Só esta única respiração, nada mais…

 

     «Já alguma vez tentaram prestar atenção à vossa respiração enquanto estão a discutir, ou a brigar com alguém? A respiração é curta, superficial e muito irregular. Cada vez que o esforço e a intenção do nosso ego interferem, o nosso ritmo torna-se irregular e em dissonância com o ritmo cósmico. Através da respiração podemos libertarmo-nos das tensões e dos nós causados pelo esforço e intenção do ego.

     Assim, o que realmente precisamos é de completar esta única respiração. Para a iluminação total, esta única respiração basta. Por favor, tentem-na! Temos inumeráveis oportunidades de iluminação, mas estamos sempre a negligenciar esta respiração. Só esta, nada mais.»

– Hôgen Yamahata, Folhas Caem, Um Novo Rebento

Published in: on 28/09/2006 at 23:19  Comments (1)  

A importância de uma prática séria.

 
"O facto é que para quase todos nós, as nossas vidas não estão a funcionar. Até nos comprometermos seriamente com uma prática [espiritual], a nossa visão básica da vida geralmente conserva-se intacta. Na verdade, a vida continua a irritar-nos e até se torna pior. Uma prática séria é necessária se queremos ver para além da falácia que está na origem de toda a acção, pensamento e emoção humanos." – Charlotte Joko Beck, Nothing Special (Living Zen)
 
Retirado d’O Pássaro Azul: http://chumani.blogspot.com/
 
Published in: on 24/09/2006 at 22:35  Deixe um Comentário  

Uma outra experiência de iluminação.

 
"Até aos meus trinta anos, vivi num estado de quase permanente ansiedade intercalada por períodos de depressão suicida. Presentemente, é como se lhe estivesse a falar de uma vida passada ou da vida de uma outra pessoa.
Uma noite, pouco depois de ter feito vinte e nove anos, acordei de madrugada com uma sensação de absoluto terror. Já anteriormente tinha acordado muitas vezes com uma sensação semelhante, só que desta vez era muito mais intensa. O silêncio da noite, os vagos contornos dos móveis na escuridão do quarto, o ruído distante de um comboio — tudo parecia tão estranho, tão hostil e tão completamente sem sentido que gerou em mim um profundo ódio pelo mundo. A coisa mais repugnante de todas, no entanto, era a minha própria existência. Que razão tinha eu para continuar a viver com este fardo de infelicidade? Porquê continuar com esta luta constante? Sentia que um profundo anseio pela aniquilação, pela não-existência, estava agora a tornar-se muito mais forte do que o desejo instintivo de continuar a viver.
"Não posso continuar a viver comigo mesmo." Era este o pensamento que se repetia na minha mente. Depois, de repente, dei-me conta da peculiaridade de tal pensamento. "Serei um ou dois? Se não posso continuar a viver comigo, é porque em mim deve haver dois: o ‘eu’ e o ‘comigo mesmo’ com o qual não posso viver." "Talvez", pensei, "apenas um deles seja real."
Fiquei tão desorientado com esta estranha descoberta que a minha mente parou. Eu estava plenamente consciente, mas deixou de haver pensamentos. Depois, senti-me arrastado para o que me pareceu um vórtice de energia. Era um movimento lento ao princípio e, depois, acelerado. Fui tomado por um medo intenso e o meu corpo começou a tremer.
Ouvi as palavras "não resistas a nada", como se ditas dentro do meu peito. Sentia-me como que a ser sugado para dentro de um vazio. Mas era como se esse vazio fosse mais dentro de mim do que fora de mim. De repente, não havia mais medo e deixei-me cair nesse vazio. Não me recordo do que aconteceu depois disso.
Acordei com um pássaro a chilrear da parte de fora da janela. Nunca antes ouvira um som assim. De olhos ainda fechados, vi a imagem de um diamante precioso. Sim, se um diamante pudesse emitir um som, seria como aquele. Abri os olhos. A luz da manhã projectava alguns raios através das cortinas. Sem qualquer pensamento, eu sentia, eu sabia, que há infinitamente mais luz do que julgamos. A suave luminosidade coada pelas cortinas era o próprio amor. Vieram-me lágrimas aos olhos. Levantei-me e andei pelo quarto. Reconhecia o quarto e, no entanto, sabia que verdadeiramente nunca o vira antes. Tudo era fresco e imaculado, como se acabasse de ter sido criado. Peguei em várias coisas, um lápis, uma garrafa vazia, maravilhado com a beleza e a vivacidade de tudo aquilo.
Naquele dia, percorri a cidade completamente estupefacto com o milagre da vida na Terra, exactamente como se eu acabasse de vir a este mundo.
Nos cinco meses que se seguiram, vivi ininterruptamente num estado de paz e contentamento profundos. Depois, esse estado diminuiu de intensidade, ou talvez assim me parecesse por se ter tornado o meu estado habitual. Continuava a poder funcionar neste mundo, embora compreendesse que nada do que pudesse fazer acrescentaria fosse o que fosse àquilo que eu já possuía.
Sabia, evidentemente, que algo de profundamente significativo me tinha acontecido, mas não compreendia de todo o que seria. Só alguns anos mais tarde, depois de ter lido textos espirituais e passado algum tempo com mestres espirituais, é que compreendi que aquilo que toda a gente procura já me tinha acontecido a mim. Compreendi que a intensa pressão do sofrimento daquela noite deve ter forçado a minha consciência a retirar-se da sua identificação com o eu infeliz e profundamente medroso, que não passa, no fim de contas, de uma ficção da mente. A retirada deve ter sido tão completa que o eu falso e sofredor sucumbiu de imediato, exactamente como se fosse um balão ao qual tivessem retirado o ar. O que restou depois foi a minha verdadeira natureza, a de um Eu sou sempre presente: a consciência no seu estado puro antes da identificação com a forma. Mais tarde, aprendi também a entrar naquele reino interior, intemporal e imortal, que eu percebera inicialmente como um vazio, e a continuar plenamente consciente. Vivi estados de uma beatitude e de um carácter sagrado tão indescritíveis que faziam até mesmo a experiência inicial, que acabei de descrever, parecer insignificante. Houve uma época em que, por algum tempo, fiquei sem nada no plano físico. Não tinha relacionamentos, nem emprego, nem casa, nem uma identidade socialmente definida. Passei quase dois anos sentado em bancos de jardim num estado de intensa alegria.
Mas mesmo as mais belas experiências acontecem e passam. Provavelmente, mais fundamental do que qualquer experiência é o sentimento profundo de paz que desde então nunca mais me deixou. Por vezes, é muito forte, quase palpável, e os outros também o podem sentir. Outras vezes, fica algures em plano de fundo, como uma melodia distante.
Mais tarde, as pessoas vinham ocasionalmente ter comigo e diziam: "Quero isso que você possui. Pode dar-mo, ou mostrar-me como obtê-lo?" E eu respondia: "Você já o possui. Só que não o consegue sentir porque a sua mente faz muito barulho."
 
– Eckhart Tolle em O Poder do Agora
 
Published in: on 24/09/2006 at 22:16  Deixe um Comentário  

Uma breve descrição de uma experiência de iluminação.

 
A freira católica e mestre Zen Elaine MacInnes, aluna de Yamada Koun Roshi, relata o seu despertar, integrado na prática intensa do koan MU, durante um retiro: "E então aconteceu. De repente, a concha dura do meu âmago abriu-se e o seu maravilhoso conteúdo espalhou-se por todos os poros do meu corpo. Foi para além dos limites corporais e a Elaine desapareceu. Não havia barreiras. Que bonito, limpo e puro… pertencente, aconchegante, em-casa. Que perfeito! O meu coração explodia de gratidão."
 
Retirado d’O Pássaro Azul: http://chumani.blogspot.com/
 
Published in: on 24/09/2006 at 22:09  Deixe um Comentário  

Livre arbítrio?

 

O livre-arbí­trio é uma ilusão mental. Apenas na mente existem escolhas; porém, como não existe liberdade – todos os mecanismos mentais são aprendizagens impostas pelo exterior, – qualquer escolha é sempre fictícia e ilusória. A única verdadeira revolução é interior. Tudo resto são operações de cosmética efectuadas aos velhos conteúdos da mente humana. Porém, não são os conteúdos da mente que devem ser mudados, mas a sua própria estrutura, os seus próprios modos de funcionamento e percepção.

..Dré


Published in: on 21/09/2006 at 0:49  Deixe um Comentário  

Como água na água…

 

O homem comum é como um peixe assustado e irrequieto no oceano, sempre a fugir de algo;

O sábio é como um coral estável e sereno, ondulando na sua extrema beleza e unicidade;

O mestre realizado é como a água cristalina no oceano – em perfeita harmonia com tudo, ninguém repara nele. Estando em todo o lado, ele é como água dentro de água.

 ..Dré


Published in: on 21/09/2006 at 0:33  Deixe um Comentário  

Responsabilidade universal.

 
"Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, pois cada pessoa é única, e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmo, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas não há os que não levam nada. Há os que deixam muito, mas não há os que não deixam nada. Esta é a maior responsabilidade da nossa vida e a prova evidente que duas almas não se encontram ao acaso."
 
– Antoine De Saint-Exupery
 
Published in: on 16/09/2006 at 0:48  Deixe um Comentário  

Estaremos a esquecer a nossa tarefa mais urgente?!

 

"Este é o mais alto e ilimitado céu azul que, passo a passo, alcançamos nesta posição sentada – um infinito céu azul abrangendo e permeando todos os seres vivos. Não há nada melhor, nem mesmo as maravilhosas formas que as nuvens criam, e pelas quais nos podemos apaixonar. A única realidade em que nos encontramos agora é incomparavelmente melhor que milhares de maravilhosos sonhos fantásticos.

A nossa tarefa mais urgente é regressar a casa, voltar à derradeira paz do vazio. Estamos a cavar o nosso próprio poço para chegar ao centro da terra, ao coração da não-mente. Aí já não existe a fronteira da individuação; já não existe separação alguma. Aí já não existe luta do ego, nem ideias iludidas – apenas brota a água, a mais pura para humedecer o deserto do mundo humano.

Com o nosso ciclo respiratório, com a trindade da meditação – postura, respiração, e meditação da não-mente – agora estamos a cavar esse poço, respiração a respiração; passo a passo agora estamos a escalar a nossa própria montanha, em direcção ao céu azul do vazio original. E é dentro desta prisão da nossa própria realidade que somos capazes de chegar ao céu sem nuvens, sem tempo, sem espaço.

Portanto, nesta altura vocês já deviam saber que enquanto pensarmos, ou tentarmos seja o que for com o esforço do ego, ainda será a continuação das nossas repetitivas mentes karmicas de macaco. Continuaremos ainda a brincar, com muitos tipos de nuvens, armas, brinquedos, acessórios, ideias, teorias, sonhos, … ilusões.”

 – Hôgen Yamahata, Folhas Caem, Um Novo Rebento

 

Published in: on 16/09/2006 at 0:33  Deixe um Comentário  

Em direcção ao centro da terra!

 

“Cada vez que nos sentamos a mais profunda voz do verdadeiro vazio, silenciosamente chama-nos de dentro. Só que andamos ensurdecidos por tantas espécies de ruídos dos nossos pensamentos. (…) Parar as nossas mentes de macaco significa fazer atentamente uma só coisa de cada vez, aqui-agora.

Respiração a respiração, estejam serena e naturalmente sentados na vossa estável posição com a coluna direita e a expiração atenta. Deste modo estaremos a cavar o mais profundo poço em direcção ao centro da terra – nós mesmos. Por favor, deixem-se ser esse poço sem fundo, do qual brota a mais pura água (a compaixão), para humedecer o deserto deste mundo. Desta maneira, podemos ajudar os outros sem qualquer interferência dos nossos egos e ideais. Deixem, pois, o nosso zazen ser o solo (a nossa Terra-Mãe) da verdadeira paz no mundo.”

 – Hôgen Yamahata, Folhas Caem, Um Novo Rebento

 

Published in: on 16/09/2006 at 0:22  Deixe um Comentário  

O único caminho a seguir…

 

“A descoberta do Aqui-Agora, o nosso regressar ao Aqui-Agora, é a tarefa mais urgente para nós. De outro modo, somos fantasmas vagueando com as nossas ideias, sonhos, fomes e sedes… cheios de ilusões até ao fim das nossas vidas. Afinal, o que é que andamos a fazer pelas nossas vidas fora?! Andamos simplesmente a saltar de ilusão em ilusão, de guerra em guerra, de sede em sede, de desejo em desejo? É só isto? Se assim é, nada mais somos que macacos aos saltos ou cavalos a galope! Nós necessitamos, realmente nós necessitamos é de parar e emanciparmo-nos desta interminável cadeia da corrente karmica.

Como podemos fazê-lo? Fazendo zazen? Por meio de alguma prática especial de meditação? Nada disso!! Enquanto andarmos à procura do caminho, «Como é que podemos…», isso não será mais do que a repetição do nosso velho padrão – o de querer obter algo. Não há nenhum caminho especial. Somente através do que estamos a fazer agora!! Simplesmente «Agora a Agora»! Este é o único caminho a seguir.”

– Hôgen Yamahata, Folhas Caem, Um Novo Rebento

 

Published in: on 16/09/2006 at 0:09  Deixe um Comentário  

É isto!

 
«De onde a onde alcança
esta luz da Verdade?
 
Se nada a intercepta,
esta luz original
pode propagar-se sem limite em todas as direcções.
 
Mas construímos espessas paredes
vedando-lhe a entrada,
escondemo-nos em buracos privados,
privadamente alimentamos corrompidos hábitos do ego;
até a palavra "Buda", uma nódoa em não-mente.
 
Quando estamos livres e vazios na selva dos nossos habituais macacos e nuvens
neste momento,
no interior deste abrasador mundo-realidade,
a vida de infinita luz da Verdade,
a natureza inocente de não-mente, não-ego,
infinito amor da cósmico-eco-sinfonia,
é naturalmente cumprida, Aqui-Agora
neste encontro.
 
É isto.»
 
– Hôgen Yamahata, Folhas Caem, Um Novo Rebento
Published in: on 15/09/2006 at 23:36  Deixe um Comentário  

Essential aspects of Zen training

 

Zazen is not a matter of intellection; it must be rooted in the physical sense of inner liberation that is most easily experienced through sitting. This sense of liberation is not in itself enough, however. It is also necessary to attain an inner state open to the essential nature of things. If liberation was all that mattered, it would be enough to drug ourselves to sleep, but this would hardly resolve the problem of how to act in our everyday lives from a stable inner essence, regardless of how turbulent or dangerous the outer circumstances are. It is here that the importance of sitting emerges, for it is through sitting that we are most easily able to stabilize ourselves in this inner essence.

There are three central aspects of zazen: the aspect of body, the aspect of breathing, and the aspect of mind.

The bodily aspect concerns the physical posture of zazen. In meditation, the aspect of mind is in many ways central, but the body-mind relation is such that unless attention is paid to the details of proper posture, it is extremely difficult to achieve anything on the mental level of true zazen. Sitting for even a thousand of years with a slack posture will leave you just as confused and deluded as ever.

The body may be considered in terms of the section above the waist and the section below the waist, and both have their respective roles to play in the overall balance of zazen. The upper portion must be light and relaxed, while the lower portion must be firm, taut, and settled. We might compare the physical form of zazen to that of a pyramid, broad and stable at the base and gradually tapering toward the top, until it reaches a single point.

(…)

One’s inner, mental environment is also important. You must make a conscious decision to practice, vowing from deep within to bring your body into balance, to harmonize your breathing, and to clarify your mind. Merely crossing your legs and sitting vacantly on a cushion is not enough. Unless you express your commitment in the form of conscious, directed effort, you will never be capable of genuine zazen.

It is very important also to keep your eyes open during meditation. Sitting with closed eyes may seem a good way to cut off distractions and achieve a state of inner silence, but doing so usually encourages drowsiness and extraneous thoughts. Even if you succeed in reaching a tranquil state of mind, this is nothing but hothouse Zen, of little use to you amid the challenges of everyday life. Furthermore, the senses, particularly sight and hearing, provide the most basic link between the outside world and the activities of the mind. Unless we learn to integrate such sensory input with our zazen, our training will be of little practical use.

Let us now move on to the matter of aligning the breath. Settled, well-regulated breathing is basic to Zen practice and is vital to the realization of the inner essence of zazen. When the breath is disturbed, it is impossible to observe things accurately and make appropriate judgements. Moreover, shortness of breath often leads to shortness of temper – one loses one’s sense of perspective and reacts solely on the basis of the immediate circumstances. You become overly affect by what people say and are easily swayed by the events around you, leading to further disturbance and delusion. All of this signals that your breathing is not in order. Regulating the respiration means maintaining your breath in a relaxed and unobstructed flow regardless of the situation you find yourself in.

Once this tanden breathing is mastered, you can maintain the zazen state of mind whether you stand or sit, work or talk – in the words of Yoka Gengaku’s Song of Enlightenment, «Walking is Zen, sitting too is Zen; speaking or silent, moving or still, the essence is undisturbed». This is not easy at first, of course, and we soon become scattered as we go about the activities and interaction of daily life, but as tanden breathing matures, you will notice how your inner state remains the same in all conditions, even during sleep. This is because in tanden breathing, the body and the respiration have come into a state of oneness; it is not something performed through willpower, but something that the body does quit naturally. For the same reason, the body is always relaxed during this type of respiration – it is only when the conscious mind tries to influence the breath that tension and stiffness set in.

(…)

Focus on each individual breath, one after another, centering your consciousness in your tanden and filling it with energy. Breathe each breath totally, then forget it and move on to the next. Superficial concentration is useless – you must fell that the respiration is piercing through the ground to the very ends of the universe. Let no gaps appear between your concentration on one breath and the next. Continue like this, one focused breath cutting off all thought of the one before, cutting and cutting and cutting until there is no room for random ideas, no room for concepts of self, no room for inner noise. Your body, your zendo, the entire universe are all contained in this total focus on the breath, in this utter singleness of mind. There remains nothing to hold on to, nothing to depend upon.

This condition is known as samadhi of susokkan, where only the breathing and the counting remain; one has become the breathing; the mind is occupied with nothing else. In this state of true emptiness you feel completely refreshed, full of energy, and taut, yet fresh and lucid. This is the state of the first «wonderful gate» of susokkan, that of su.

In this way, follow the coming in and going out of your breath from morning until night. Count and count and keep on counting the breaths whether you are doing zazen or not; count whether you are standing or sitting, whether you are asleep or awake. As you continue, the inhalations and exhalations become completely natural, and finally you enter a clear, open state of perfect unity between mind and respiration, where it is no longer necessary to count to help focus your attention. This stage, in which the awareness and the breathing are one, with no need for numbers, is that of zui, «following».

Then, at a certain point, all awareness disappears. This is the stage of shi, «stopping». When this will happen cannot be predicted – it must occur naturally; it cannot be produced or forced. Some time after this «stopping» takes place you come back once again to awareness. This is kan, «to see». Again, you cannot deliberately generate this state, it must happen of itself. Following this is gen, where you forget yourself completely, and finally jo, a state of mind that is bright, clear, and transparent. In all of these stages – the natural path to samadhi – it is vitally important that one not attempt to force things but simply allow the process to unfold on its own.

Although six stages may be identified in the practice of susokkan, it is the first two – counting and following – that are most important. Once these are experienced the rest will follow of themselves. Do not get caught up in analysing your progress or attempting to determine which of the six stages have been attained – just stay with the breathing. You must become the breathing. This is the most important point. The nature of the respiration varies, of course, sometimes becoming deeper and sometimes becoming shallower depending on whether you are working, reciting sutras, or sitting zazen, but press on until you can no longer tell whether it is you who is breathing or the breathing that is breathing itself.

This state must be deepened to the point that all connection with the outside world is cut off and nothing whatsoever touches or enters your awareness. This does not mean, however, that the senses are shut down. Externally, the correct way to cut off connections is to collect the mind into a single point and maintain this state of absolute attention and clear awareness. Internally, it is to avoid holding on to anything at all. Do not get caught by thoughts or fantasies – just let the breath flow in and out while staying with susokkan or your koan. Allow the images that arise to come and go as they will – like pictures passing on a screen – but keep your awareness focused on the breath, allowing nothing to linger in your mind, until you and your breath become one.

Breathing never stops – it is with you all the time. You need only remain attentive to its flow. Even if thoughts arise, even if stimuli press in from the outside, just push on without pause, allowing no breaks in your awareness. Put everything into the process and move relentlessly ahead. No matter what comes along, do not let it become an obstacle. If you lack the courage to advance in one continuous line, you should not begin in the first place. To do zazen and susokkan just because you think you ought to will never lead to a true understanding of the mind. If you want to touch the True Mind that connects each and every one of us, you must be willing to push beyond any problems that arise.

Bodhidharma likened such perseverance to the stability of a wall: «Cutting away all connections to external things, letting go of all concerns within, when our mind is like a firm, tall wall we are at one with the Way». But the idea is not to be hard and stiff. Whether sitting, standing, or engaged in the activities of everyday life, just maintain your awareness of the breath. If you proceed in this way, the noisy, bothersome thoughts that fill the mind will eventually quiet down, and all the ideas you once thought necessary will fade away. With all the stimulation in today’s world, this does not happen easily, but if you continue with a straightforward effort you will eventually realize a state of mind that is full and replete, a state of mind so still and clear that, like the depths of the ocean, neither wind nor wave can touch it.

Koan work and susokkan are not about attaining a quietistic state; they must become your total life energy, engaged in with the entire body and the inner eye fully open. (…) Zazen must involve every bit of your mind and every bit of your being, all «three hundred and sixty bones and joints and eighty-four thousand hair follicles». In the face of such total awareness, random thoughts and fantasies soon vanish. In true zazen, not so much as a speck must remain of dualistic notions of self. Our existence fills the universe, and it is that existence that speaks words, that moves the body, that carries on the activities of everyday life. It is only when we realize this inner essence that koan work has any meaning. Zazen is not a trance – the eyes are fully open, the mind is fully open, the inner and outer worlds are one. It doesn’t matter if you are sitting in the zendo, walking or cleaning the grounds; the essence is the same.

In this way align your mind so that absolutely nothing superfluous remains. This is the state called «no-mind», the nature of which is impossible to explain; thus we describe it as «a fully aligned mind».The spirit should always be clear, vast and luminous. (…) When filled with thoughts, the mind tends toward anxiety and dejection; when free of them, it becomes naturally fresh and relaxed; our facial expression clears, and our lives are filled with light. From this is born the true way of being and living.

 
Retirado do livro: The Path to Bodhidharma de Shodo Harada Roshi
 

Published in: on 13/09/2006 at 18:41  Deixe um Comentário  

What is Zen?

THE BASICS OF ZEN MEDITATION

«We are what we think. All that we are arises with our thoughts. With our thoughts we make the world.» (from the Dhammapada, translated by Thomas Byrom)

Part 1. Introduction to Zen

Zen is a meditative practice that developed in India and China (where it is known as Chan) as part of the 2,500 year old tradition established by Siddhattha Gotama. He came to be known as the "Buddha", which simply means "awakened". He lived and died as a human, not as a god to be worshipped. Chan spread from China to Korea (as Son), Japan (as Zen) and Vietnam (as Thien). In the last 40 years or so it has taken root in many other countries.

While the Zen school accords with traditional Buddhist teachings in every way, it has a radical directness that challenges traditional spiritual orthodoxy. Zen is a practice of transforming our mental processes by honouring the present. It is at home in the acts of changing a baby’s nappy, a staff meeting at work, stuck in traffic, or chopping vegetables for dinner, as it is in sitting on a remote mountain top.

Why meditate?

Meditation can, it seems, bring both physical and mental benefits to those who practise it regularly. These benefits, according to medical studies, range from improvements in concentration and reasoning power to improved immune system activity, and relief from conditions such as insomnia and blood pressure. Nevertheless, Zen practitioners still develop and suffer and die from serious illnesses. Meditation is not a means of attaining physical immortality or exempting oneself from the laws of nature.

The main reason why Zen practitioners meditate, however, is to see things as they are, and this includes ourselves. We are largely unaware of the link between our usual pattern of mental activity and the suffering that this causes to ourselves and others.

Consistent observation of the mind, during meditation and through the day, reveals that much of our time is spent grasping after certain things and circumstances, and rejecting others. We see that we spend a large amount of time and energy recycling past pleasures and grievances, or dwelling on how things could or should be better in "the future", comparing things and people constantly and putting them into dualistic categories such as good and bad, desirable and undesirable, right and wrong, guilty and innocent, friend and enemy, and so on.

As we meditate, we begin to see more clearly our many prejudices and sticking points, and this leads us to try to refine our characters. Simple, honest non-verbal observation of our mental and emotional processes does produce a change in the way we approach situations and people that we meet. The eventual result is an approach to life that reflects attitudes of not rejecting or grasping, not twisting the truth, refraining from excessive satisfaction of appetites and not indulging in self-deception. This outlook manifests both on a personal level and on a larger societal level, and comes from insight rather than an exercise of will. Thus we become less inclined, for example, to steal from those around us, as well as from the natural environment. We are less inclined to escape from life through chemical or other drugs, or by turning a blind eye to the needs of others or to the ecological effects of our lives.

Continued practice of awareness over many years can bring experiences of deep insight which change our view of ourselves to the point that we can see that the self to which we have been dearly attached for our whole lives is nothing more than a self-made mirage. It is like peeling a banana tree. Layer after layer of mistaken thoughts are removed until not only do you not see a disguised and pretending self, but also you do not see even a naked self. You aim to discover your self, but end up discovering that there is nothing to discover.

In more concrete terms, practising meditation gradually reduces your wandering thoughts until you experience the state of "no-mind". Then you will naturally realise that your life in the past was built on an accumulation of perplexed and mistaken notions that are not your true self. Your true self is one that is inalienable from all others. The objective existence of all events is all the various parts of the subjective existence of yourself. So you don’t have to seek for anything or to despise anything. That which is before you at each moment is what you have been looking for, and you can’t and don’t have to add anything to it for it to be perfect. Having reached this stage, the meditator becomes full of warm compassion towards all human and other beings. His or her character is radiant, open, as bright as the spring sunshine. Although externally emotions may appear for the sake of helping others, internally

the meditator’s mind is constantly clear and calm like water in an autumn lake. Such a person can be called enlightened.

It is an essential teaching of Zen that the door of insight is open to all, male and female, old and young, wise and dull, strong and weak, people of all professions and trades and backgrounds, and of any religion and belief.

These words are however only a discussion of Zen, not Zen itself. Zen meditation requires your own determination and persistence to learn and to practise. Talking about Zen, without actually doing it, just adds confusing and useless knowledge to our already confused minds. Eating a picture of food won’t do you any good.

Para ler o resto: http://openway.org.au/pdf/introzen.pdf

Published in: on 13/09/2006 at 18:36  Deixe um Comentário  

About Buddhism

The greatest achievement is selflessness.
The greatest worth is self-mastery.
The greatest quality is seeking to serve others.
The greatest precept is continual awareness.
The greatest medicine is the emptiness of everything.
The greatest action is not conforming with the worlds ways.
The greatest magic is transmuting the passions.
The greatest generosity is non-attachment.
The greatest goodness is a peaceful mind.
The greatest patience is humility.
The greatest effort is not concerned with results.
The greatest meditation is a mind that lets go.
The greatest wisdom is seeing through appearances.

– Atisha (11th century Tibetan Buddhist master)

Published in: on 06/09/2006 at 8:14  Deixe um Comentário  

Catorze Práticas da Plena Consciência

 
1. Não idolatrar nenhuma doutrina, teoria, seja ela qual for, incluindo o budismo. Os sistemas de pensamento budistas devem ser considerados como guias para a prática e não como a verdade absoluta.

2. Não pensar que se possui um saber imutável ou a verdade absoluta. Há que evitar a estreiteza da mente e o apego aos pontos de vista pessoais. Aprender a praticar a via do não apego de maneira a permanecer aberto aos pontos de vista dos outros. A verdade só pode ser encontrada na vida e não nos conceitos. Há que estar disponível para continuar a aprender ao longo de toda a vida e a observar a vida em si mesmo e no mundo.

3. Não forçar os outros, incluindo as crianças, a adoptar os nossos pontos de vista seja por que meios forem: autoridade, ameaça, dinheiro, propaganda ou educação. Respeitar as diferenças entre os seres humanos e a liberdade de opinião de cada qual. Saber, no entanto, utilizar o diálogo para ajudar a renunciar ao fanatismo e à estreiteza do espírito.

4. Não evitar o contacto com o sofrimento nem fechar os olhos diante dele. Não perder a plena consciência sobre a existência do sofrimento no mundo. Encontrar meios de aproximação para com os que sofrem, seja mediante contactos pessoais, visitas, imagens, sons. Despertar e despertar os outros para a realidade do sofrimento no mundo.

5. Não acumular dinheiro nem bens quando milhões de seres sofrem de fome. Não converter a glória, o proveito, a riqueza ou os prazeres sensuais na finalidade da vida. Viver simplesmente e compartir o tempo, a energia e os recursos pessoais com os que necessitam.

6. Não conservar a cólera ou o ódio. Aprender a examinar e a transformar a cólera e o ódio quando ainda não são mais que sementes nas profundidades da consciência. Ao manifestar-se a cólera e o ódio, devemos focar a atenção na respiração e observar de modo penetrante a fim de ver e compreender a natureza desta cólera ou ódio, assim como a natureza das pessoas que se supõe serem a sua causa. Aprender a ver os seres com os olhos da compaixão.

7. Não se perder, deixando-se levar pela dispersão ou pelas circunstâncias envolventes. Praticar a respiração consciente e focar a atenção no que está a acontecer neste instante presente. Entrar em contacto com aquilo que é maravilhoso, pleno de vigor e de frescura. Semear em si mesmo sementes de paz, de alegria e de compreensão de maneira a favorecer o processo de transformação nas profundidades da consciência.

8. Não pronunciar palavras que possam semear a discórdia e provocar a ruptura da comunidade. Mediante palavras serenas e de actos apaziguadores, fazer todos os esforços possíveis para reconciliar e resolver todos os conflitos, por pequenos que sejam.

9. Não dizer falsidades para preservar o interesse próprio ou para impressionar os outros. Não proferir palavras que semeiem a divisão e o ódio. Não difundir notícias sem ter a certeza de que são seguras. Falar sempre com honestidade e de maneira construtiva. Ter a coragem de dizer a verdade sobre as situações injustas mesmo que a nossa própria segurança fique ameaçada.

10. Não utilizar a comunidade religiosa para o interesse pessoal nem a transformar em partido político. A comunidade em que vivemos deve, contudo, tomar uma posição clara contra a opressão e a injustiça e esforçar-se por mudar a situação sem se envolver em conflitos partidários.

11. Não exercer profissões que possam causar dano aos seres humanos ou à natureza. Não investir em companhias que explorem os seres humanos. Eleger uma ocupação que ajude a realizar o ideal próprio de vida com compaixão.

12. Não matar. Não deixar que outros matem. Utilizar todos os meios possíveis para proteger a vida e prevenir a guerra. Trabalhar para o estabelecimento da paz.

13. Não querer possuir nada que pertença a outrem. Respeitar os bens dos outros, mas impedir qualquer tentativa de enriquecimento à custa do sofrimento de outros seres vivos.

14. Não maltratar o corpo. Aprender a respeitá-lo. Não o considerar unicamente como um instrumento. Preservar as energias vitais (sexual, respiração e sistema nervoso) através da prática da Via. A expressão sexual não se justifica sem verdadeiro amor e sem compromisso. Em relação às relações sexuais, tomar consciência do sofrimento que podem causar no futuro a outras pessoas. Para assegurar a felicidade dos outros há que respeitar os seus direitos e compromissos. Estar plenamente consciente das suas próprias responsabilidades na hora de trazer ao mundo novos seres. Meditar sobre o mundo a que trazemos estes seres.

Mestre Thich Nhat Hanh

(Tradução da versão espanhola praticada em Jiko-An – Centro Zen em Sierra Nevada, Espanha)

Retirado de: http://uniaobudistaporto.org/texto_catorzepraticas.htm

Published in: on 06/09/2006 at 8:00  Deixe um Comentário  

Olhar a luz de frente.

 
Só quem não compreendeu ainda a verdadeira profundidade da busca espiritual pode continuar a sua vida convencional, sem se dedicar com toda a alma à concretização do seu potencial transcendente. Aqueles que já acederam aos ensinamentos dos mestres, mas não encetaram diligentemente a sua prática, apenas contemplaram a superfície do vasto oceano espiritual. Quem contemplar a fundo esse oceano, jamais continuará indiferente à importância do propósito
último da sua vida, imune à transformação que essa descoberta provocará em si. Em comparação com esse sol brilhante, a vida convencional do dia-a-dia, per si, não tem mais relevância que uma mera sombra. Quem se satisfaz com sombras quando pode ter sóis? Apenas quem somente conhece essas sombras e nunca olhou a luz de frente.

..Dré

Published in: on 05/09/2006 at 0:42  Deixe um Comentário  

O Ponto de Quietude

 
do livro The Zen of Creativity de John Daido Loori

Qualquer criatura à face da terra parece saber como estar quieta e tranquila. Uma borboleta numa folha, um gato em frente de uma lareira. Mas os humanos estão constantemente em movimento. Parece que perdemos a habilidade de estarmos quietos, de simplesmente estarmos presentes na quietude que é a base da nossa existência.

O ponto de quietude está no coração do processo criativo. No Zen, acedemos a esse ponto através do Zazen. O ponto de quietude é como o olho de um furacão. Quieto, calmo, mesmo no meio do caos. Não é, como muitos acreditam, um vazio em que nos retiramos, fechando-nos ao mundo. Estar quieto significa esvaziarmo-nos do fluxo incessante de pensamentos e criar um estado de consciência aberto e receptivo. A quietude é muito natural e descomplicada. Não é de nenhuma forma esotérica. Contudo é incrivelmente profunda.


No Zazen praticamos largar mão dos pensamentos e do diálogo interno, trazendo a mente de volta à respiração. A respiração torna-se mais fácil e profunda, e a mente repousa naturalmente. A mente é como a superfície de um lago. Quando o vento sopra, a superfície é agitada. Então há ondas e a imagem do sol ou da lua é quebrada. Quando o vento se acalma, a superfície fica como vidro. A mente tranquila é como um espelho. Não processa, apenas reflecte. Quando há uma flor em frente, reflecte a flor. Quando a flor desaparece, a reflexão desaparece. A mente volta à superfície tranquila original. Uma mente quieta está desobstruída. Não se segura ou se agarra a nada. É livre a todo o momento, independentemente das circunstâncias.

O ponto de quietude permite-nos não sermos consumidos pela loucura que nos rodeia, não apenas em situações extremas, mas na nossa vida do dia-a-dia. Tanto da nossa cultura actual leva à agitação e, frequentemente, deixamo-nos levar por esse frenesim. Todos somos condicionados, do momento em que nascemos até ao momento em que morremos. Somos condicionados pelos nossos pais, professores, nação e cultura. Vivemos grande parte das nossas vidas como se não tivéssemos mais potencial do que o cão de Pavlov. Quando alguém toca uma sineta, ficamos todos excitados. Damos por nós contrafeitos a viver o guião que os outros escreveram para nós. Ou reagimos compulsivamente e repetidamente contra isso, ainda assim escravos do guião, mas de outra forma. Há uma alternativa, dada pelo ponto de quietude – a de realizar a nossa liberdade não condicionada.

 
(…)
 
 

Published in: on 04/09/2006 at 18:40  Deixe um Comentário  

O único pecado do homem.

 

Não há maior pobreza que a do rei

que esqueceu toda a sua riqueza e vive como um mendigo,

nem maior ignorância que a do sábio

que desconhece a sua sabedoria e age como um tolo.

Somos imperadores que perderam de vista o seu império

e pedem moedas na rua, insensíveis aos diamantes que trazem nos bolsos.

Somos peixes a nadar nos céus e pássaros a voar nos mares.

Esquecemos o verdadeiro para abraçar o falso;

Ignoramos o real, porque apenas olhamos o ilusório.

 

Estrelas brilhantes que vivem como satélites sombrios…

Somos anjos com vestes de demónio e Budas com gestos de homens.

Não há maior angústia que a daquele que abandonou a alegria que é sua

para viver na tristeza que é dos outros.

Não há mais terrível desgraça que viver desconhecendo a verdade da morte

e morrer sem ter conhecido a verdade da vida,

nem tortura mais infame para o corpo, para a mente e para a alma

que a morte lenta do homem que não sabe quem é ou por que razão existe.

 

O maior infortúnio do mundo é o daquele que desconhece o caminho da liberdade

e o único pecado do homem é não o percorrer.

 

..Dré

Published in: on 01/09/2006 at 9:59  Deixe um Comentário