Solidão.



«Qualquer esforço dirigido no sentido de evitar a solidão falhou e continuará a falhar, porque é contra os fundamentos da vida. O que necessita não é de algo que lhe permita esquecer a solidão. O que é necessário é que você se torne consciente da sua solidão, de que ela é uma realidade. E é tão bela de experimentar, de sentir, porque é a sua forma de se libertar da multidão, do outro. É a sua libertação do medo de estar só.»

 

«A primeira coisa a perceber, quer queira ou não, é que está só. A solidão é a sua natureza. Pode tentar esquecê-lo, pode tentar não estar só fazendo amigos, tendo amantes, misturando-se com a multidão… Mas tudo isso é superficial. No seu interior, a sua solidão mantém-se distante, intocável.

(…)

Toda a experiência de vida passa por estar com pessoas. A solidão parece-se quase com a morte. De certo modo é a morte; é a morte da personalidade que você criou na multidão.

(…)

Aqueles que atingiram a solidão não encontraram ninguém lá. Eu quero dizer realmente ninguém – nenhum nome, nenhuma forma, mas a presença pura, a vida pura, inominável, sem forma. Esta é exactamente a verdadeira ressurreição e, certamente, é preciso coragem. Somente pessoas muito corajosas foram capazes de aceitar com alegria a sua ausência de ser, a sua insignificância. A sua insignificância é o seu ser puro; é simultaneamente uma morte e uma ressurreição.

Só o amor pode ser corajoso. Você ama-se? Ama a sua existência? Ama esta vida bela, que é uma dádiva? (…) Se ama esta existência que lhe deu vida, que lhe proporciona cada momento de vida e que o alimenta, então encontrará coragem. E esta coragem auxiliá-lo-á a ficar só como o cedro-do-líbano – alto, atingindo as estrelas, mas só.

Na solidão, desaparecerá o seu ego e a sua personalidade e ver-se-á a si mesmo como a própria vida, imortal e eterna. A menos que você seja capaz de estar só, a sua busca da verdade continuará a ser um fracasso.

A sua solidão é a sua verdade. A sua solidão é a sua divindade.

A função de um mestre é ajudar o outro a estar só. A meditação é só uma estratégia para afastar a sua personalidade, os seus pensamentos, a sua mente, a sua identificação com o corpo, e deixá-lo absolutamente só dentro de si, como um fogo vivo. Quando encontrar o seu fogo vivo, conhecerá todas as alegrias e todos os êxtases de que a consciência humana é capaz.»

 

«Na sua solidão, você descobrirá o que é ser. E de dentro dessa consciência do seu ser o amor flui. A solidão deverá ser a sua única busca.

E isso não significa que você tenha que ir até às montanhas. Pode estar só no mercado. É simplesmente uma questão de estar consciente, alerta, atento, lembre-se de que você é simplesmente a sua própria vigilância. Por entre a multidão você observa a multidão; nas montanhas você observa as montanhas. Com os olhos abertos, observa a existência; com os olhos fechados, observa-se a si mesmo. Você é somente uma coisa: o observador.

E esse observador é a maior realização. Esta é a natureza de buda; este é o seu instrutor, o seu despertar. Esta deve ser a sua única disciplina. Somente isto faz de si um discípulo, nesta disciplina de conhecer a sua solidão. De outro modo, o que faz de si um discípulo? Você foi enganado em todos os outros pontos da vida. Foi-lhe dito que acreditar num mestre faz de si um discípulo – isso é absolutamente errado; de outro modo, toda a gente no mundo seria um discípulo. Alguém acredita em Jesus, alguém acredita em Buda, alguém acredita em Krishna, alguém acredita em Mahavira; alguém acredita em alguém, mas ninguém é um discípulo, porque ser um discípulo não significa acreditar num mestre. Ser um discípulo significa aprender a disciplina de ser você mesmo.

Nessa experiência está escondido o próprio segredo da vida. Nessa experiência você é pela primeira vez um imperador; de outro modo, continua a ser um pedinte na multidão. Há dois tipos de pedintes: os pedintes pobres e os pedintes ricos, mas todos são pedintes. Mesmo os vossos reis e rainhas são pedintes.

Somente essas pessoas, muito poucas pessoas que permaneceram sós no seu ser, na sua claridade, na sua luz, que encontraram a sua própria luz, que encontraram o seu próprio florescimento, que encontraram o seu próprio espaço que podem chamar lar, o seu lar eterno – essas poucas pessoas são os imperadores. Todo este universo é o seu império. Eles não precisam de o conquistar, já está conquistado.

Por se conhecer a si mesmo, você conquistou-o.»

 

«Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. A solidão é a nossa verdadeira natureza, mas não estamos conscientes dela. Porque não estamos conscientes dela, permanecemos estranhos a nós mesmos e, ao invés de vermos a nossa solidão como uma enorme beleza e bem-aventurança, silêncio, paz e equilíbrio relativamente à existência, confundimo-la com isolamento.

O isolamento é confundido com a solidão. Logo que confunda a sua solidão com isolamento, todo o contexto muda. A solidão tem beleza e grandiosidade, é positiva; o isolamento é pobre, negativo, sombrio, triste.

(…)

Aqueles que conheceram a solidão dizem algo completamente diferente. Dizem que não há nada mais belo, mais sereno, mais alegre que estar só.

O homem comum vai tentando esquecer a sua solidão, e o que medita começa a ficar cada vez mais familiarizado com a sua solidão. Ele abandonou o mundo; ele foi aos subterrâneos, às montanhas, às florestas, só para poder estar só. Ele quer saber quem é. Na multidão é difícil; há tantas perturbações. E aqueles que conheceram a sua solidão conheceram a maior felicidade possível aos seres humanos – porque o seu próprio ser é bem-aventurado.

Depois de estar sintonizado com a sua solidão, pode relacionar-se com os outros; então as suas relações podem trazer-lhe grandes alegrias, porque elas não provêm do medo. Encontrada a sua solidão, pode criar, pode envolver-se em tantas coisas quantas queira, porque esse envolvimento não será uma fuga de si mesmo. Agora será a sua expressão; agora será a manifestação de tudo o que é o seu potencial.

Mas a primeira coisa a fazer é conhecer a sua solidão em absoluto.

Eu recordo: não confunda solidão com isolamento. Isolamento é certamente doentio; solidão é a saúde perfeita. O seu primeiro e mais primário passo para encontrar o significado e o significante da vida é entrar na sua própria solidão. É o seu templo; é onde habita o seu Deus, e você não consegue encontrar esse templo noutro lugar.»

 

«Se toda a gente desaparecesse na Terceira Guerra Mundial – o que pode acontecer a qualquer momento – e você ficasse só, o que faria? Excepto cometer suicídio, o que faria? Um solitário poderia sentar-se debaixo de uma árvore e tornar-se buda. Um solitário seria feliz e cantaria e dançaria e deslocar-se-ia – o seu humor não nunca mudaria. Você não pode mudar o humor de um solitário, não pode mudar o seu clima interno.

(…)

O solitário é o eleito. O que é que o solitário escolheu? Só escolheu o seu próprio ser. E quando você escolhe o seu próprio ser, você escolhe o ser de todo o universo – porque o seu ser e o ser universal não são duas coisas. Quando você se escolheu a si mesmo, você escolheu Deus, e quando você escolheu Deus, Deus escolheu-o a si – e você tornou-se o eleito.»

 

«A derradeira realidade é a solidão. Nós chegamos sós, nós partimos sós; e entre estas duas solidões criamos todo o tipo de relações e lutas, só para nos enganarmos – porque mesmo na vida, nós permanecemos sós. Mas a solidão não deve provocar tristeza; deve alegrar-nos. Existem duas palavras – o dicionário dirá que significam o mesmo, mas a existência dá-lhes significados totalmente opostos. Uma palavra é solidão e a outra palavra é isolamento. Elas não são sinónimos.

O isolamento é um estado negativo, como a escuridão. Isolamento significa que você sente falta de alguém; que está vazio e tem medo neste vasto universo. Solidão tem um significado totalmente oposto: não significa que você sente a falta de alguém, significa que se encontrou a si mesmo. É absolutamente positivo.

Encontrar-se a si mesmo, encontrar o sentido da vida, o significado da vida, a alegria da vida, o esplendor da vida. Encontrar-se a si mesmo é a maior descoberta na vida do homem e este encontro só é possível quando você está só. Quando a sua consciência não está ocupada por nada, por ninguém, quando a sua consciência está completamente vazia – nesse vazio, nesse nada, acontece um milagre. E esse milagre é o fundamento de toda a religiosidade.

O milagre é que, quando não existe mais nada para a sua consciência estar consciente, a consciência vira-se para si mesma. Torna-se um círculo. Não encontra obstáculos, não encontra objectos, volta à fonte. E no momento em que o círculo fica completo, você já não é um ser humano comum; você tornou-se parte da divinização que rodeia a existência. Você já não é você mesmo; tornou-se parte de todo o universo – o seu ritmo cardíaco é ele próprio o ritmo do coração universal.

Esta é a experiência que os místicos têm vindo a procurar durante toda a sua vida e através dos tempos. Não existe outra experiência mais extasiante, mais bem-aventurada. Esta experiência transforma toda a sua perspectiva: onde até agora havia escuridão, há luz; onde havia infelicidade, agora há felicidade; onde até agora havia raiva, ódio, possessão, ciúme, existe só a bela flor do amor. Toda a energia que foi desperdiçada em emoções negativas já não é desperdiçada…

Por um lado, você já não é o seu velho eu; por outro lado, você é, pela primeira vez, o seu eu autêntico. O velho eu foi-se, o novo chegou. O velho morreu; o novo pertence à eternidade, o novo pertence à imortalidade.»

 

Osho – Amor, Liberdade e Solidão

Published in: on 27/07/2005 at 9:40  Comments (2)  

Onde posso encontrar o meu «Eu»?

     O que é isso a que nós chamamos «Eu»? Dizemos «Eu quero isto», «Eu quero aquilo», mas quem é este «Eu» que quer, que deseja, que vive e sofre?

     O «Eu» será o corpo que temos? Será o conjunto das várias partes que compõem o organismo, os vários órgãos e membros? Se sim, que se passará quando perdemos algum desses componentes? Deixará de haver um «Eu»? Creio que não. As pessoas que ficam sem um braço ou sem uma perna não ficam sem o «Eu», pois não? Mesmo que ficassem sem ambas as pernas e braços, e mesmo sem um rim ou um pulmão, continuariam a dizer «Eu sofro muito» ou «Eu tenho muito pouca sorte», por exemplo. Ou seja, continuariam a ter uma noção individualizada do «Eu». Mesmo que ficássemos sem todo o corpo físico e sobrasse, imaginemos, somente a cabeça, nós continuaríamos a dizer que éramos um «Eu».

      Então, onde estará essa entidade, essa unidade? Se não parece ser o corpo, poderá ser aquilo a que chamamos mente? Mas onde está essa mente também? Os meus conhecimentos de neurologia – e ciência no geral – são praticamente inexistentes, mas, na minha opinião, mente não é sinónimo de cérebro. A mente transcende o mero órgão físico que a suporta mais directamente, bem como todas as suas sinapses e mecanismos de processamento dos estímulos. Certas tradições espirituais dizem até que a mente espalha-se por todo o corpo e até o ultrapassa. Assim sendo, a mente não se resumirá ao cérebro. Mas o que será então a mente? De que é composta? A mente é povoada por inúmeros pensamentos e emoções (processadas pelo cérebro), mas se olharmos bem, eles não estão lá de forma permanente. Eles foram resultado de uma sinapse ou processo cerebral, mas não estão lá instalados fisicamente. Foram resultado do processo químico e neurológico que permite o pensamento, não a sua causa. Não podemos dizer que o pensamento que diz «Apetece-me ir ao cinema», por exemplo, está localizado no cérebro num local específico e de forma estável, como se fosse um pedaço do córtex cerebral ou um órgão com existência própria. Sendo assim, por mais pensamentos ou emoções que tenhamos, eles são como nuvens no céu, não são o céu em si. Então, se fôssemos a eliminar, um por um, todos os pensamentos da nossa mente, sobraria alguma coisa? E se o nosso «Eu» fosse o conjunto de pensamentos e emoções, que nos aconteceria se parássemos essa corrente de pensamentos e emoções? Morreríamos? Desapareceríamos? Teríamos um derrame cerebral?

     Será uma miragem aquilo a que chamamos «Eu»? Será como um castelo de cartas? Poderá o nosso «Eu» ser como uma nuvem de fumo, que parece ser uma entidade individual, mas não passa de uma agregação casual de partículas expelidas pela madeira queimada? Aquilo que pensamos, sentimos e acreditamos – que é o que guardamos e protegemos como um tesouro valioso dentro das nossas cabeças – será mais real que as pessoas que vemos a mexer dentro de caixas coloridas a que chamamos «televisão»? Têm existência real? Existe algo de permanente nas nossas mentes que, depois de tudo o resto desaparecer, se mantenha intacto e fiel à sua essência?

     Seremos algo mais real do que um simples puzzle, composto por crenças, desejos, pensamentos e emoções? Será este puzzle algo uno e com existência própria e independente? Se sim, onde está essa unidade depois de separarmos as peças umas das outras? Ou seremos mais unos do que isso, como um automóvel, por exemplo? Mas alguém me diz onde está o automóvel depois de separarmos as rodas dos eixos, os estofos do chassis e os plásticos e borrachas da estrutura metálica? Haverá uma entidade chamada automóvel?

     Eu, sinceramente, não tenho as respostas a estas perguntas e confesso a minha total humildade e ignorância perante semelhante assunto, mas não quis deixar de colocar aqui estes pensamentos e dúvidas. Deixo aqui a pergunta, então, para quem tiver a capacidade de lhe encontrar uma resposta: o que será isso que nós tão afincada e desesperadamente defendemos e chamamos de «Eu»?

 

..dré

Published in: on 21/07/2005 at 15:52  Comments (1)  

Inspirar… Expirar!

     A respiração é, provavelmente, o aspecto mais básico da nossa sobrevivência enquanto seres vivos. Necessitamos – disso depende a nossa vida – de respirar, incessantemente, todos os dias, a todas as horas, em todos os minutos… até quase em todos os segundos! Podemos não comer ou dormir durante uns dias, podemos não ter roupa para vestir ou um tecto sob o qual habitar. Podemos não ter carro, emprego ou o que quer que seja, mas do oxigénio precisamos realmente, momento a momento. Agora a Agora!
    Segundo as minhas contas, se completarmos o ciclo respiratório (inspiração e expiração) a cada 5 segundos, isso quer dizer que respiramos 12 vezes por minuto e 720 por hora. Num dia de 16 horas, ignorando já as 8 horas que em média estaremos a dormir, respiramos, nada mais nada menos, 11520 vezes. Respiramos mais de dez mil vezes por dia (acordados), mas eu pergunto: será que reparamos nisso? Será que reparamos no mecanismo mais básico da existência humana? Será que ignoramos aquilo que permite, em última análise, estarmos vivos?
     Estaremos minimamente conscientes da beleza que existe em simplesmente respirar? É uma troca que se processa entre nós e todo o cosmos, a todo o momento. É uma troca entre todos os seres humanos: o ar que eu inspiro é o ar que tu expiraste e o ar que eu expiro é aquele que tu irás inspirar, misturado com o de todos os outros também. O ar que eu respiro está íntima e directamente ligado com o ar que outros seres humanos respiram em Tóquio ou na Cidade do México, por exemplo.
     E se respirar não for meramente um processo biológico que permite a sobrevivência física? E se for também, quem sabe, uma ferramenta extremamente útil para atingir um estado de maior serenidade, paz e compaixão? Uma ferramenta que, ainda por cima, está sempre connosco. Sempre!
     Respirar bem fundo, inundando o nosso corpo com esse saboroso "sumo" cósmico, pode ser algo de extraordinariamente deleitoso. Isto todos nós sabemos! Respirar conscientemente alinha-nos com o "respirar" do próprio universo, alinha-nos com o todo do qual fazemos parte; com o todo que nós somos. Respirar conscientemente é a porta de entrada para um estado de libertação total. É uma oportunidade real que temos para atingir a nossa verdadeira natureza; e temos essa oportunidade, nada mais nada menos, 11520 vezes por dia! Então eu pergunto a todos nós: quantas respirações fazemos nós por dia plenamente conscientes? Estaremos a negligenciar a nossa própria respiração..?!
 
..dré
Published in: on 20/07/2005 at 9:48  Comments (1)  

Projectos, propósitos, intenções…

     Todos os projectos são como nuvens no céu naturalmente azul e límpido. Todos os objectivos, propósitos ou intenções são acréscimos ao estado naturalmente perfeito e simbiótico do universo. A Vida é um fim, não um meio para alcançar qualquer outra coisa, e isto aplica-se a todos os aspectos da realidade. Um projecto que almeje a Libertação Última, a Iluminação, não deixa de ser uma nuvem que paira no céu. Bons e maus pensamentos obscurecem a nossa verdadeira natureza, tal como todas as nuvens, brancas ou negras, tapam igualmente o sol.
     A partir do momento em que a mente humana cria um fim separado da Vida em si, um objectivo "extra", "fora" do modo de vida natural e não-intencional, está a criar um artifício à existência. A Vida não existe como um meio para atingir isto ou aquilo; a Vida existe e ponto final.
     A existência humana não tem como fim atingir a paz, a liberdade ou a iluminação; tudo isso são meras construções intelectuais. A existência humana tem como propósito experienciar a Vida tal e qual ela é. Porém, se assim fizermos, veremos que a Vida é essa Paz, essa Liberdade e essa Iluminação – não os conceitos, mas a realidade concreta para a qual eles apontam. Todos os fenómenos são completos em si, e compreender a Vida a partir de um estado de ausência de desejo, no estado natural de não-mente, é experienciar essa plenitude directa e profundamente em cada instante da existência humana.
 
..dré
Published in: on 19/07/2005 at 15:59  Deixe um Comentário  

Para todos nós…

O sol quando nasce não é para todos, a liberdade não surgiu ainda para todos, nem a paz tocou todos os homens. Apenas duas coisas existem para todos os seres sem excepção: o toque doce ou amargo do Karma e a inevitável possibilidade de o transcender.

 

..dré

Published in: on 19/07/2005 at 10:31  Deixe um Comentário  

Tudo passa…


«Tudo passa. Os bisontes não voltarão, as cidades dos homens já ocupam agora as pradarias e montanhas. O que resta ao homem livre? O território do seu espírito, imenso, que ninguém poderá alguma vez invadir.»

Sabedoria Ameríndia

Published in: on 18/07/2005 at 15:30  Deixe um Comentário  

A nossa dádiva à Natureza.

«Só quando estiver tranquilo por dentro é que poderá ter acesso ao reino da serenidade em que as rochas, as plantas e os animais vivem. Só quando o barulho da sua mente diminuir é que conseguirá unir-se profundamente à Natureza e superar a impressão de separação criada pelo excesso de pensamentos.

O pensamento racional constitui uma etapa na evolução da vida. A Natureza vive naquela serenidade inocente anterior ao eclodir da racionalidade. A árvore, a flor, o pássaro e a rocha não se apercebem da sua própria beleza e carácter sagrado. Os seres humanos só ultrapassam a racionalidade quando se tornam serenos. Há uma outra dimensão de conhecimento, de consciência, que existe para lá do pensamento.

A Natureza pode oferecer-lhe serenidade. É a dádiva dela para si. Quando apreende a Natureza e se une a ela num campo de serenidade, esse campo fica impregnado pela sua consciência. É a sua dádiva à Natureza.

Através de si, a Natureza torna-se consciente dela mesma. Ela tem estado à sua espera, por assim dizer, há milhões de anos.»

 

Eckhart Tolle, A Voz da Serenidade

Published in: on 18/07/2005 at 15:25  Deixe um Comentário  

Alberto Caeiro: um verdadeiro poeta Zen..?

     Descobri, há pouco tempo, que o heterónimo de Fernando Pessoa conhecido como Alberto Caeiro é, sem sombra de dúvida, um poeta com uma grande tendência para uma visão Zen do mundo.

     Coloco aqui vários excertos de poemas do referido autor, retirados essencialmente d’«O Guardador de Rebanhos», embora estejam presentes também outros poemas.

 

O GUARDADOR DE REBANHOS

 

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar.

Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Pensar em Deus

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou…

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,

Num Meio-Dia de Fim de Primavera

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer…

Aquela senhora tem um piano

Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem …

Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando…

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira…

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo. . .

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse…

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena …

O meu olhar

O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta …

Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso…

Só a natureza é divina

É que para falar (…) preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E impõe nome às cousas.

Mas as cousas não têm nome nem personalidade:

Li hoje

Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.

Mas flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.

É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.

Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.

Se quiserem que eu tenha um misticismo

Sou místico, mas só com o corpo.
A minha alma é simples e não pensa.

O meu misticismo é não querer saber.
É viver e não pensar nisso.

Se às vezes digo que as flores sorriem

Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.

Acho tão natural que não se pense

Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha…
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos …
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

O mistério das cousas

Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas

No entardecer

Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão …
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos …

Passou a diligência

Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a acção humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
E o sol é sempre pontual todos os dias.

Antes o voo da ave

Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

Deste modo ou daquele modo

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu…

Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele-próprio.

Num dia excessivamente nítido

Vi que não há Natureza,
Que Natureza não existe,
Que há montes, vales, planícies,
Que há árvores, flores, ervas,
Que há rios e pedras,
Mas que não há um todo a que isso pertença,
Que um conjunto real e verdadeiro
É uma doença das nossas ideias.

A Natureza é partes sem um todo.
Isto é talvez o tal mistério de que falam.

Foi isto o que sem pensar nem parar,
Acertei que devia ser a verdade
Que todos andam a achar e que não acham,
E que só eu, porque a não fui achar, achei.

 

OUTROS POEMAS

 

A espantosa realidade das cousas

A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

A guerra

A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como todo humano, quer alterar.

Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer alterar.

A neve

Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
(…)
E adormeço sem menos utilidade que todas as acções do mundo.

Assim como

Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade…

Falas de civilização

Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Não basta

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

O espelho

O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo.

Quando vier a Primavera,

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Quando a erva crescer

Quando a erva crescer em cima da minha sepultura,
Seja este o sinal para me esquecerem de todo.
A Natureza nunca se recorda, e por isso é bela.

Se depois de eu morrer

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.

Todas as opiniões

Todas as opiniões que há sobre a Natureza
Nunca fizeram crescer uma erva ou nascer uma flor.
Toda a sabedoria a respeito das cousas
Nunca foi cousa em que pudesse pegar como nas cousas;
Se a ciência quer ser verdadeira,
Que ciência mais verdadeira que a das cousas sem ciência?

Fecho os olhos e a terra dura sobre que me deito
Tem uma realidade tão real que até as minhas costas a sentem.
Não preciso de raciocínio onde tenho espáduas.

Tu, místico

Tu, místico, vês uma significação em todas as cousas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma cousa oculta em cada cousa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra cousa.

Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as cousas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma cousa é não significar nada.
Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação.

Vive

Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.

Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.

O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.

Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas
como cousas.
Não quero separá-las de si próprias, tratando-as por presentes.

Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.

Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.

 

Retirado do site www.secrel.com.br

Published in: on 15/07/2005 at 14:52  Deixe um Comentário  

Sabedoria de Hollywood

Hollywood, fonte da grande maioria dos filmes que nos invadem o grande ecrã, muitos deles com pancadaria de "7 em pipa", tem igualmente alguns filmes que, também com muita violência à mistura, deixam escapar pensamentos e ideias com um conteúdo interessante. Se não, vejam só, por exemplo, a saga Star Wars, a trilogia Matrix e o Fight Club.
______
 

Star Wars

"The ability to speak does not make you intelligent." —Qui-Gon Jinn to Jar Jar Binks

"You can’t stop the change—any more than you can stop the suns from setting." —

Shmi Skywalker to Anakin

"Fear is the path to the Dark Side. Fear leads to anger; anger leads to hate; hate leads to suffering. I sense much fear in you." —

Yoda speaking to Anakin at the Jedi Council

"Attachment is forbidden. Possession is forbidden. Compassion, which I would define as unconditional love, is essential to a Jedi’s life. So, you might say that we are encouraged to love." —

Anakin Skywalker justifying his love for Padme Amidala

"Truly wonderful, the mind of a child is." —

Yoda

"So this is how liberty dies—to thunderous applause." —

Padmé Amidala

"If you’re not with me, then you’re my enemy."
"Only Sith deal in absolutes."
– Exchange between
Anakin Skywalker and Obi-Wan Kenobi (respectively) .

"Death is a natural part of life. Rejoice for those around you who transform into The Force.
Mourn them, do not. Miss them, do not. Attachment leads to jealousy. The shadow of greed, that is. – Yoda

"Train yourself to let go of everything you fear to lose." –

Yoda

"The fear of loss is a path to the dark side." –

Yoda

"The Force is an energy field created by all living things. It surrounds us, penetrates us, binds the galaxy together." —

Obi Wan Kenobi explaining the Force to Luke Skywalker

"There’s no mystical energy field that controls my destiny." —Han Solo

"In my experience, there’s no such thing as luck." —

Obi-Wan Kenobi

"Your eyes can deceive you; don’t trust them." —

Obi-Wan Kenobi

"Who’s the more foolish: The fool, or the fool who follows him?" —Obi-Wan Kenobi

"The more you tighten your grip, Tarkin, the more star systems will slip through your fingers." —

Princess Leia to Grand Moff Tarkin

"War does not make one great." —Yoda

"Try not! Do or do not; there is no try." —

Yoda

After Luke had failed to raise the ship using

The Force:
Luke Skywalker: "It’s impossible."
Yoda lifts the X-Wing from the swamp.
Luke Skywalker: "I don’t believe it!"
Yoda: "That is why you fail."

"No different. Different only in your mind. You must unlearn what you have learned." —

Yoda

"Always in motion is the future." —

Yoda

"You’re going to find that many of the truths we cling to depend greatly on our own point of view." —

Obi-Wan Kenobi

 

The Matrix

"I’d like to share a revelation that I’ve had during my time here. It came to me when I tried to classify your species. I realized that you’re not actually mammals. Every mammal on this planet instinctively develops a natural equilibrium with the surrounding environment, but you humans do not. You move to an area, and you multiply, and multiply, until every natural resource is consumed. The only way you can survive is to spread to another area. There is another organism on this planet that follows the same pattern. A virus. Human beings are a disease, a cancer of this planet, you are a plague, and we are the cure." – Agent Smith, The Matrix

"What you know you can’t explain, but you feel it. You’ve felt it your entire life, that there’s something wrong with the world. You don’t know what it is, but it’s there, like a splinter in your mind, driving you mad." – Morpheus, The Matrix

"The Matrix is the world that has been pulled over your eyes to blind you from the truth." – Morpheus, The Matrix

"I’m trying to free your mind, Neo. But I can only show you the door. You’re the one that has to walk through it." – Morpheus, The Matrix

"Don’t think you are, know you are." – Morpheus, the Matrix

"Do you believe that my being stronger or faster has anything to do with my muscles in this place?" – Morpheus, the Matrix

"Come on! Stop trying to hit me and hit me!" – Morpheus, the Matrix

"There is a difference between knowing the path and walking the path." – Morpheus, the Matrix

"You have to let it all go, Neo. Fear, doubt, and disbelief. Free your mind." – Morpheus, the Matrix

"The answer is out there, Neo, and it’s looking for you, and it will find you if you want it to." – Trinity, the Matrix

"Spoon boy: Do not try and bend the spoon. That’s impossible. Instead… only try to realize the truth.
Neo: What truth?
Spoon boy: There is no spoon.
Neo: There is no spoon?
Spoon boy: Then you’ll see, that it is not the spoon that bends, it is only yourself."

"Neo: What are you trying to tell me, that I can dodge bullets?
Morpheus: No Neo. I’m trying to tell you that when you’re ready, you won’t have to."

"You do not truly know someone until you fight him." – Seraph, the Matrix Reloaded

"Choice is an illusion, created between those with power, and those without." – Merovingian, the Matrix Reloaded

"Denial is the most predictable of human responses." – The Architect, the Matrix Reloaded

"Hope, it is the quintessential human delusion, simultaneously the source of your greatest strength, and your greatest weakness." – The Architect, the Matrix Reloaded

 

Fight Club

"Losing all hope was freedom."

"This is your life, and it’s ending one minute at a time."

"It’s only after we’ve lost everything that we’re free to do anything." – Tyler Durden, Fight Club

"The things you own, end up owning you." – Tyler Durden, Fight Club

"You’re not your job. You’re not how much money you have in the bank. You’re not the car you drive. You’re not the contents of your wallet. You’re not your fucking khakis. You’re the all-singing, all-dancing crap of the world." – Tyler Durden, Fight Club

"How much can you know about yourself if you’ve never been in a fight?" – Tyler Durden, Fight Club

 

Published in: on 14/07/2005 at 9:46  Deixe um Comentário  

O apagar de uma vela…

«Era uma vez um monge que meditava há vários anos, com muitos outros monges e monjas, num grande templo situado nos subúrbios de uma cidade.

Era costume dos praticantes meditar numa grande sala, frente a um altar luxuosíssimo, com imagens de uma beleza inspiradora.

O monge havia alcançado alguns dos níveis mais elevados da consciência humana, pois era muito dedicado, e recebia já a admiração de muitos dos outros habitantes do templo. A sua experiência nas subtis dimensões da mente parecia, no entanto, ter chegado a um certo nível de estagnação. Sentia-se preso no seu caminho evolutivo, como se algo esperasse por ele algures e ele não soubesse onde; algo aguardava na sombra o momento exacto para mostrar a sua luz.

Esse monge só saía do mosteiro para oferecer os seus préstimos em actos de caridade, para recolher algumas esmolas na cidade e para passear um pouco por uns pequenos campos que abraçavam o velho templo.

Um dia saiu para mais um desses passeios e parou em frente a uma gruta que conhecia há alguns anos. Entrou e sentou-se num canto a meditar, como fizera já incontáveis vezes. Contudo, hoje aquele local parecia renovado, com uma luz diferente, como se uma estranha presença ali habitasse e impregnasse a atmosfera da gruta com a sua fragrância. A água que caía de um pequeno buraco no tecto e a luz do sol que por ali entrava pareciam cheias de uma vida que não a delas, e o musgo que se agarrava às paredes parecia mais verde do que nunca.

O monge meditou durante várias horas, mais do que o habitual, e sentia-se cada vez mais atraído pela sensação que o invadia ao estar ali sentado. Sentia-se leve e livre como o sopro do vento, como que a tocar com as suas mãos na mais alta das nuvens e como se estivesse deitado no oceano com os pés assentes sobre a mais elevada das cordilheiras do mundo. Tudo era resplandecente, tudo tinha um brilho que sorria, tudo estava vazio de tudo o resto. Não havia em si próprio o mais pequeno sentimento de temor, angústia ou tristeza. Parecia ter finalmente conseguido ultrapassar a barreira que se havia instalado na sua caminhada interior, e a paisagem que lhe era dado a contemplar era mais ampla e bela do que qualquer outra que alguma vez os seus olhos ou alma houvessem perscrutado.

Concentrou o seu olhar no fio de água que deslizava do tecto da gruta até ao tímido lago que se tinha formado em baixo. O sol havia-se colocado em tal posição que a água que caía parecia feita de ouro; pequenas gotas valiosas transformavam-se num fio reluzente de luxuosa beleza, enchendo de inveja a mais sumptuosa das jóias.

O monge sorriu com o fenómeno, mas não estava à espera do que se preparava para ver: o sol avançou lentamente durante mais uns minutos e colocou-se precisamente em linha recta por cima do buraco que, de dentro da gruta escura, permitia ver o azul do céu. Uma luz brilhante invadiu por completo todo aquele espaço sombrio, e a água, que parecia já feita de ouro, transformou-se num lençol translúcido que irradiava todas as cores que o sol lhe transmitia, salpicando a gruta com as cores do arco-íris; o musgo verde parecia querer explodir de vida, assemelhando-se a um coral de oceano, magnífico e ondulante; todo o lago parecia feito de ouro e diamantes brilhantes, exibindo orgulhoso todos os dotes que o universo havia investido em si.

O monge nunca tinha visto algo assim, nem em sonhos, e não conseguia perceber por que razão nunca tinha assistido a algo semelhante, se há vários anos que frequentava aquele local. O seu estado de serenidade e compreensão da realidade última tinham chegado a um ponto sem retorno, onde todo aquele que o alcança jamais o esquece. De toda aquela luz que tornava a gruta numa antevisão do paraíso celestial, o monge não sabia qual dela vinha do sol e qual vinha da sua própria mente. Na verdade, deixara de haver diferença alguma entre a gigantesca estrela e a sua mente. Deixara de existir distinção entre Eu e Outro, entre Interior e Exterior; as sombras ilusórias da separação haviam caído por terra perante a luz que inundara aquela consciência. Tudo se fundia num fluir infinito e inefável, completamente inexplicável através de qualquer meio de comunicação ou expressão humanos. O monge havia encontrado o Universo que desde sempre o esperara na palma da mão e havia-se transformado em mais uma Luz Clara que inundava todo o Cosmos e tocava o frágil coração de todos os seres. Apagara-se a ténue vela do pequeno "Eu" e acendera-se a estrela brilhante do Ser Infinito.»

..dré

Published in: on 12/07/2005 at 9:33  Deixe um Comentário  

Senta-te, não faças nada.

 

     “Os praticantes de Zen dizem: «Senta-te, não faças nada.» A coisa mais difícil do mundo é estar simplesmente sentado sem fazer nada. Mas uma vez que tenhas apanhado o jeito, se continuares a sentar-te durante alguns meses sem fazer nada durante algumas horas por dia, lentamente, muitas coisas começam a acontecer. Sentir-te-ás sonolento, sonharás. Muitos pensamentos povoarão a tua mente, muitas coisas. A mente dirá: «Porque estás a desperdiçar o teu tempo? Podias ter ganho algum dinheiro. Pelo menos, podias ter ido ver um filme, ter-te divertido, ou podias ter descontraído ou tagarelado. Podias ter ficado a ver televisão ou a ouvir rádio ou, pelo menos, podias ter lido o jornal que não viste. Porque estás a desperdiçar o teu tempo?»

     A mente dar-te-á mil e um argumentos, mas se te limitares a ouvir sem te incomodares com a mente… fará todo o tipo de truques; alucinará, sonhará, ficará sonolenta. Fará tudo o que for possível para te arrastar de simplesmente estar sentado. Mas se continuares, se insistires, um dia o Sol acaba por nascer.

     Um dia acontece, não te sentes sonolento, a mente ficou cansada de ti, está farta de ti, desistiu da ideia de que podes ser encurralado, já não pode mais contigo! Não existe sono, nem alucinação, nem sonho, nem pensamento. Estás simplesmente sentado aí, sem fazer nada… e tudo é silêncio e tudo é paz e tudo é bem-aventurança. Entraste em Deus, entraste na verdade.

     No início, parecerá um pouco difícil, mas após alguns dias, desfrutarás imenso. Pouco a pouco, verás a mente a começar a desistir, camada a camada. Chegará um momento em que simplesmente não existe mente.”

Osho, Meditação: A Primeira e Última Liberdade


Published in: on 07/07/2005 at 19:35  Comments (1)  

Vegetarianismo?

Porquê ser vegetariano?
 
Como seria de esperar de um (ovo-lácteo)vegetariano, já percorri alguns sites sobre o tema. Nestes encontram-se variadíssimos argumentos contra o consumo de animais, muitos deles provenientes de altas personalidades histórias, científicas, sociais e, até mesmo, políticas.
 
Ora, estava eu há pouco sentado à mesa a comer umas colheres de um delicioso e terapeutico mel quando comecei a pensar no modo "pouco" imparcial como tratamos os animais. Embora o possamos negar, creio que a maioria de nós (incluindo eu próprio) relaciona-se com os animais de uma forma bastante interesseira, retirando deles (por vezes, literalmente) apenas os que nos convém.
 
Sendo assim, aqui vai aquilo em que pensei:
 
– As vacas e as cabras dão-nos o leite com o qual fortalecemos o nosso corpo e ossos, o leite que desde cedo ajuda as nossas crianças (o futuro da humanidade) a crescer. Desse leite, produz-se uma variedade bastante grande de produtos lácteos que nos ajudam também a viver nutricionalmente mais equilibrados, tal como o queijo de inúmeros tipos, os iogurtes, etc.
E como é que nós lhes agradecemos? Matamo-las e colocamos o seu corpo em fatias nos nossos pratos.
 
– As ovelhas (e outros animais) dão-nos a sua preciosa lã para nos aquecermos quando temos frio. A lã que aquece os nossos filhos quando eles estão mais desprotegidos é-nos dada por esses maravilhosos animais.
Como é que nós lhes agradecemos? Matamo-las e colocamos o seu corpo em fatias nos nossos pratos também.
 
– As abelhas produzem um extraordinário produto que nos apoia quando estamos mais fragilizados a nível de saúde, ajudando-nos em questões como a irritação da garganta e outras que tais.
Como é que nós agradecemos a estes pequenos seres trabalhadores? Na melhor das hipóteses ignoramo-los e demonstramos uma indiferença gritante perante as qualidades que têm para nós o seu trabalho e respectivo resultado. No pior dos cenários, esmagamos facilmente uma abelha com o nosso pé ou infestamos as suas colmeias com os horríveis inventos da espécie humana, tais como pesticidas ou venenos.
 
Podia continuar esta lista com animais que, de uma forma ou de outra, nos têm ajudado a viver as nossas vidas, tais como os cavalos (que sempre serviram para transportar seres humanos e agora também acabam sobre a loiça fria de um prato) ou outras centenas de animais que contribuem para o equilíbrio espantoso do eco-sistema onde todos vivemos, tanto mais espantoso quanto mais vai aguentando tão grandiosamente a mão "desequilibrada" do Homem!
Mas, porém, creio que não faz muito sentido continuar, pois já todos perceberam esta linha de raciocínio.
 

Sendo assim, é este o meu pequeníssimo contributo para as culturas vegetariana, ovo-lácteo vegetariana ou vegan. Deixo apenas uma pergunta no ar: Estaremos a tratar com o devido respeito e a agradecer verdadeiramente a todos estes seres o bem que eles nos têm vindo a fazer ao longo de milénios de civilização e existência humanas? Estaremos..? Pensem nesta questão, mas eu já sei qual é a minha resposta… Descubram as vossas.

 
 
..dré
 
 
Nota: Para os mais interessados em aprofundar estas questões com quem realmente percebe do assunto, por favor não deixem de visitar as páginas vegetarianas que aponto neste site.
Published in: on 01/07/2005 at 18:14  Comments (1)