico-emocional, excesso irritabilidade ou intolerância às mais pequenas situações, demonstram como a personalidade e mente humanas podem ainda ser polidas até níveis mais sublimes do que os actuais. A pequena percentagem do cérebro que é utilizada deixa antever uma enorme área desconhecida que poderia potencialmente revolucionar por completo a vida humana.
     Com isto em mente, sinto que ao dizermos que lutamos por um mundo melhor queremos antes dizer que lutamos por uma mente humana melhor. Tal como a faca que nos foi dada serve perfeitamente o seu propósito, também este mundo e o nosso corpo físico parecem ser as mais belas e eficazes das ferramentas. Talvez seja a nossa intenção e a nossa acção que precisam de atenção, aperfeiçoamento e sublimação. A faca, sendo inocente, serve para cortar legumes, barrar manteiga, curar o corpo de outros seres humanos ou animais ou para lhes retirar a vida e infligir grande sofrimento. O decisor de se a faca servirá para matar ou para salvar reside dentro de nós e depende da qualidade das nossas mentes. O filho de um assassino pode ser treinado para ser um assassino, bem como o discípulo de um monge pode ser treinado para ser um benfeitor ou uma pessoa caridosa, por exemplo. A elasticidade da mente humana é surpreendente, sendo como que uma página em branco, capaz de ser veículo das mais variadas mensagens. Além disso, nós não somos apenas resultado do que nos ensinam. Somos também resultado daquilo que queremos aprender e que ensinamos a nós próprios, pelo que somos responsáveis pelo nosso crescimento interior – psicológico, emocional e espiritual.
     Se a luta por um mundo melhor significa, na verdade, a luta por uma mente humana melhor, o trabalho pode e deve ser iniciado agora mesmo, aqui mesmo. Claro que cada um de nós poderá somente sublimar e transformar a sua própria mente, influenciando indirectamente, na melhor das hipóteses, a transformação de outros. Naturalmente, uma mudança efectiva no panorama social e político internacional será resultado apenas de uma mudança colectiva de consciências, mas como uma viagem de mil quilómetros começa com um pequeno passo, cabe-nos a nós também começar a transformação planetária pela única porta de entrada que existe: nós próprios. Enquanto não transformarmos a nossa mente, seremos cúmplices de uma trama mundial de agressão e indiferença, pelo que o trabalho por um mundo diferente, talvez melhor e mais humano, começa e continua dentro de nós. Citando a banda norte-americana Rage Against The Machine, "it has to start somewhere, it has to start sometime. What better place than here? What better time than now?". Aqui-Agora começa a revolução. Aqui-Agora começa a evolução das consciências. Aqui mesmo, na nossa mente. Agora mesmo, em todos os momentos da nossa vida.
 
Dré
 
Published in: on 19/07/2008 at 18:45  Deixe um Comentário  

Brett Dennen – All we have

 
Na minha opinião, uma das melhores músicas do novo milénio e da nova consciência. Música espectacular, letra divinal. Uma lição de moral, ética e espiritualidade.
___
 
all we have is love

oh, we’re growing
faster than we ever could have dreamed
and our bellies are bulging
we’re gonna burst right through our seams
it’s got us all in competition
for wealth and recognition
globalization I say’s a contradiction
for we can’t keep paving over this world
we won’t all fit in

all that we have is hope and love
so don’t you worry child
don’t you worry ‘bout a thing
but
those can lift us up
so we can rise above the madness

and there’s enough wealth for everyone
but some have the most and most have some
and there’s enough food for us all to flourish
tell me why are so many malnourished
you say there’s weakness in an empty pocket, no
and I’ll tell you there’s weakness in an empty heart
and you say there’s strength in the power to control
and I’ll tell you no, there’s strength in only love and compassion

soon we’ll find our own way home
‘cause we all need a little healing sometimes
so give love, it’s the only thing that heals you
come on sisters, give it to your brothers
come on brothers, give it to your sisters
and I can rest to show you that
love will always cure you
no matter what your sickness is
no matter what hurts you

so give love it’s the only thing that cures you
we all need a little healing

and if you give it, I have learned
it’ll all be returned
if you only give love
if you only just give your love

 

Published in: on 19/07/2008 at 15:47  Deixe um Comentário  

Os cadáveres somos nós

 


     Há algum tempo enviaram-me um e-mail sobre um artista que deixou um cão morrer à fome numa exposição sua. Todos se indignaram… Mais recentemente, amigos meus viram quatro golfinhos mortos numa praia. Todos se chocaram…
     Os cadáveres destes animais entristeceram muita gente, mas eu pergunto: quantos cadáveres criamos nós nas nossas vidas? Quantos animais comemos? Quantos esquartejamos, estropiamos, profanamos? Quantos esmagamos, maltratamos, exploramos?
     Quantos matamos para que possamos ter os nossos cremes, os nossos champôs, os nossos perfumes? Quantos furamos, espetamos e trucidamos para descobrir curas para doenças que nós próprios criámos com o nosso desequilibrado modo de vida? Os nossos olhos não vêem muito deste sofrimento, os nossos corações não sentem, mas os olhos daqueles que exploramos vêem. Os corações dos seres que matamos sentem cada golpe, cada investida, cada ataque. E não apenas os seus corações. Também os seus corpos sentem a dor, os seus ossos, a sua carne, a sua alma…
     Com tanta morte a viver nas nossas mentes, com tanta morte a viver nos corações humanos, os cadáveres dos animais que matamos não são os verdadeiros. Com tanta morte a viver dentro de nós e naquilo que fazemos, os verdadeiros cadáveres somos nós.
 
Dré
 

Published in: on 11/07/2008 at 14:07  Deixe um Comentário  

Gasolina e fósforos

 
     Em pouco tempo assisti a duas manifestações extremas de violência e ódio nas ruas de duas cidades portuguesas. Duas explosões de ego, com tudo o que ele envolve. Cheguei à conclusão que a vida é como um fósforo. O ego é gasolina. Para o ego nunca será difícil arranjar desculpas para explodir, para se inflamar, para arder em fúria, em revolta.
     O nosso ego, que vive dentro de nós, é gasolina espalhada no nosso corpo. Caminhamos por florestas de fósforos banhados em gasolina. Por vezes, um fósforo acende-se. Pode ser um acidente na estrada, uma briga em casa, um colega mal-humorado no trabalho, ou até o comando do televisor que não funciona. Um fósforo acendeu-se e o nosso corpo está em chamas.
     Caminhando numa floresta de fósforos, não será prioridade máxima lavar o corpo de toda a gasolina? Numa vida com tanto potencial para o conflito, confusão e discórdia, não seria sensato lavarmos a nossa mente dos mecanismos condicionados do ego que nos conduzem ao ódio, medo e frustração?
     Nós culpamos os fósforos, mas a sua chama é bela e luminosa. É a gasolina que ateia o incêndio onde ardemos e traz as chamas às nossas almas.
 
Dré
 
Published in: on 11/07/2008 at 13:54  Deixe um Comentário  

A porta aberta e o trilho da montanha

 

     Durmo com ela todos os dias. Cada vez que acordo, tomo banho ou me visto, ela está comigo. Viajo sempre na sua companhia. Onde quer que eu vá, onde quer que eu esteja, ela nunca me abandona.
     Acordado ou a dormir, feliz ou irado, a caminhar ou parado, ela está sempre em mim. Vinte e quatro horas por dia, a Mente clara e profunda, serena e infinita está sempre presente. Ela é quem eu sou, mas vive escondida, exilada do meu coração. No seu lugar vive um impostor, o ego, a mente turva e superficial, agitada e pequena.
     A Mente clara é fonte de toda a paz e amor, de toda a plenitude e profundidade humanas. O ego é fonte de toda a dor e guerra, todo o sentimento de vazio e fragmentação. Uma é estrada para o inferno; a outra é o Portão do Paraíso. Uma faz-se bem visível, enquanto que a outra mora ainda em paradeiro desconhecido.
     Que iremos nós fazer? O que iremos escolher? Vamos seguir o pequeno trilho da montanha ou entrar pela porta grande aberta à nossa frente?
 
Dré
 

Published in: on 11/07/2008 at 12:57  Deixe um Comentário  

E depois do adeus?

 
     Digo adeus ao mundo cinzento da indiferença fria; dos sorrisos falsos e dos abraços de mentira.
     Separo-me das discussões sem sentido, dos gritos de angústia e da violência aleatória do ego.
     Deixo para trás a agressividade latente nas filas dos autocarros, nos escritórios dos edifícios envidraçados, debaixo dos tectos onde pais e filhos se cruzam.
     Digo adeus às multinacionais gigantescas que infinitamente estendem os seus tentáculos, sufocando comunidades, nações, números incontáveis de seres.
     Despeço-me dos interesses e das ambições; divorcio-me dos medos, dos rancores, dos anseios e desejos, rectrospectivas e perspectivas; deixo para trás sonhos e intenções, marcas, modelos e raças, diferenças e semelhanças, todos os prazos e projectos – acabados, por acabar, por começar ou planear.
     Digo adeus a todos os rios conspurcados, a todas as árvores decepadas, aos ocenos enegrecidos e às cidades obscuras.
     Abandono o universo inteiro, esqueço-me de galáxias e mundos, da minha própria alma, coração e espírito; até do sonho de ser maior ou alguém de todo.
 
     Vede a minha alma a flutuar para além de tudo, muito mais além…

 


     E agora? Quem sou eu e para onde me dirijo? Depois do adeus a todas as coisas do mundo e de fora dele, todas as coisas físicas e etéreas, que caminho resta ao homem vazio? Continuo aqui, há-de haver uma estrada a percorrer. Onde me levará ela? Na ausência de tudo o resto, quem sou eu agora?
 
Dré
 

Published in: on 04/07/2008 at 12:49  Deixe um Comentário