“She’s a truly vision of a lady…”

 
Ai, os teus olhos… Claro, os teus olhos! Mas se eles são a janela dessa tua alma, eles serão o que menos me importa. Uma porta, uma janela, são apenas isso – passagens, portais para algo mais profundo. É nessa profundidade que me procuro, encontrando-me com a fonte do teu sorriso, da alegria que transborda espontaneamente na ponta dos teus dedos. Olho a tua inteligência reconfortante, a tua força aconchegante, a tua segurança rochosa, assustadora por vezes…
 
hhmm, oiço as melodias que alguém fez a pensar em mim a pensar em ti… hhmm, como eu gosto de gostar de ti. Saber que no centro do meu coração tudo o que havia para fazer foi já feito. As pedras da vida poderão faltar, mas no meu peito a fortaleza do meu sentimento foi já erguida e demonstra-se indiferente às estações do ano. A argamassa é desnecessária quando algo mais forte do que betão me une à luz do que vejo em ti.
 
Vou fluindo, adormecendo, dia após dia, com a tua imagem na minha mente… Sabe a mel e isso chega-me.
 
És a visão de uma verdadeira mulher…
 
Dré
Published in: on 27/02/2008 at 2:03  Comments (1)  

O meu primeiro dia de trabalho pela AI

 
"Boa tarde! Conhece a Amnistia Internacional? Tem um minuto pelos direitos humanos?"

Depois de 2 horas a abordar pessoas na Gare do Oriente cheguei à conclusão que…

 

     O coração da maioria das pessoas é tão apertado que a única coisa que realmente lá cabe é o seu pequeno umbigo. Dois centímetros quadrados de alma sufocados por uma única palavra: "Eu". A maioria das pessoas não são pessoas, são pedras. Não andam, arrastam-se. A semelhança entre elas e verdadeiros seres humanos é meramente biológica. Fazem parte de espécies diferentes, unidas por uma intrigante semelhança física, embora os seus corações estejam separados por milhares de quilómetros. É como comparar flores com fotografias de flores. São parecidas, mas umas vivem e respiram como filhas do divino, enquanto outras nunca nasceram. Fingindo-se de vivas, não passam de corpos vazios, pretendo ter um sentido.

     Custa-me olhar essas pessoas, falar com elas, fingir que sinto por elas qualquer tipo de ligação, de afinidade. As semelhanças entre nós param no corpo. As almas são de seres diferentes. Sei que as vossas acções não mancham as minhas, os vossos pecados não conseguem subir ao nível do meu coração. Somos todos filhos, pequenos e frágeis, mas o nosso Pai não é o mesmo.
 
Dré

Published in: on 24/02/2008 at 3:38  Deixe um Comentário