Um dia em África sob a perspectiva de 100 fotógrafos!

Parece-me um site interessante, com fotografias excelentes. Vale a pena dar um saltinho…

 
 
 
Dré

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Published in: on 22/08/2005 at 22:43  Deixe um Comentário  

Contos Zen.

 

Onde Vai?

Em dois mosteiros vizinhos viviam dois jovens monges muito amigos. De manhã, os monges encontravam-se sempre, cada um tratando dos seus afazeres. Certo dia, um dos monges estava a varrer o pátio do seu templo e, vendo aproximar-se o amigo, perguntou:

"Olá! Onde vais?"

O amigo respondeu, feliz:

"Vou aonde os meus pés me levarem…"

O monge ficou intrigado com a resposta e comentou com o seu mestre. Este disse-lhe:

"Da próxima vez, diga-lhe: ‘E se não tivesses pés?’"

Quando o jovem noviço viu o amigo de novo na manhã seguinte, fez a mesma pergunta já antecipando o momento em que apanharia o amigo a jeito, desta vez:

"Onde vais?"

Mas o outro disse:

"Aonde o vento me levar!"

O monge ficou frustado! Voltou ao mestre e contou a nova resposta, e este, sorrindo, disse:

"Da próxima vez, diga-lhe: ‘E se o vento parasse de soprar?’"

O jovem monge ficou encantado com a ideia:

"Sim, sim! Essa é boa! Agora ele não me escapa!"

No dia seguinte, ao amanhecer, ele viu o seu amigo a aproximar-se de novo. Perguntou-lhe:

"Olá! Onde vais?"

O amigo parou, sorriu-lhe, e falou suavemente:

"Simplesmente vou ao mercado, meu amigo…", e seguiu seu caminho.

 

Entender

Certo dia, o monge Ch’uang-tze perguntou ao Mestre Ching-feng:

"O que é o Buda?"

O mestre disse:

"O Deus do fogo busca pelo fogo."

O monge ficou eufórico e saiu gritando da entrevista, feliz, afirmando:

"Eu entendi!!! Eu REALMENTE entendi!!!!"

Ainda muito feliz consigo mesmo, ele voltou até ao seu próprio mestre, Yang-ki, e este perguntou-lhe:

"O que aprendestes com Ching-feng?"

"O Deus do fogo, que é em si o fogo, busca a sua natureza noutro lugar!! Eu, que sou Buda, busco o Buda fora de mim!!!!" afirmava o monge, orgulhoso e feliz da sua descoberta. Yang-ki comentou, triste:

"Eu pensei que vós tivésseis entendido, mas agora vejo que nada entendeu realmente." E foi-se embora.

O monge ficou pasmado. Pensou: ‘O que?! Como é possível que eu não tenha entendido?! Como posso estar errado?’. Ele correu até Yang-ki e pediu-lhe, desesperado:

"ESPERE! ESPERE! Dizei-me enfim: O QUÊ É BUDA?"

O mestre replicou:

"O Deus do fogo vem buscar o fogo."

O monge, neste momento, experimentou o Satori.

 

O Concreto Imaginário

Um monge perguntou a Chao-chou:

"O que diríeis se eu chegasse ante vós sem nada trazer?"

Chao-chou respondeu:

"Deixai-o aí mesmo, no chão."

O monge contestou:

"Mas eu disse que nada trazia, como poderia então pôr algo no chão?"

"Tudo bem então," comentou Chao-chou, despreocupado, "nesse caso, levai-o daqui."

 

Quer chá?

Chao-chou perguntou a um monge recém-chegado ao seu mosteiro:

"Já estivestes antes aqui?"

"Sim, senhor," respondeu o monge, "já estive no verão passado."

"Ah! Então entre e tome uma xícara de chá," disse o mestre, feliz.

Outro dia, apareceu um novo recém-chegado. Chao-chou perguntou-lhe:

"Já estivestes antes aqui?"

"Eu jamais estive aqui, mestre."

"Ah!" exclamou o sábio, feliz, "Então entre e tome uma xícara de chá."

Inju, o monge que administrava o templo, testemunhou ambos os eventos. Disse então para Chao-chou, intrigado:

"Por que sempre fazeis o mesmo oferecimento, qualquer que seja a resposta do monge?"

O mestre subitamente gritou-lhe:

"INJU!!!"

O outro assustou-se e disse, apreensivo:

"Sim! O que houve?!"

Chao-chou completou:

"Entre e tome uma xícara de chá."

 

O Intelectual e as respostas Zen

Certa vez, Tao-kwang, um intelectual budista e estudioso do Vijñaptimara (idealismo absoluto), aproximou-se de um mestre Zen e perguntou:

"Com que atitude mental deve um indivíduo disciplinar-se para alcançar a Verdade?"

Respondeu o mestre Zen: "Não há nenhuma mente para ser disciplinada, nem qualquer verdade na qual nós nos devemos disciplinar."

Replicou o intelectual:

"Se não há nenhuma mente para ser controlada e nenhuma Verdade para ser ensinada, por que vos reunis todos os dias aos monges? Se não tenho língua, como será possível aconselhar a outrem a virem até mim?"

"Eu não possuo nem uma polegada de espaço para dar, portanto onde posso conseguir uma reunião de monges? Eu não possuo língua, como posso aconselhar a outrem vir a mim?" respondeu o mestre.

O Intelectual então exclamou:

"Como podeis proferir uma tal mentira na minha cara!?!!"

"Se não tenho língua," retorquiu o mestre, "para aconselhar os outros como é possível pregar uma mentira?"

Desesperado em confusão, disse Tao-kwang:

"NÃO POSSO SEGUIR O VOSSO RACIOCÍNIO!!!"

"Nem eu tampouco…" concluiu o mestre.

 

O Que Mais?

Um monge perguntou ao mestre:

"Há muito tempo que venho a vós diariamente, a fim de ser instruído no santo caminho de Buda, mas até hoje jamais vós me haveis dado uma palavra a este respeito. Eu vos imploro, mestre, seja mais caridoso."

O velho mestre olhou-o com surpresa:

"O que queres dizer com isso, meu rapaz? Todas as manhãs tu me saúdas e eu respondo a ti. Quando me trazes uma xícara de chá, eu aceito-a, agradeço-te e delicio-me com a tua solicitude. O que mais desejas que eu te ensine?"

 

Isso também passará

Um praticante foi até ao seu professor de meditação, tristemente, e disse:

"A minha prática de meditação é horrível! Ou eu fico distraído, ou as minhas pernas doem muito, ou eu constantemente fico com sono. É simplesmente horrível!!!!"

"Isso passará," disse o professor suavemente.

Uma semana depois, o estudante retornou ao seu professor, eufórico:

"A minha prática de meditação é maravilhosa! Eu sinto-me tão consciente, tão pacífico, tão relaxado, tão vivo! É simplesmente maravilhoso!!!!!"

O mestre disse tranquilamente:

"Isso também passará…"

 

Não tenho nada

Um jovem monge aproximou-se de Chao-chou muito orgulhoso e eufórico, e disse:

"Desfiz-me de tudo o que tinha! As minhas mãos estão vazias e venho a ti com o coração sereno!"

"Então resta apenas desfazeres-te disso, e chegarás ao Zen." Afirmou o mestre.

"Mas…" hesitou o monge, "Não tenho mais nada! Do que mais posso me desfazer?"

"Tudo bem," comentou o sábio, "se queres manter o Nada que ainda carregas, fica com ele…"

 

Onde Começa o Caminho?

Um dia, um discípulo foi ao mestre Kian-fang e perguntou-lhe:

"Todas as direcções levam ao caminho de Buda, mas apenas uma conduz ao Nirvana. Por favor, mestre, diga-me onde começa este Caminho?"

O velho mestre fez um risco no chão com seu bastão e disse:

"Aqui".

 

Inferno?

Um homem perguntou ao mestre Zen:

"Onde estará o senhor daqui a cem anos?"

"Renascido como um cavalo ou um burro", respondeu o velho sábio.

"Oh!", exclamou o homem, confuso. "E depois disso?"

"Renascerei em Naraka" (Região de demérito kármico, "Inferno"), declarou o mestre.

"Mas… o senhor é um homem bom e sábio, por que razão tal coisa aconteceria?" perguntou o homem.

"Se eu não renascer lá para ensinar o Dharma, quem o fará?"

 

Koan: O Dharma está em toda parte. Onde estarás tu daqui a cem anos?

 

O Verão Zen

Ao terminar o Verão, Yang-shan fez uma visita a Kuei-shan, que lhe perguntou:

"Não vos vi por aqui todo o Verão, o que fizestes?"

Yang-shan replicou:

"Estive a cultivar um pedaço de terra e terminei de plantar umas sementes."

"Então," comentou Kuei-shan, "não desperdiçastes o vosso Verão."

Por sua vez, Yang-shan disse:

"E vós, como passastes o Verão?"

"Uma refeição por dia e um bom sono à noite," argumentou o outro.

"Então," foi a vez de Yang-shan comentar, "não desperdiçastes o vosso Verão."

 

Apenas uma estátua

Certa vez Tan-hsia, monge da dinastia Tang, fez uma paragem em Yerinji, na Capital, cansado e com muito frio. Como era impossível conseguir abrigo e fogo, e como era evidente que não sobreviveria à noite, retirou de um antigo templo uma das imagens de madeira entronizadas de Buda, rachou-a e preparou com ela uma fogueira, aquecendo-se assim. O monge guardião de um templo próximo, ao chegar ao local de manhã e ao ver o que tinha acontecido, ficou estarrecido e exclamou:

"Como ousais queimar a sagrada imagem de Buda?!?"

Tan-hsia olhou-o e depois começou a mexer nas cinzas, como se procurasse por algo, dizendo:

"Estou recolhendo as Sariras (*) de Buda…"

"Mas," disse o guardião confuso "este é um pedaço de madeira! Como podes encontrar Sariras num objecto de madeira?"

"Nesse caso," retorquiu o outro, "sendo apenas uma estátua de madeira, posso queimar as duas outras imagens restantes?"

 

Koan: Em que parte de um objecto fica o reverenciado Sagrado?

 

(*) Sariras: tais objectos são depósitos minerais – como pequenas pedras – que sobram de alguns corpos cremados, e que segundo a tradição foram encontrados após a cremação do corpo de Gautama Buda, sendo considerados objectos sagrados.

 

Uma xícara de Chá

Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de uma universidade que o veio inquirir sobre o Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre as suas dúvidas.

Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara do seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.

O professor, vendo o excesso que se derramava, não pode mais conter-se e disse:

"Está muito cheio. Não cabe mais chá!"

"Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio das suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu demonstrar-lhe o Zen sem que você primeiro esvazie sua xícara?"

 

Garotas

Tanzan e Ekido certa vez viajavam juntos por uma estrada lamacenta. Uma pesada chuva ainda caía, dificultando a caminhada. Chegando a uma curva, eles encontraram uma bela jovem vestida com um quimono de seda e cinta, incapaz de cruzar a intercessão.

"Venha, menina," disse Tanzan de imediato. Erguendo-a nos seus braços, ele carregou-a atravessando o lamaçal.

Ekido não falou nada até aquela noite quando eles atingiram o alojamento do Templo. Então ele não se conteve mais e disse:

"Nós monges não nos aproximamos de mulheres," ele disse a Tanzan, "especialmente as jovens e belas. Isto é perigoso. Por que fez aquilo?"

"Eu deixei a jovem lá," disse Tanzan. "Você ainda a está a carregar?"

 

Os Portais do Paraíso

Um orgulhoso guerreiro chamado Nobushige foi até Hakuin, e perguntou-lhe: "Se existe um paraíso e um inferno, onde estão?"

"Quem é você?" perguntou Hakuin.

Eu sou um samurai!" exclamou o guerreiro.

"Você, um guerreiro!" riu-se Hakuin. "Que espécie de governante teria tal guarda? A sua aparência é a de um mendigo!".

Nobushige ficou tão raivoso que começou a desembainhar sua espada, mas Hakuin continuou:

"Então você tem uma espada! A sua arma provavelmente está tão cega que não cortará a minha cabeça…"

O samurai retirou a espada num gesto rápido e avançou pronto para matar, gritando de ódio. Neste momento Hakuin gritou:

"Acabaram de se abrir os Portais do Inferno!"

Ao ouvir estas palavras, e percebendo a sabedoria do mestre, o samurai embainhou sua espada e fez-lhe uma profunda reverência.

"Acabaram de se abrir os Portais do Paraíso," disse suavemente Hakuin

 

É mesmo?

Uma linda jovem da vila ficou grávida. Os seus pais, encolerizados, exigiram saber quem era o pai. Inicialmente, resistente a confessar, a ansiosa e embaraçada menina finalmente acusou Hakuin, o mestre Zen, o qual todos na vila reverenciavam profundamente por viver uma vida digna. Quando os insultados pais confrontaram Hakuin com a acusação da sua filha, ele simplesmente disse:

"É mesmo?"

Quando a criança nasceu, os pais levaram-na para Hakuin, o qual agora era visto como um marginal por todos na região. Eles exigiram que ele tomasse conta da criança, uma vez que essa era a sua responsabilidade.

"É mesmo?" Disse Hakuin calmamente enquanto aceitava a criança.

Por muitos meses ele cuidou carinhosamente da criança até ao dia em que a menina não aguentou mais sustentar a mentira e confessou que o pai verdadeiro era um jovem da vila que ela estava a tentar proteger.

Os pais imediatamente foram a Hakuin, constrangidos, para ver se ele poderia devolver a guarda do bebé. Com profusas desculpas eles explicaram o que tinha acontecido.

"É mesmo?" disse Hakuin enquanto devolvia a criança.

 

Conhecendo os Peixes

Certa vez Chuang Tzu e um amigo caminhavam à margem de um rio.

"Veja os peixes a nadar na corrente," disse Chuang Tzu, "Eles estão realmente felizes…"

"Você não é um peixe," replicou arrogantemente seu amigo, "Então não pode saber se eles estão felizes."

"Você não é Chuang Tzu," disse Chuang Tzu, "Então como sabe que eu não sei que os peixes estão felizes?"

 

Plena Atenção

Após dez anos de aprendizagem, Tenno atingiu o título de mestre Zen. Num dia chuvoso, ele foi visitar o famoso mestre Nan-In. Quando ele entrou no mosteiro, o mestre recebeu-o com uma questão,

"Você deixou os seus tamancos e seu guarda-chuva no alpendre?"

"Sim", Tenno replicou.

"Diga-me então," o mestre continuou, "você colocou o seu guarda-chuva à esquerda do seu calçado, ou à direita?"

Tenno não soube como responder ao koan, percebendo afinal que ele ainda não tinha alcançado a plena atenção. Então ele tornou-se aprendiz de Nan-In e estudou sob a sua orientação por mais dez anos.

 

O Agora

Um guerreiro japonês foi capturado pelos seus inimigos e lançado na prisão. Naquela noite ele sentiu-se incapaz de dormir pois sabia que no dia seguinte iria ser interrogado, torturado e executado. Então as palavras do seu mestre Zen surgiram na sua mente:

"O "amanhã" não é real. É uma ilusão. A única realidade é "AGORA. O verdadeiro sofrimento é viver ignorando este Dharma".

No meio do seu terror subitamente compreendeu o sentido destas palavras, ficou em paz e dormiu tranquilamente.

 

Gato Ritual – Complicando o que é simples

Quando um mestre espiritual e os seus discípulos começavam a sua meditação ao anoitecer, o gato que vivia no Mosteiro fazia tanto barulho que os distraía. Então o professor ordenou que o gato fosse amordaçado durante a prática nocturna. Anos depois, quando o mestre morreu, o gato continuou a ser amarrado durante a meditação. E quando o gato eventualmente morreu, outro gato foi trazido para o Mosteiro e amarrado. Séculos depois, quando todos os factos do evento estavam perdidos no passado, praticantes intelectuais que estudavam os ensinamentos daquele mestre espiritual escreveram longos tratados escolásticos sobre a importância de se amordaçar um gato durante a prática da meditação…

 

Não Morri Ainda

O Imperador perguntou ao Mestre Gudo:

"O que acontece a um homem iluminado após a morte?"

"Como poderia eu saber?", replicou Gudo.

"Porque o senhor é um mestre… não é?" respondeu o Imperador, um pouco surpreso.

"Sim Majestade," disse Gudo suavemente, "mas ainda não sou um mestre morto."

 

Mente em movimento

Dois homens estavam a discutir sobre uma bandeira que tremulava ao vento:

"É o vento que realmente se está mover!" declarou o primeiro.

"Não, obviamente é a bandeira que se move!" contestou o segundo.

Um mestre Zen, que por acaso passava perto, ouviu a discussão e interrompeu-os dizendo:

"Nem a bandeira nem o vento se estão a mover," disse, "É a MENTE que se move."

 

O Quebrador de Pedras

Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com a sua posição na vida.

Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, ele viu muitos objectos valiosos e luxuosos e importantes figuras que frequentavam a mansão.

"Quão poderoso é este mercador!" pensou o quebrador de pedras. Ele ficou muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante.

Para sua grande surpresa, ele repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo de mais luxos e poder do que ele jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele. Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado numa liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe. Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem.

"Quão poderoso é este oficial!" ele pensou. "Gostaria de poder ser um alto oficial!"

Então ele tornou-se o alto oficial, carregado na sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta. Era um dia de verão quente, e o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol. Este brilhava orgulhoso no céu, indiferente da sua reles presença em baixo.

"Quão poderoso é o Sol!" ele pensou. "Gostaria de ser o Sol!"

Então ele tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando os seus raios para a terra sobre tudo e todos, secando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores. Mas um dia uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a terra, e o seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele.

"Quão poderosa é a nuvem de tempestade!" ele pensou "Gostaria de ser uma nuvem!"

Então ele tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos. Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal, e soube que era o vento que fazia isso.

"Quão poderoso é o Vento!" ele pensou. "Gostaria de ser o vento!"

Então ele tornou-se o vento do furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, temido e odiado por todas as criaturas na terra. Mas em determinado momento ele encontrou algo que ele não foi capaz de mover nem um milímetro, não importasse o quanto ele soprasse à sua volta, lançando-lhe rajadas de ar. Ele viu que o objecto era uma grande e alta rocha.

"Quão poderosa é a rocha!" ele pensou. "Gostaria de ser uma rocha!"

Então ele tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, inamovível. Mas enquanto ele estava lá, orgulhoso pela sua força, ele ouviu o som de um martelo batendo num cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu-se a si mesmo a ser despedaçado.

"O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha?!?" pensou surpreso.

Ele olhou para baixo de si e viu a figura de um quebrador de pedras.

 

Talvez

Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou no seu campo por muitos anos. Um dia o seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, os seus vizinhos vieram visitá-lo.

"Que má sorte!" disseram eles solidariamente.

"Talvez," replicou o fazendeiro calmamente. Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens.

"Que maravilhoso!" exclamaram os vizinhos.

"Talvez," replicou o velho homem. No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e partiu a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer a sua simpatia pela má fortuna.

"Que pena," disseram.

"Talvez," respondeu o fazendeiro. No dia seguinte, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens para o serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna partida, eles dispensaram-no. Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma como as coisas se tinham virado a seu favor.

O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente:

"Talvez."

 

O Silêncio Completo

Quatro monges decidiram meditar em silêncio completo, sem falar por duas semanas. Na noite do primeiro dia a vela começou a falhar e então apagou-se.

O primeiro monge disse, "Oh, não! A vela apagou-se!"

O segundo comentou, "Não tínhamos que ficar em silêncio completo?"

O terceiro reclamou, "Por que é que vocês os dois quebraram o silêncio?"

Finalmente o quarto afirmou, todo orgulhoso, "Aha! Eu sou o único que não falou!"

 

Impermanência

Um famoso mestre espiritual aproximou-se do Portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se aonde o Rei em pessoa estava solenemente sentado, no seu trono.

"O que vós desejais?" perguntou o Monarca, imediatamente reconhecendo o visitante.

"Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria," replicou o professor.

"Mas isto aqui não é uma hospedaria, bom homem, "disse o Rei, divertido, "Este é o meu palácio."

"Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?" perguntou o mestre.

"A meu pai. Ele está morto."

"E a quem pertenceu antes dele?"

"Ao meu avô," disse o Rei já bastante intrigado, "Mas ele também está morto."

"Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem – vós dizeis-me que tal lugar NÃO É uma hospedaria?"

 

Trabalhando no duro

Um estudante foi ao seu professor e disse fervorosamente,

"Eu estou ansioso para entender os seus ensinamentos e atingir a Iluminação! Quanto tempo vai demorar para eu obter este prémio e dominar este conhecimento?"

A resposta do professor foi casual,

"Uns dez anos…"

Impacientemente, o estudante completou,

"Mas eu quero entender todos os segredos mais rápido do que isso! Vou trabalhar no duro! Vou praticar todo o dia, estudar e decorar todos os sutras, farei isso dez ou mais horas por dia!! Neste caso, em quanto tempo chegarei ao objectivo?"

O professor pensou um pouco e disse suavemente,

"Vinte anos."

 

Essência

Na China, havia um monge Zen, chamado mestre Dori, que, por fazer zazen empoleirado num pinheiro pára-sol, fora alcunhado de mestre Ninho de Passarinho. Um poeta muito célebre, Sakuraten, foi visitá-lo e, ao vê-lo fazer zazen, disse-lhe:

"Tomai cuidado, que isso é perigoso; podereis, um dia, cair do pinheiro!"

"De maneira nenhuma," respondeu mestre Dori. "Vós é que correis perigo de um dia cair."

Sakuraten reflectiu. "Com efeito, vivo dominado por paixão, é como brincar com um raio". E perguntou ao mestre Zen:

"Qual é a verdadeira essência do budismo?"

Mestre Dori respondeu:

"Não façais nada violento, praticai somente aquilo que é justo e equilibrado."

"Mas até uma criança de três anos sabe disso!" exclamou o poeta.

"Sim, mas é uma coisa difícil de ser praticada até mesmo por um velho de oitenta anos…" completou o mestre.

 

Joshu e o Grande Caminho

Certa vez, um homem encontrou Joshu, que estava atarefado a limpar o pátio do mosteiro. Feliz com a oportunidade de falar com um grande Mestre, o homem, imaginando conseguir de Joshu respostas para a questão metafísica que lhe estava a atormentar, perguntou-lhe:

"Oh, Mestre! Diga-me: onde está o Caminho?"

Joshu, sem parar de varrer, respondeu solícito:

"O caminho passa ali fora, depois da cerca."

"Mas," replicou o homem meio confuso, "eu não me refiro a esse caminho."

Parando o seu trabalho, o Mestre olhou-o e disse:

"Então de que caminho se trata?"

O outro disse, em tom místico:

"Falo, mestre, do Grande Caminho!"

"Ahhh, esse!" sorriu Joshu. "O grande caminho segue por ali até a Capital."

E continuou a sua tarefa.

 

Sem Palavras, Sem Silêncios

Um monge perguntou a Fuketsu:

"Sem falar, sem se silenciar, como podeis vós expressar a Verdade?"

Fuketsu replicou:

"Eu sempre me lembro das primaveras no sul da China. Os pássaros cantam por entre as inumeráveis espécies de belas e cheirosas flores…"

 

Predestinação Imprevisível

Certa vez um budista leigo chamado Pang foi visitar Yao-shan. Quando estava a ir embora, o mestre pediu a dois hóspedes do mosteiro:

"Por favor, acompanhem-no até o portão."

Ao sair pela portão, Pang percebeu que começava a nevar. Maravilhado, comentou para seus companheiros:

"Ah, que lindo, vejam estes flocos de neve! Todos a cair no lugar certo!"

Um dos praticantes, riu-se arrogantemente e replicou, debochado:

"Ah! E onde deveriam cair exactamente os flocos de neve?"

Pang virou-se e exclamou:

"IDIOTA! Olhe para si! Os seus olhos vêem como um cego e a sua boca fala como um mudo! E ainda se considera um praticante Zen!"

 

Retirado com algumas adaptações do site: www.bushido-online.com.br/contos.htm

Published in: on 05/08/2005 at 16:06  Deixe um Comentário  

O que é que respondem?

     «Nos últimos 3000 anos, Moisés, Gautama, Jesus, Dogen, Krishnamurti, Thich Nhat Hanh e muitos mestres e sábios nasceram neste planeta. (…) Não sentirão eles um profundo temor pelo que andamos a fazer agora? Eles realmente sabem e repetidamente avisaram-nos para voltarmos à paz profunda que existe numa vida humilde. Temos andado demasiado ocupados para os ouvir, demasiado ocupados a tentar atingir a riqueza nacional e segurança com o conceito de honra nacional e a desenvolver as mais avançadas tecnologias de morticínio e destruição em massa, por meio de guerras em grande escala, nas quais temos estado envolvidos! O que significa isto?

     Significa que nós – cada um de nós – não foi capaz de descobrir dentro de si mesmo a própria paz original.

     Consideremos agora que tipo ou qualidade de planeta é que estamos, na verdade, a deixar a todos os nossos netos e netas. Estamos a fazer-lhes um belo paraíso verde na terra, ou um perigoso inferno? Infelizmente, neste momento, só posso responder pelo último. E se daqui a quarenta ou cinquenta anos eles nos colocarem esta séria questão:

     "Por que permitiram um mundo cheio de poluição, venenos e forte radioactividade, cheio de doenças desconhecidas e sofrimento de morte? O que é que afinal vocês nos fizeram?"

      Se o vosso neto vos perguntar isto, o que é que respondem?»

 

Hôgen Yamahata, Folhas caem, um novo rebento

___________

      Eu tenho vergonha de ser co-responsável pelo mundo de sofrimento que tem vindo a ser criado; tenho vergonha de ser mais um que, não fazendo nada de extraordinário para destruir o mundo, não faço absolutamente nada para o salvar ou melhorar. Se isto continuar assim, não terei respostas para dar aos meus filhos e netos sem ser a minha silenciosa vergonha.

 

..dré

Published in: on 03/08/2005 at 9:41  Deixe um Comentário